MÁRCIA MEIRA BASTO
PORTUGUÊS
BIOGRAFIA
 
BIOGRAFIA

 
MÁRCIA MEIRA BASTO nasceu em Recife. Casada, mãe de dois filhos, formou-se pela faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco. Procuradora do Estado de Pernambuco (aposentada) é mestre em filosofia, também pela UFPE. Pós-graduada em Economia del Setor Público pelo Instituto Nacional de Administracion Publica- Alcala de Henares/ Espanha, em Planejamento Urbano pela University School of London/ Londres/ Grã- Bretanha e Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas- Rio de Janeiro/ RJ. Arteterapeuta, pós-graduada pela Clínica POMAR- Rio de Janeiro/ RJ. É, também, contadora de histórias e produtora cultural. Foi uma das realizadoras do CAFÉ LITERÁRIO DE PERNAMBUCO – movimento de divulgação da produção literária brasileira e de valorização do escritor pernambucano. Atualmente desenvolve trabalho voluntário na Organização de Auxílio Fraterno - OAF.

AUTO-RETRATO 

A respeito de sua biografia, Márcia traça um auto-retrato onde procura a si mesmo no outro da criação. Reportando-se a um dos seus contos posiciona-se contra exposição excessiva do escritor na mídia vez que: o rosto do artista é anulação: de sua boca sopra o som divino, dos seus olhos saem faíscas que, às vezes, amornam outras queimam e, ainda, congelam e matam
Entende a autora que o artista não deve, por vaidade, querer se sobrepor à sua obra. Nesse sentido enfatiza o conto acima citado “o rosto do artista deve ser revelado somente através de seu fazer: para não quebrar o feitiço, não evaporar o mistério. Ao criar, o artista torna-se, ele mesmo, negação, ausência: casulo de onde nascem as borboletas que vão ser tatuadas na alma de seu público. Pois seria de alguma valia sabe-lo, isto ou aquilo, apresentá-lo numa identidade fixa e congelada, composta de cenários superpostos se, para criar, ele teve que retornar a um sem face, sem contornos, ao invisível da origem do mundo? Nessas horas seu rosto é apenas uma máscara que protege Deus. E a epifania do mistério é feita na relação direta do seu público com os mundos produzidos por palavras, imagens, cores, linhas sons, texturas, sentimentos.
Por isso, neste momento do agora, sem rosto, sem nome, sem história ou destino, liberta do meu corpo, da espera e do desejo serei para vocês leitores, apenas uma passagem. Portal de entrada para um mundo construído por palavras oriundas da força bruta do ser. Palavra que, às vezes, se veste com a dureza das rochas milenares e despenca, abrindo crateras de uma morada infernal e, outras, é cicatriz:escavacando a memória e esculpindo, a vida e o dizer, em pedra e ferro. Mas que pode também ser suor: de carregar a fadiga do trabalho realizado na clareira feita pelo fogo roubado aos deuses pela mulher. E que, mais adiante se transforma em seta, disparando o impulso avassalador que, num ato e num ímpeto, oprime e imprime, na carne mesma, a dor da saudade do que não foi - ou já não é. Por isso convido: entrem e descubram um mundo feito de palavras em preto-e-branco, envolto da luminosidade tênue do crepúsculo que desvela um caminho sombreado. Caminho que, sendo só um caminho, não possui placas, nem indicações, nem paradas, nem destino. E que vocês terão que percorrer levados pelas mãos da imaginação que provém da força vital da mulher. (
ïn O rosto do artista"publicado na Antologia do Conto Nordestino Ano 200)