VALDEREZ VALLE
PORTUGUÊS
BIOGRAFIA
 
BIOGRAFIA

Autobiografia (como eu me sinto)

 

Nasci em Pitangui, à sombra de um pé de pequi, no alto do morro da Capelinha do Bom Jesus, na rua de São José, durante a vigília de um dos natais do século passado.

Considero-me bem nascida, pois cheguei empelicada e fui o pombo da paz entre as famílias de meu pai e de minha mãe.

Tive um pai feliz e agradecido por eu ter nascido. Minha mãe – lua branca, lá longe, no céu – me legou terna lembrança.

Fui criada por meus avós, num casarão  com varanda, jardim, quintal e uma dezena de tios, parentes, aderentes e vizinhos.

Meu avô, coitado, pelejou comigo, insistindo: se você fosse mais organizada, não seria só rainha, seria rei, um rei, o rei!

Minha avó cuidou disso, mas não obteve sucesso. Três tias foram muito especiais para mim. Uma tia avó, rica em sabedoria e metáforas; outra, serafínica, meu anjo da guarda e a terceira, adotada pela minha admiração, foi quem abriu meu caminho profissional, no campo da psicopedagogia e da literatura.

Seu quarto era minha biblioteca. Lá, me encontrei com Claparède, Piaget, Rilke, Verlaine, Romain Rolland, Charles Peguy, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Raul de Leoni e tantos outros, além das boas revistas da época tais como: Para Ti, Alterosa e O Cruzeiro, se bem me lembro.

Num arroubo de corajosa gentileza, arrisquei-me pianista – aos 7 anos – sem nunca ter tocado antes, e sequer conhecendo a pauta musical. Sábia, a Diretora do meu Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a homenageada do dia, me aplaudiu entre o encanto e a piedade. Salvou-me de “montar no porco” e a lição tem me valido até hoje.  

Na festa dos meus 10 anos, dancei, orgulhosamente, com o anão Pirueta, um toquinho de gente, preto como carvão, de muito prestígio entre as crianças.

No coração de minhas lembranças, estão as irmãs dominicanas e minhas colegas do Colégio Santa Maria que marcaram, em definitivo minha “aborrecência”. Até hoje nos reunimos – alegres Avós de Belém – “para fazer o bem, sem nem saber a quem”.

Quando meu pai se aposentou, voltamos à terra natal e lá, passei o ano mais fecundo e criativo da minha vida. “Poderosa”, em meus 18 anos, fui professora de Filosofia e Educação Física, na famosa Escola Normal de Pitangui, onde estudaram – desde o início do século XX conhecidos educadores, políticos, escritores e outros ilustres mineiros, inclusive o patrono desta honrosa comenda, Gustavo Capanema, sobrinho de minha avó paterna.

Antes disso, ao final do século IXX, meu bisavó paterno Zacarias Fernandes já havia fundado, em Pitangui, a primeira escola leiga de Minas Gerais, de muito prestígio!

Quando revisito meus avessos, pressinto que ali, brotou essa vocação para mestra e aprendiz.

Não é que ao mesmo tempo em que aprendi a ler pelo “Livro de Lili”, ia alfabetizando os adultos – que, naquele tempo, não tinham mais a possibilidade da escola – e se mostravam ávidos para penetrar no reino mágico das palavras.

Alfabetizando e educando continuei vida afora, aperfeiçoando meus dons e saberes no Curso de Pedagogia e na Pós-Graduação de Psicopedagogia.

Ao longo da estrada abri creches, fundei escolas. E fui cuidando de jovens e crianças. Em Pitangui, fundei a Creche Nossa Senhora do Silêncio, com a colaboração e o entusiasmo de meus conterrâneos e promovi vários eventos, em benefício dessa creche.

Entre outros, duas experiências inesquecíveis: a adaptação e apresentação da peça “O pequeno príncipe” de Saint Exupèry e um recital dos poemas que mais amava – tendo como fundo musical, o pianista Arnaldo Marchezzotti.

E assim, lá vou indo – como um rio tranqüilo – realizando, prazerosamente, os meus sonhos e obrigações, sempre com a colaboração de meus familiares e amigos.

Meu marido é o meu maior colaborador e a melhor escolha de minha vida, a quem dedico, até hoje, regalos de noiva e “quase” todos os meus poemas de amor.

Meu filho primogênito “senor de mi corazón e el senor de la soya”, apesar de valente desbravador e competente vencedor, pertence à fraternidade dos praticantes da mais bela virtude, a reciprocidade.

Meu caçula – com 1 metro e oitenta de simpatia e de ternura, guarda de mim aquela imagem de venerável “Nossa Senhora da Piedade” e, até hoje, me carrega “no andor, todo coberto de flor”.

Minhas duas irmãs são também um pouco filhas, muito minhas,  desde quando eu tinha 2 anos e “salvei” aquela que foi lançada da janela, sobre um canteiro de margaridas. A outra, “amamentei” com mimos, desde pequenina, lacinhos de fita amarrados nos cabelos e para enfeitar os muitos pelinhos de seu braço. A glória era vê-la desfilar igreja adentro, na missa solene das dez, ante os olhares deliciados e complacentes dos fieis.  

Meus sobrinhos, são também um pouco netos, especialmente aquela que me adotou como “Sá Dona Mãe”.

Também me adotaram como Vóderez, meus alunos do IBEC- Colégio Arcanjo Gabriel, os meninos da Creche Nossa Senhora de Belém de Lagoa Santa e vários outros, inclusive meus leitores ou aqueles para os quais conto estórias ou empresto o colo.

E não posso esquecer, aqui, da minha pagem, digo, da minha babá Surubina – que me ensinou a ser boa menina – e de minha amorável comadre. Madrinha dos meus dois filhos, madrinha de todos os “meus bem feitos e mal feitos”, madrinha dos mais necessitados, madrinha do mundo! Como ela nos amava! E como acreditava em nós. De modo especial, como acreditava em mim...

Para provar que ela estava com a razão, quero contar um fato raro: minha sogra – e eu disse, minha sogra – por incrível que pareça, foi a chefe do meu fã clube, que agora tem como presidente minha nora – e eu disse, minha nora!

E para fechar com chave de ouro essas mal traçadas linhas, quero lhes apresentar meus netinhos: Rauzinho e José.

Para eles, careço de palavras. Só mostrando suas carinhas para vocês perceberem o meu tesouro e se alegrarem comigo!

No mais, sou apenas uma mulher comum.

Não sou mulher de pensamento, como costumam me gabar. Sou só sentimento.

Mas, estou sempre amanhecendo... por isso, meu apelido é Dona Aurora, graças a Deus.    

 

 

Autobiografia (como eu me sinto)

Nasci em Pitangui, à sombra de um pé de pequi, no alto do morro da Capelinha do Bom Jesus, na rua de São José, durante a vigília de um dos natais do século passado.
Considero-me bem nascida, pois cheguei empelicada e fui o pombo da paz entre as famílias de meu pai e de minha mãe.
Tive um pai feliz e agradecido por eu ter nascido. Minha mãe – lua branca, lá longe, no céu – me legou terna lembrança.
Fui criada por meus avós, num casarão com varanda, jardim, quintal e uma dezena de tios, parentes, aderentes e vizinhos.
Meu avô, coitado, pelejou comigo, insistindo: se você fosse mais organizada, não seria só rainha, seria rei, um rei, o rei!
Minha avó cuidou disso, mas não obteve sucesso. Três tias foram muito especiais para mim. Uma tia avó, rica em sabedoria e metáforas; outra, serafínica, meu anjo da guarda e a terceira, adotada pela minha admiração, foi quem abriu meu caminho profissional, no campo da psicopedagogia e da literatura.
Seu quarto era minha biblioteca. Lá, me encontrei com Claparède, Piaget, Rilke, Verlaine, Romain Rolland, Charles Peguy, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Raul de Leoni e tantos outros, além das boas revistas da época tais como: Para Ti, Alterosa e O Cruzeiro, se bem me lembro.
Num arroubo de corajosa gentileza, arrisquei-me pianista – aos 7 anos – sem nunca ter tocado antes, e sequer conhecendo a pauta musical. Sábia, a Diretora do meu Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a homenageada do dia, me aplaudiu entre o encanto e a piedade. Salvou-me de “montar no porco” e a lição tem me valido até hoje.
Na festa dos meus 10 anos, dancei, orgulhosamente, com o anão Pirueta, um toquinho de gente, preto como carvão, de muito prestígio entre as crianças.
No coração de minhas lembranças, estão as irmãs dominicanas e minhas colegas do Colégio Santa Maria que marcaram, em definitivo minha “aborrecência”. Até hoje nos reunimos – alegres Avós de Belém – “para fazer o bem, sem nem saber a quem”.
Quando meu pai se aposentou, voltamos à terra natal e lá, passei o ano mais fecundo e criativo da minha vida. “Poderosa”, em meus 18 anos, fui professora de Filosofia e Educação Física, na famosa Escola Normal de Pitangui, onde estudaram – desde o início do século XX conhecidos educadores, políticos, escritores e outros ilustres mineiros, inclusive o patrono desta honrosa comenda, Gustavo Capanema, sobrinho de minha avó paterna.
Antes disso, ao final do século IXX, meu bisavó paterno Zacarias Fernandes já havia fundado, em Pitangui, a primeira escola leiga de Minas Gerais, de muito prestígio!
Quando revisito meus avessos, pressinto que ali, brotou essa vocação para mestra e aprendiz.
Não é que ao mesmo tempo em que aprendi a ler pelo “Livro de Lili”, ia alfabetizando os adultos – que, naquele tempo, não tinham mais a possibilidade da escola – e se mostravam ávidos para penetrar no reino mágico das palavras.
Alfabetizando e educando continuei vida afora, aperfeiçoando meus dons e saberes no Curso de Pedagogia e na Pós-Graduação de Psicopedagogia.
Ao longo da estrada abri creches, fundei escolas. E fui cuidando de jovens e crianças. Em Pitangui, fundei a Creche Nossa Senhora do Silêncio, com a colaboração e o entusiasmo de meus conterrâneos e promovi vários eventos, em benefício dessa creche.
Entre outros, duas experiências inesquecíveis: a adaptação e apresentação da peça “O pequeno príncipe” de Saint Exupèry e um recital dos poemas que mais amava – tendo como fundo musical, o pianista Arnaldo Marchezzotti.
E assim, lá vou indo – como um rio tranqüilo – realizando, prazerosamente, os meus sonhos e obrigações, sempre com a colaboração de meus familiares e amigos.
Meu marido é o meu maior colaborador e a melhor escolha de minha vida, a quem dedico, até hoje, regalos de noiva e “quase” todos os meus poemas de amor.
Meu filho primogênito “senor de mi corazón e el senor de la soya”, apesar de valente desbravador e competente vencedor, pertence à fraternidade dos praticantes da mais bela virtude, a reciprocidade.
Meu caçula – com 1 metro e oitenta de simpatia e de ternura, guarda de mim aquela imagem de venerável “Nossa Senhora da Piedade” e, até hoje, me carrega “no andor, todo coberto de flor”.
Minhas duas irmãs são também um pouco filhas, muito minhas, desde quando eu tinha 2 anos e “salvei” aquela que foi lançada da janela, sobre um canteiro de margaridas. A outra, “amamentei” com mimos, desde pequenina, lacinhos de fita amarrados nos cabelos e para enfeitar os muitos pelinhos de seu braço. A glória era vê-la desfilar igreja adentro, na missa solene das dez, ante os olhares deliciados e complacentes dos fieis.
Meus sobrinhos, são também um pouco netos, especialmente aquela que me adotou como “Sá Dona Mãe”.
Também me adotaram como Vóderez, meus alunos do IBEC- Colégio Arcanjo Gabriel, os meninos da Creche Nossa Senhora de Belém de Lagoa Santa e vários outros, inclusive meus leitores ou aqueles para os quais conto estórias ou empresto o colo.
E não posso esquecer, aqui, da minha pagem, digo, da minha babá Surubina – que me ensinou a ser boa menina – e de minha amorável comadre. Madrinha dos meus dois filhos, madrinha de todos os “meus bem feitos e mal feitos”, madrinha dos mais necessitados, madrinha do mundo! Como ela nos amava! E como acreditava em nós. De modo especial, como acreditava em mim...
Para provar que ela estava com a razão, quero contar um fato raro: minha sogra – e eu disse, minha sogra – por incrível que pareça, foi a chefe do meu fã clube, que agora tem como presidente minha nora – e eu disse, minha nora!
E para fechar com chave de ouro essas mal traçadas linhas, quero lhes apresentar meus netinhos: Rauzinho e José.
Para eles, careço de palavras. Só mostrando suas carinhas para vocês perceberem o meu tesouro e se alegrarem comigo!
No mais, sou apenas uma mulher comum.
Não sou mulher de pensamento, como costumam me gabar. Sou só sentimento.
Mas, estou sempre amanhecendo... por isso, meu apelido é Dona Aurora, graças a Deus.