MARILDA CONFORTIN
PORTUGUÊS
BIOGRAFIA
 
BIOGRAFIA

Nasci e cresci num ambiente rural na cidade de Chapecó - SC, no sul do Brasil. Tive pouco acesso aos livros na infância. A poesia me foi apresentada na forma oral, por um tio que me ninava recitando poemas de Olavo Bilac.

Aos quinze anos candidatei-me a tirar pó dos livros da biblioteca do Seminário Diocesano próximo a minha casa. Naquele trabalho descobri os livros. Encantei-me com a palavra.

Em 1975 mudei de residência para Curitiba, PR, onde criei raízes e filhos. Estudei na Universidade Federal do Paraná. Trabalhei na Prefeitura, nas áreas de Informatica, Educação e Recursos Humanos.

Aposentei em 2015. Atualmente moro em Navegantes SC, na praia de Gravatá,

Representei o Brasil em três eventos internacionais de Poesia: X e XX Encuentro Internacional de Mujeres Poetas no México e Festival Internacional de Poesia de Granada, Nicarágua.

Publiquei seis livros e o sétimo está no prelo. Participei de várias antologias, escrevi e atuei em teatro, ministrei oficinas de poesia e tenho dezenas de músicas compostas em parceria com artistas locais.

Sou membro efetivo da Academia José de Alencar do Paraná e do MIP - Movimento Internacional Poetrix, onde sou uma das coordenadoras e incentivadoras desse terceto.

Costumo recitar poesias em bares, teatros, escolas, feiras e eventos literários.


Trecho da apresentação do Livro TRIZ - por Joyce Cavalccante

"A escritora Marilda Confortin é uma brasileira. Para explicá-la e melhor explicar sua obra, devemos antes desvendar o significado de sua condição de cidadã de um país tão cheio de particularidades como esse de onde ela vem. Pois o Brasil, creiam, é muito mais do que um país. É um estilo de vida.

Descendo os olhos pelo mapa do mundo, na América do Sul nos chama a atenção um enorme triângulo que de tão grande torna-se desproporcional em relação ao tamanho dos outros países. É o Brasil. Aqui se fala português - uma espécie de português bem diferente daquele falado em Portugal, mas mesmo assim português - quando todo o resto do continente fala espanhol. Desse modo iniciamos uma cascata de exceções.

Apesar de nossos inúmeros problemas comum aos pobres países latino-americanos, comum aos países considerados emergentes; conseguimos manter unificada a língua falada por 170.000.000 de pessoas, espalhadas por 8.511.965 quilômetros quadrados de área. Não temos dialetos nem diferenças lingüísticas regionais, mas sim um mesmo idioma que nos une, fenômeno bastante estudado mas nunca explicado. No nosso país a coisa mais importante é nossa língua, preservada milagrosamente. Também nessa área somos uma exceção.

Foi partindo da robustez dessa língua que a nossa literatura se construiu. Temos excelentes novelistas, entre eles o conhecido Jorge Amado, e inúmeros poetas entre os quais lembramos os nomes de Cecília Meireles e Haroldo de Campos, esse quem afirmou que não tem pátria, mas sim mátria. Ainda, em nosso hino nacional, criamos o seguinte verso: “...dos filhos desse solo és mãe gentil...” . E é isso que é o nosso país: uma mátria, uma mãe gentil e em sendo assim é uma mulher desafiadora e indomada. Opulenta e acolhedora. Também aqui há uma exceção, se em confronto com os outros países do mundo, todos masculinos.

Com isso quero explicar a parte feminina carregada na bagagem textual de Marilda Confortin, por onde quer que ela vá. Quem herda não furta, costuma-se dizer. E ela não está fazendo nada diferente do que apossar-se de um patrimônio que é legitimamente seu.

Seu livro TRIZ, aqui apresentado, é uma demonstração do pensar feminino, escrito por alguém que sente e se apresenta como mulher, num mundo ainda partido por dois gêneros sexuais, quando deveria ser repartido. Prova disso são os títulos de seus primorosos poemas: Coisas de Mulher, Ato de Contrição, Provocação, Professor, Fé. Ou essa surpreendente construção poética:

DISSE-ME: - No te trago mucho, pero te traigo siempre.

Fiquei bem quieta.
Ele, um poeta.
Eu, aguardente.

Em meio a essa bagagem marcadamente feminina, Marilda carrega também a REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras, mais um excepcional fenômeno brasileiro a quem ela tão dignamente representa.

(...) Aqui concluímos fazendo dois convites e um desejo: Convidamos a todos para visitar nossa página web com muitas outras informações: http://rebra.org e convidamos também a praticar a leitura do texto de forma perfeita e proporções harmônicas intitulado Mulher , com o qual Marilda Confortin finaliza esse livros TRIZ.

Desejamos compartilhar um mundo justo, ameno, aprazível e sereno para muito mais criar.

Joyce Cavalccante
Presidente da Rebra



Apresentaçãdo livro Lua Caolha - por Goulart Gomes

Marilda é fiel discípula dos versos curtos. Curitibana por opção, segue a tradição minimalista paranaense que tantos poetas talentosos gerou. 

Menina grande, brinca com as palavras, planta girassóis em cabeças de alfinetes: Não há espaço tão exíguo onde não faça bortar beleza. Sabe espichar versos e compor o mundo em não mais que trinta sílabas. 

Sua poesia tem seu jeito, seu cheiro, sua cor, firme e deminina, audaz e delicada, Coralina e Maria Bonita. Implode palavras e, de um quebra-cabeças de sílabas, compõe novas imagens, dá novo sentido, reinventa a fonética. 

Esse jeito nosso de escrever tercetos, ao qual chamamos poetrix, tem somente dez aninhos. É um bebê que ainda engantinha na trilha da sua história. Mas, se já podemos falar de uma memória (ainda que pueril) do poetrix, o nome de Marilda Confortin sempre será citado. Não apenas por ser uma das precursoras e coordenadoras do MIP – Movimento Internacional Poetrix, mas por ter a ousadia de plantar essas sementes no árido cânone literário nacional.

Goulart Gomes
Escritor, criador do Poetrix