VERA PESSAGNO
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PORTAS E JANELAS

Quem assiste, através da janela ou através da porta aberta, as cenas que ocorrem lá fora, tem com certeza uma percepção diferente de quem vive lá fora a mesma cena.

Minhas primeiras lembranças eu as coletei morando numa casa pequena na nostálgica Vila Industrial. A grande maioria das casas, eram construídas em terrenos estreitos e longos, assim na frente da casa era comum, apenas uma porta e uma janela, quando a casa tinha garagem, essa era embaixo da janela. Algumas casas mais recuadas possuíam um grande portão e um espaço para o automóvel na frente da casa.

Os telhados eram dos mais variados estilos, famílias mais abastadas, possuíam um telhado com eiras bem trabalhadas e beiras pronunciadas, conforme manda a tradição portuguesa. Aliás, a colônia portuguesa e a italiana eram as mais populosas no bairro.

O trânsito não era tão intenso como o de hoje, carros eram mais raros, o saudoso e popular bonde elétrico imperava nas ruas mais largas do bairro, constituído em sua maioria por ruas estreitas com suas casas de porta e janela voltadas para a estreita calçada de pedestres.

Normalmente, abaixo da janela da sala, percebiam-se pequenas janelas com grades, o que denunciava que a casa tinha um porão. Era comum as moças da época, debruçarem-se nas janelas de suas casas e passar um longo tempo, apenas apreciando a vida fluir do lado de fora.

Quando me mudei para o Botafogo em um casarão imenso próximo à Av. Andrade Neves, a moradia possuía 12 janelas, muitas portas, que, às vezes, permaneciam sempre abertas e onde Deus e todo mundo entrava e saia.

Os telhados, nessa época, eram mais uniformes, mais modernosos e não havia mais a figura do porão, o bonde ainda era o transporte mais popular da cidade. No casarão que ainda lá está, moravam doze pessoas, meus pais, eu e meus irmãos, minha avó, uma empregada, um tio e sua esposa e outro tio solteiro, além de gatos, cachorros, papagaios, pássaros e tartarugas, todos os dias recebíamos muitas visitas, era uma festa contínua.

A piscina enorme e em formato de violão estava sempre lotada de crianças e jovens, mas, o tempo passou, meus irmãos foram saindo de casa, vovó e os tios seguiram seus destinos de vida, e eu, continuei mudando.

A cada casa, o espaço diminuía seu tamanho, hoje, em um apartamento, voltei ao mesmo número de janelas, portas e vitrôs do início, incrível, como tudo na vida é cíclico.

Mas, as cenas, fatos e experiências que você presenciou ou viveu, formam seu aprendizado e, muitas vezes o legado que seus filhos e a família deverão usar para construir um sólido alicerce de educação e bons exemplos.

 

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ESTRELAS CADENTES

No final do século passado, no período que trabalhei na Secretária de Cultura do Estado, em um encontro cultural na cidade de Presidente Epitácio ao noroeste do estado, tive a oportunidade de vislumbrar um espetáculo magnífico da natureza.

A noite estava límpida, o céu sem nuvens e sem lua, eu e os demais companheiros do encontro, fomos convidados para testemunhar uma chuva de meteoros, que, os astrônomos locais já tinham previsto.

Nos reunimos às margens do Rio Paraná, próximos a ponte que interliga São Paulo a Mato Grosso do Sul, no horário previsto, bastou olhar para cima e observar a trajetória do que chamamos de estrelas cadentes, e que os astrônomos previam ser chuva de meteoritos.

Quando um corpo celeste ou objeto de razoável tamanho (um satélite artificial, por exemplo) adentra a atmosfera terrestre, a gravidade existente provoca uma absurda aceleração deste objeto, que devido ao atrito provocado pelo ar, acaba por entrar em combustão, literalmente ele pega fogo.

Nós simples espectadores do show da natureza, pudemos testemunhar os inúmeros riscos de luz desenhados naquele céu maravilhoso, pela trajetória flamejante desses objetos.

É sempre mais romântico chamá-los de estrelas cadentes. Cada um de nós ali presente, eu o fiz, fizemos um pedido, como de costume. Tenho certeza de que, muitos casais apaixonados, que naquele momento poderiam estar olhando para o céu, também fizeram seus pedidos.

Fico aqui pensando, quantos deles hoje, mais de 30 anos depois, ainda estão juntos?

Espero que sejam muitos.

 

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O A ILHA QUEIMADA GRANDE

Recordei uma aventura incrível de quatro pescadores perdidos numa tempestade em alto mar e, que acabaram buscando abrigo, numa ilha do litoral sul do Estado de São Paulo, chamada Ilha da Queimada Grande, totalmente desabitada e conhecida como a "Ilha das Cobras".

Conheço essa ilha, já fui até lá, embora nunca tenha descido, pois, trata-se de lugar inóspito e perigoso, considerado um "santuário de cobras venenosíssimas", uma população estimada de mais de 30000 cobras, como a tal Jararaca da espécie Ilhoa, a única que consegue subir em arvores para caçar pássaros e cujo veneno é 20 vezes mais mortal que sua prima do continente.  

A reportagem sobre a aventura dos pescadores, depois do naufrágio nadando a noite na tempestade e que conseguiram chegar à ilha, onde passaram três dias comendo bananas e outras plantas, foi mostrada em um programa de televisão da época.

Naquele momento, fiquei emocionada com a aventura, porque conheço a ilha, vejo sempre os barcos dos pescadores e a vida difícil que levam enfrentando aquele mar belo e traiçoeiro.

Essa ilha fica em frente, distante 35 km da costa, do nosso condomínio em Itanhaém e todos sabem que a ilha não é um lugar receptivo e os pescadores jamais desembarcam lá.

São esses homens do mar os responsáveis pelo nome da ilha. Cientes do risco que corriam ao desembarcar em terra firme, eles ateavam fogo na mata costeira para afugentar as serpentes. A técnica deu origem à denominação Queimada Grande, mas foi incapaz de ameaçar o reinado da Jararaca-Ilhoa.

Povoadas de uma infinidade de animais marinhos (barracudas, peixes-frade, peixes-voadores, arraias, tartarugas), as águas do entorno da Ilha têm ótima visibilidade e uma atração extra: o naufrágio do Tocantins, um cargueiro de 110 metros de comprimento que se encontra quase na vertical. Há também o navio mercante Rio Negro, cujos destroços, estão um pouco afastado do local onde se encontra o Tocantins.

Ninguém mais mora lá desde 1918, quando a marinha automatizou o farol da ilha. Até então, apesar da inexistência de água potável (os animais bebem apenas a água da chuva), havia sempre um faroleiro com sua família na Queimada Grande.

Mas os sucessivos relatos de acidentes fatais com cobras inviabilizaram o farol manual e chamaram a atenção dos biólogos do Instituto Butantã, que intensificaram as viagens à ilha a partir de 1984.

A natureza é mesmo espetacular, jamais uma reserva de Mata Atlântica teve protetores tão temidos quanto esta Ilha.

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O IMPERATIVO DO CORPO PERFEITO

A alimentação sadia, equilibrada, rica em fibras, dotada de todas as vitaminas necessárias para o bom funcionamento do complexo organismo de todo ser humano sempre foi, é e, com certeza, sempre será uma das principais preocupações de quase todos os que habitam esse planeta chamado Terra.

Assim, sempre procuramos fazer regimes, usar cremes milagrosos, vitaminas poderosas, chás rejuvenescedores e incensos aromatizantes com poderes relaxantes e pacificadores, como também outros com poderes sensuais, eróticos, e que são utilizados, com o objetivo de estimular a sempre desejada e querida Libido Humana.

Por outro lado, esse culto ao corpo perfeito que na puberdade, juventude e, com muita frequência, na etapa da vida adulta vira febre e se transforma em verdadeira obsessão, vai perdendo o seu fascínio com a idade, sendo substituído pela busca da saúde e do bem-estar físico, psicológico, social e espiritual...

Infelizmente, a mídia tem valorizado muito a importância do corpo perfeito e tem reforçado estereótipos de beleza onde perder peso é sempre um imperativo. Em busca do corpo escultural, seja por simples satisfação pessoal, ou necessidade da profissão, que, convenhamos, é uma forma cruel de discriminação, muitas mulheres acabam encontrando na anorexia uma forma de resolver a questão.

É um quadro Psiquiátrico grave que pode até levar, alguns pacientes, à morte. O tratamento é longo e penoso e, no fundo significa "desencanto de viver", mas tem cura.

Não importa se você é gordinha, altinha, baixinha ou altinha, os ditos populares são sábios a esse respeito e dizem que “para toda frigideira sempre existe uma tampa que encaixa perfeitamente”. Também na música, nossos artistas exaltam com frequência a importância da mulher, seja lá a forma que ela assuma em seu corpo.  O importante é ser amada.

É preciso, aos poucos, conscientizar a todos, de que o que realmente importa é a felicidade pessoal de cada um, a vida deve ser celebrada com sabedoria e muito amor!

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MOLAMBO

Gosto e vivo a música erudita, cantei muitos dos clássicos mundo afora e, meus programas de rádio e TV abordam exatamente esse estilo de música. Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, eu também aprecio as músicas mais populares, principalmente aquelas que marcaram época na minha história de vida.

A MPB é riquíssima de bons exemplos e sucessos inesquecíveis, lembrou-me da música Molambo, gravada por vários artistas. O termo molambo é de origem angolana, que significa farrapo humano. A letra da música evidencia lembranças de uma traição amorosa, que simplesmente terminou bem para o traidor, que aceito de volta contraria as estatísticas que apontam para a tragédia, nestes casos de amor.

A Letra diz o seguinte:

Eu sei que vocês vão dizer
Que é tudo mentira que não pode ser
Que depois de tudo o que ele (a) me fez
Eu jamais poderia aceitá-lo (a) outra vez
Eu sei que assim procedendo
Me exponho ao desprezo de todos vocês
Lamento, mas fiquem sabendo
Que ele (a) voltou e comigo ficou
Voltou pra matar a saudade
A tremenda saudade que não me deixou
Que não me deu sossego um momento sequer
Desde o dia em que ele (a) me abandonou
Voltou pra impedir que a loucura
Fizesse de mim um Molambo qualquer
Ficou dessa vez para sempre
Se Deus quiser.

Compositor: Augusto Mesquita

A tecnologia da internet é fantástica. Utilizando-me do youtube, selecionei e escutei alguns dos muitos intérpretes de Molambo, e gostei muito de dois:

Maria Bethânia e Jamelão, que, com seus estilos marcantes, parecem se ajustar ao contexto e letra desta canção.

Algumas das músicas de nossa rica MPB se ajustam melhor em determinados artistas, que em sua forma de cantar marcam de forma magistral o sucesso que interpretam. Este parece ser o caso de Molambo.

E você caro amigo, o que acha? Pode citar outros exemplos?

Pois então, comente aqui quais músicas de sucesso marcaram época na interpretação de determinado artista.

 

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LEMBRANDO O PASSADO

Não basta estar em seu canto, pensando na vida e relembrando momentos vividos, para afirmar que esta é a maneira segura de fazê-lo.

Muitas vezes, num simples passeio, seja aqui ou até mesmo no exterior para nossa mente ligar o aviso de: “Opa, já estive aqui”. Foi o que me aconteceu outro dia, aqui em Campinas, eu passava nas vias, próximas a nova rodoviária, quando vi um moderno ônibus se afastando pelas ruas, rumo ao seu destino. Lembrei-me de meu período de intensa atividade lírica no Teatro Municipal de São Paulo, pelos idos dos anos 80.

Chegava a São Paulo através dos confortáveis ônibus da Viação Cometa. Uma vez na cidade, utiliza-me dos, nem sempre confiáveis, taxis disponíveis. Era muito comum, embarcar num taxi “Fusca” sem o banco dianteiro, dotado de um enorme taxímetro que mais parecia uma casinha.

Estava anoitecendo, eu retornava de taxi para a rodoviária e no caótico trânsito paulista o taxista teve que frear bruscamente, fui lançada ao encontro daquele enorme taxímetro, e acabei por cortar o supercílio. Por muito pouco não foi mais grave.

O mesmo ocorre quando me dirijo ao Shopping das Bandeiras, que fica em frente ao Jardim Ipaussurama em Campinas, local em que vivi parte da minha infância na fazenda da família. A mente, imediatamente, coloca a minha disposição, uma lista enorme de boas e saudosas recordações.

Ao caminhar pelo shopping, tenho a nítida sensação de estar caminhado nas mesmas trilhas e caminhos que eu fazia na infância pelas matas das fazendas vizinhas. Quando poderia eu imaginar que naquelas aventuras pelas fazendas, um dia eu estaria retornando ao mesmo local, só que em época bem distinta.

Mesmo que o progresso, e a dinâmica da cidade, modifiquem completamente as paisagens, acessos e finalidades dos locais que você frequenta, pode ter certeza de que aquelas lembranças do seu passado eternizam o que você viveu. Que saudades eu tenho da minha infância, mas não posso negar o implacável destino que tempo impõe a tudo e a todos.

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ADMIRÁVEL (NEM TANTO) MUNDO NOVO

Lembro-me de ter lido, tempos atrás, um dos melhores livros de ficção já lançados. Estou falando do livro de Aldus Huxley “Admirável mundo novo”, lançado em 1932, que aborda um futuro numa sociedade totalmente desumanizada. Um livro que recomendo a leitura, cujo autor inglês, utilizou as técnicas do controle do condicionamento para criar uma sociedade totalmente igualitária, robotizada e “feliz”.

“1984 - O Grande Irmão”, de George Orwell lançado nos idos de 1949 profetizou os acontecimentos que se seguiram ao seu lançamento, notadamente a ascensão do Nazismo e a tendencia cada vez mais crescente de controle do povo pelos governos de tendencias totalitárias.

Qualquer semelhança com momentos atuais não é coincidência. Orwell definiu o Big Brother, mais apropriadamente traduzido como “Irmão mais velho” como sendo o grande controlador, que, utilizava-se do “telescreen” como ferramenta de suporte para sua tirania.

Esclarecedor não acham?   

Curiosamente, Huxley, autor de “Admirável mundo novo”, faleceu no dia em que John F. Kennedy foi assassinado em Dalas no Texas no ano de 1963.

Filmes de ficção sempre me atraíram para as grandes telas, lembro-me da premiada trilogia “De volta para o futuro” baseada em um  roteiro de Robert Zemeckis e Bob Gale, estrelado por Michael J. Fox e Christopher Lloyd.

O primeiro filme (1985) ambientado em 1955 foi espetacular; o segundo (1989) ambientado em 1925 foi muito bom, já o terceiro (1990) ambientado em 2015, na minha opinião. não acompanhou o sucesso de seus antecessores.

Muitas das previsões do terceiro filme não se concretizaram, provando mais uma vez que, escritores, cineastas, filósofos e conferencistas que abortam o futuro quase sempre erram em suas previsões, ora para mais ora para menos.

Apesar da internet ter se consolidado como ferramenta de comunicação, ela na verdade tornou-se o “Big Brother”, pois nada, nada mesmo escapa de suas redes de captura. Teleconferências, lojas virtuais, serviços do poder público e muitas outras informações e opções estão por ai, a disposição de todos.

A pandemia acabou sendo apenas mais um motivo para se intensificar ainda mais o virtual. Apesar do inegável avanço, as previsões futurísticas permanecem nebulosas. Concluo que a melhor forma de prever o futuro é esperar para ver, e depois como neste breve texto, comparar previsões versus realidade.

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DINHEIRO NÃO ACEITA DESAFORO

O patrimônio de meu pai, conquistado com muito suor, ainda proporciona à nossa família um confortável estilo de vida, mas, não se engane, caro leitor, como diz o título, a atual geração segue o DNA do precursor com muito trabalho.

Nesta linha de pensamento, recordo-me de uma das muitas histórias contadas sempre com brilhantismo pelo meu saudoso marido, que Deus o tenha.

Corria a década de 50 do século passado, Milton era um jovem e recém-formado publicitário, e mesmo recém-formado tinha acesso à nata da sociedade Paulistana da época. Graças à sua profissão, sua fidalga presença e, principalmente, à sua eficiência profissional, ele era sempre requisitado nas casas mais luxuosas das avenidas 9 de julho, Paulista e Estados Unidos, entre outras.

As famílias o recebiam com distinção e, por vezes, confidenciavam fatos acontecidos. Um deles, entre tantos, uma família de origem Libanesa encerrava a sua primeira geração, o patriarca e sua esposa já tinham falecido e a única herdeira Srta. Sultana, na época com 30 anos, era muito cortejada na sociedade, não apenas pelo que representava financeiramente, mas pela estonteante beleza Árabe.

Muito simpática e voluntariosa, aproveitou-se muito bem da fortuna herdada. Viajou o mundo, divertiu-se nas mais badaladas e bem frequentadas cidades da Europa até que, em um dos retornos ao Brasil, vejam só, acabou por se apaixonar perdidamente pelo seu jovem e belo motorista.

O “Belo Antônio” funcionava bem, e era, além disso, muito esperto. A vida seguiu colorida para o feliz casal, até que, um dia a Sultana descobriu-se sem recursos.

O que aconteceu? Os mais próximos assim indagavam. Ela, triste e decepcionada limitava-se a permanecer em silêncio.

Apurou-se mais tarde, que, aproveitando-se da ausência de herdeiros, o “Belo Antônio” armou eficiente trama e da fortuna da “amada” apropriou-se, sem quaisquer indícios de fraude. Foi esperto.

O destino tem seus caprichos, Sultana terminou seus dias em um lar para senhoras, longe do glamour, entregue somente às suas lembranças. “O Belo Antônio” se transformou em um prospero, conhecido e atuante empresário Paulistano. Reservo-me o benefício do silêncio!

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A MARCA DO PARA SEMPRE

Sempre que posso, frequento cemitérios, rendo minhas homenagens aos que se foram, e nos campos santos tradicionais, aproveito para apreciar, um verdadeiro museu de arte sacra a céu aberto, as obras de arte que ornamentam os túmulos e mausoléus de famílias tradicionais da cidade, inclusive, o túmulo da minha família são de tirar o folego pela beleza e detalhes. Existem, inclusive, cemitérios que são incluídos em roteiros turísticos, como o de Arlington na cidade de Washington, o de New Orleans nos EUA, o de La Recoleta na Argentina e outros mais mundo afora.

O “Cemitério da saudade em Campinas”, é um local amplo e bem arborizado, é considerado um dos mais importantes cemitérios do Brasil por conta da riqueza arquitetônica, da beleza e da importância das obras de arte que ostentam grande parte de seus túmulos, entre elas peças em mármore Carrara, granito e cobre/latão, esculpidas por artistas como o Ítalo/Campineiro Lélio Collucini, nascido em Valdicastello na Itália, em 3/12/1910 e falecido em Campinas em 24/07/1983, além de muitos outros gênios escultores como Giuseppe Tomagnini, Marcelino Velez, J.Rosada, Wilmo Rosada, Aldo Puccetti, Nicola del Nero e Albertini. A lista é longa.

Fundado em 1880 após o terreno ser doado à prefeitura pelo Barão de Itatiba, o local que hoje conhecemos como Cemitério da Saudade, teve sua origem no Cemitério do Fundão, que à época da doação situava-se na fazenda do fundão, entre os municípios de Valinhos e Campinas. No século XIX, entre 1889 e 1896, o estado de São Paulo foi assolado por uma terrível epidemia da Febre Amarela, na cidade de Campinas, a praga ceifou enorme parcela da população local. Nossa “última morada” teve seu ápice de cortejos fúnebres.

Registra-se assim, nestes locais de orações as homenagens aos que partiram, e que ficarão para sempre na lembrança dos que aqui ficaram.

Mas não é somente desse tipo de lembrança que homenagens são registradas, as orações por vezes são dedicadas à benfeitores ainda vivos, e bem vivos.

É o caso de um destacado médico de Campinas, conhecido como Doutor Muraro, membro da ACL-Academia Campinense de Letras e casado com a neta de Orosimbo Maia, importante prefeito da história de Campinas.

Assim como meu falecido irmão Tininho, que também exerceu a profissão que presta juramento à Hipócrates, muito contribuiu para a saúde da região, e, com certeza muitas vidas ajudou a salvar.

Ao ler recente crônica de Antônio Contente, “O Incrível Dr. Muraro”, lembrei-me de ter passado na vicinal citada, e, ver ao longe o altar de agradecimento ao doutor, ao saber dos pormenores, acrescentei mais um fato elogioso ao que já conheço do nobre médico.

Assim, de uma forma toda particular, na visão do paciente ressuscitado, ele se encaixa no meu título:

A marca do para sempre, sejam estes falecidos ou bem vivos!

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SILÊNCIOS FILOSÓFICOS

Meu amigo Contente, cronista muito apreciado em Campinas, enalteceu em sua crônica as características da propriedade de um amigo em comum, que em suas cavalgadas, pelo seu cartão postal, inspira-se, apreciando a natureza. Membro da Academia Campinense de Letras, escritor e filósofo esse amigo transita entre Campinas e a aprazível cidade de Socorro.

Em minha crônica “Minha Experiência Equestre” deixei bem claro a minha preferência pelas caminhadas, quanto ao contato com a natureza, como moro atualmente bem próximo ao centro de Campinas, minha característica urbana me permite fazer longas caminhadas, principalmente no outono e inverno, pois adoro o frio.

É por esse motivo que frequento Campos do Jordão desde 1977, ano do seu VII - Festival de Inverno, que foi criado pelo saudoso maestro Eleazar de Carvalho, que transformou, significativamente, o perfil da cidade, na época, um centro para o tratamento da tuberculose e, hoje, é um dos points mais cobiçados do país. Além de um destino turístico dos mais caros.

Quem assistiu “Floradas na Serra” de 1951 com Cacilda Becker sabe muito bem de como era Campos de Jordão e no que se transformou a cidade, uma das estâncias mais procuradas do Brasil, inclusive com fama internacional.

Foi em Campos do Jordão que aprendi muito do que hoje sei sobre música, primeiramente como estudante bolsista, depois como cantora lírica e agora, como apreciadora da boa música. Adoro seu clima quase sempre ameno e sempre que posso, hospedo-me na cidade.

Nesse ano pandêmico de 2021, Campos de Jordão estava, curiosamente, lotada e iluminada, o povo caminhando e confiante em um futuro melhor. Voltei de lá, com as energias recarregadas e imaginando os anjos do céu, cantando a 9ª Sinfonia de Beethoven, “Ode à Alegria” declamando, afinadíssimos e, em todos os tons.

Desejo a todos uma Sinfonia de sons, cores e fé!

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CONSERTA? OU COMPRA OUTRO

Lembrei-me do carrão do meu pai, um imenso Ford Galaxie comprado no final dos anos 60, parecia um navio de tão grande, viajamos muito nele, na estrada tínhamos a sensação de estarmos numa nuvem, tal o conforto que o gigante proporcionava.

Meu pai o tratava à pandeló, mantinha-o sempre impecável, em diversas ocasiões ele o mandava para a oficina para remover ferrugens e pintar tudo, deixando-o sempre novo, reluzente.

Acho que meu pai deve ter gasto em reformas e pinturas muito mais do que pagou pelo carro, por isso a minha dúvida: Conserta? Reforma? Não é melhor comprar outro?

Bem, ele pensava assim, tanto é que, as vésperas do meu casamento com o Milton em 1984, ele mais uma vez reformou o velho carro, fez questão de mudar a tapeçaria interna, deixando-o mais confortável e perfumado, afinal a filha ia se casar e foi esse carro que me levou à Igreja.

Como meu pai, outras pessoas também tem esse tipo de apego, adquirem algo que gostam e, muitas vezes sem utilidade, mas os mantêm pelo simples gostar do objeto, carro ou adorno de decoração, acrescentando a cada ano, outros objetos na mesma linha, adquiridos pelo simples prazer em comprar.

Eu, também tenho os meus apegos, um deles por pedras preciosas, semipreciosas ou simplesmente pedras bonitas e vistosas. Esse meu hobbie é bem antigo e inclui conchas e pedras encontradas nas areias de praias.

Acabo por produzir ou mandar fazer algum adorno ou jóia de uso pessoal, não raras vezes acabo criando itens muito interessantes que também me proporcionaram lucro quando foram comercializados.

Tem gente que coleciona figurinhas, outros gostam de colecionar utensílios de cozinha, assisti isso outro dia na TV a cabo, outros mais endinheirados, colecionam carros caros e, preenchem os feriados prolongados em enfadonhas feiras de carros antigos.

Novo ou antigo, reformado ou recém adquirido, não importa cada um na sua, existe espaço para todos, de todas as tribos, dos mais diversos costumes e loucuras.

O Importante, neste mundo heterogêneo, ora tranqüilo, ora conturbado, é ser feliz!

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A JOVEM SIBIPIRUNA

Caminhando pelos jardins da Hípica, numa tarde esplendorosa de inverno outonal, dei de cara com uma jovem "Sibipiruna", ainda pequena e, com certeza, deveria ter sido plantada a pouco tempo.

Tinha, ao contrário de muitas outras árvores existentes no clube, uma placa com várias informações a respeito da espécie, inclusive, citada como originária da Amazônia.

Consultando o Google soube que ela atinge os 16 metros de altura, uma árvore de grande porte, também, que suas flores são amarelas. Uma bela e primorosa criação da mãe natureza.

Quando tenho oportunidade de caminhar entre arvores, sinto-me conectada à natureza, a respiração torna-se mais fácil, e de melhor qualidade.  Gosto muito do inverno, e recentemente, passando alguns dias em Campos de Jordão, tive novamente a oportunidade de caminhar entre arvores, uma mais majestosa e imponente que a outra,

Como também amo a música, inspirada pelo visual deslumbrante, a mente como que turbinada pelo ar puro, fazia paralelos entre as belas arvores e minhas músicas preferidas.

Veio à minha mente uma música, com a letra do apaixonado Vinícius de Moraes que dizia: "e todo grande amor...só é bem grande, se for triste" a música é fantástica, e, ficou ainda mais, em minha fértil imaginação, acabei por recordar de minhas caminhadas ao lado de meu saudoso Milton, pelas mesmas trilhas que eu estava caminhando.

Dizem as boas línguas que Vinicius de Morais, apesar de toda essa imensa melancolia amorosa que carregava em suas letras, na verdade se casou 8 vezes e, nunca repetiu as suas amadas.

Sempre gostei do poeta, de seus versos e de sua notável parceria com grandes nomes da nossa MPB, inclusive o notável Toquinho.

Milton assim como eu, amava as letras do mestre Vinícius entre outros.

outros.

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COMO SE DAR BEM

É bom que se diga, que não estou enaltecendo a malandragem em aproveitar-se de outrem, não preciso disso, e, repúdio atitudes que possam causar prejuízos, ou constrangimentos a quem quer que seja.

Vamos nos ater à comédia que envolve o tema, contudo, a mulher, quando quer, consegue ser mais ardilosa e, com charme e jeitinho, arma o “bote” certeiro para cima do homem.

Tal qual o homem, que é capaz de impressionar a mulher e, com maestria envolvê-la em seus caprichos, a mulher, porém, mais esperta, se apercebe da estratégia e de forma sutil consegue valorizar “a conquista do homem”.

A revolução na igualdade de direitos entre os sexos, só teve início quando em 08 de Março de 1857, na cidade de Nova York, um grupo de mulheres de uma indústria têxtil promoveu uma greve para reivindicar igualdade de salários, diminuição da carga horária e melhores condições de trabalho. Trancadas dentro das instalações da fabrica, as 130 corajosas grevistas, foram cruelmente assassinadas em um incêndio criminoso.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Hoje, as mulheres mais inteligentes e obstinadas, conquistam cada vez mais postos importantes na hierarquia, antes dominada pelos homens. É consenso que em determinadas áreas da vida humana a administração e liderança protagonizadas pelo sexo feminino é mais eficiente.

Ainda existem muitas discrepâncias em diversas áreas, e, infelizmente a quantidade de mulheres fora da inclusão social é maior que a dos homens. Falta, ainda um ajuste socioeconômico mais abrangente, e ainda levará um bom tempo para estender melhores condições de vida à população em geral.

Independente de condição econômica, ou estilo de vida, é certo que no quesito viver mais, as mulheres efetivamente vivem! Em média 8 anos a mais, minhas avós e minha mãe chegaram aos noventa anos.

A humanidade existe porque homens e mulheres se complementam, porém, desconheço no calendário o dia em que se comemora o “Dia do Homem”. E com bom humor, vamos vivendo mais e melhor.

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ESPERANÇA

Antes dessa macabra Pandemia que nos sufoca, nos aprisiona e nos faz refém de negociatas nacionais e internacionais de mentes conspurcadas de tanta crueldade e desumanidade, a vida seguia seu curso e, com altos e baixos, vivíamos o pão nosso de cada abençoado dia.

Mas, tudo mudou quando os morcegos da China resolveram dar o grito de guerra e o mundo, desgraçadamente, se curvou diante dessa fantasmagórica realidade.

Sei que temos políticos brasileiros que, até, já selaram certa relação “matrimonial” com os chineses, pois acham que, quando eles dominarem o mundo, alguma coisa poderá sobrar para eles, os tais, sobejamente conhecidos, traidores brasileiros.

Estamos vivendo, realmente, o pior momento de nossas vidas, onde a insegurança e o medo predominam como realidades.

Mas, nem tudo está perdido e, como entusiasmada que sou, fico na expectativa do chamado milagre brasileiro. Na verdade, essa Pandemia se transformou num verdadeiro jogo de xadrez, onde tudo pode acontecer.

Para mim, o jogo mais inteligente e instigante de toda a história. Realmente, a chuva é o bálsamo dos bálsamos, e principalmente nas horas de sono, madrugada adentro.

Minha sábia avó sempre dizia que a chuva era a faxina do céu, onde a sujeira era limpa e, onde, o perfume das flores era espargido, carinhosamente, pela mãe natureza.

Quando visitei a Croácia, um país maravilhoso que, no passado fazia parte da União Soviética, com o nome de Iugoslávia que, em 1992, se tornou nação independente.

O país tem lugares paradisíacos como Dubrovnik, uma cidade costeira protegida por muralhas do sec. XVI, e com edifícios góticos e renascentistas. Visitei uma portentosa plantação de lavanda, numa ilha dessa nova Croácia, perfumando o ar em Hyaru, numa experiência olfativa das mais inebriantes que já experienciei.

Enquanto escrevia esta crônica, eu estava ouvindo a inebriante e inspiradora Sexta Sinfonia de Beethoven, intitulada “Pastoral”. Uma celebração à vida, que apesar de tudo, persiste, sobrevive e nos deixa confiantes no amanhã.

A esperança nos antecipa que sem dúvida alguma, venceremos!

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GLICÉRIO GLACIAL

Já presenciei muitos invernos gelados em Campinas, assim como, tórridos verões. O que nos chama a atenção é a brusca mudança de temperatura que, em menos de 24 horas, caiu mais de 20 graus. Não há saúde que resista.

De qualquer modo, sempre é bom ressaltar, que adoro o frio e tudo o que ele traz de bom e belo nas áreas da gastronomia, moda, música, literatura, concentração, artes em geral, aconchego, solidariedade e amor.

Assim, caminhando pela Glicério, nessa gélida manhã de inverno, numa terça-feira onde os termômetros marcavam 5 graus, pude constatar que, até a sempre nauseabunda sujeira que sempre estava presente, e escancarada ao longo de toda a extensão da urbe, não parecia, assim, tão feia.

Parecia que a população havia se recolhido e que aquela avenida ainda estava na dúvida, sobre se deveria aceitar o desafio de acordar ou não. A população que mora nas ruas e que se concentra, principalmente, ao largo dessa avenida, já procura abrigos oferecidos pela prefeitura, pois sabem que a morte ronda as calçadas da histórica avenida.

É importante ressaltar que o frio serve, principalmente, para as chamadas reflexões que sempre acompanham nossas vidas. A Avenida é uma exposição a céu aberto de toda a pujante Campinas, desde o seu início, quando, ainda, com trechos estreitos, era o caminho de todos os veículos e os saudosos bondes, que circulavam por toda a cidade.

Tanto o Largo do Rosário como a Praça Guilherme de Almeida me pareceram até mais limpas que o normal, embora os mesmos espaços que sempre se apresentavam tão cheios e ruidosos, agora, estavam sem público, desertos.

Testemunhei a solidariedade, que ainda existe entre as pessoas que circulam dando apoio, comida e abrigo aos que necessitam. Avenida Francisco Glicério uma senhora avenida, sem dúvida alguma. A verdadeira síntese da metrópole campineira, a outrora "Terra das Andorinhas", também conhecida como "A Princesa D'Oeste", "A Terra dos Barões do Café", e um dos "Berços da República" e, principalmente, berço de dois grandes brasileiros representantes de duas das mais expressivas das Artes da Humanidade: Carlos Gomes na Música e Guilherme de Almeida na Literatura.

À propósito, sempre é bom recordar que 11 de julho é a data do nascimento de Carlos Gomes em 1836 (Século XIX) e é a data da morte de Guilherme de Almeida em 1969 (Século XX).

Coincidências históricas da bela e acolhedora cidade que tanto amamos!

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UM INCERTO AMANHÃ

Nessa fase de nossas vidas, temos vivido momentos bem marcantes entre sombras e luzes, numa insidiosa e maléfica sequência, que nos deixa sem perspectivas do que possa vir a ser o futuro. São várias as preocupações que a humanidade tem enfrentado mundo afora e, ao que sabemos, ninguém mais faz previsões sobre como será o amanhã.

Os mais pessimistas indagam até, se teremos amanhã. Triste, muito triste essa sensação de falta de esperança que tem assolado a humanidade. Tudo tem conspirado para desmoronar aquela sensação tão sublime que sentíamos há cerca de mais de um ano atrás, quando achávamos que, conforme palavras do simpático Dr. Dráuzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor que em fevereiro de 2020 rotulou a Pandemia “como uma gripezinha”.

Hoje sabemos que ele, realmente errou, mas quem ainda não errou, atire a primeira pedra, como falou Cristo ao barrar o apedrejamento do povo contra a prostituta Madalena.

O renomado médico e, a Globo, recentemente, foram condenados pela Justiça, em ação movida pelo pai da criança de 9 anos, morta com requintes de crueldade pelo entrevistado (a) de Dráuzio, que inclusive deu um abraço de solidariedade, no assassino, ao vivo, no programa” Fantástico”.

Solidariedade para o autor de um crime hediondo? Será que o conceituado médico não sabia da gravidade daquele ato, totalmente fora de contexto? Num programa de grande audiência? Ele, realmente não sabia? Difícil de acreditar.

Sabemos que todos erram e a incidência de erros, nesse momento, tem tomado proporções inimagináveis no cenário brasileiro. Quando eu era bem mocinha, na época que a TV era branco e preto, os programas eram inocentes, cheios de humor e os tais comunicadores pautavam suas anedotas em fatos corriqueiros, quase sem maldades.

Naquela época, as revistas e os jornais publicavam homicídios que sempre ocorreram, desde que o mundo teve início, sem rotular os assassinos, como vítimas da sociedade, como, infelizmente, hoje se faz e a vítima é apenas, segundo essa imprensa militante, um dano colateral.

Eu me lembro, inclusive, que existia uma artista americana, Kate Lyra, que roubava a cena quando dizia que o “brasileiro era bonzinho”, ela, atualmente com 71 anos, vive nos EUA.

Nessa luta que vivemos, é lastimável que brasileiros briguem entre si, como em uma arena, preocupados somente em desconstruir reputações pensando nas próximas eleições.

Boas amizades, laços familiares e reputações, infelizmente têm sido destruídos neste “novo normal”, o qual me recuso em aceitar.

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CRENÇAS POPULARES

Nasci numa família religiosa, católica e assídua frequentadora da Igreja da Vila Industrial. Todos se conheciam e a fraternidade aproximava a todos. Era comum as famílias se reunirem, ao entardecer, nas calçadas, os vizinhos colaboravam com cadeiras, bandejas com café, bolos, tortas etc. A conversa entrava noite adentro, com o propósito de colocar a conversa em dia.

Nesses finais de tarde nostálgicos e amistosos, era natural que as histórias viessem à tona. Naquela época, um aparelho de TV, ainda era muito caro, assim, cresci ouvindo histórias e tentando dar a elas algum sentido de verdade. 

Os assuntos eram diversos, falava-se sobre a bíblia, sobre os vizinhos, comentavam “causos” de amigos dos vizinhos do amigo e assim seguiam a vida preenchendo o tempo. Falavam muito de tudo, obviamente alguém contava estórias fantásticas e algumas assombrosas.

Eu me lembro que havia uma senhora famosa no bairro da Vila Industrial que morava numa chácara localizada, praticamente, no centro do bairro com um enorme quintal onde viviam muitos animais.

Ela era uma benzedeira famosa, que atendia uma diversificada e enorme clientela. Ela atendia crianças e tirava o tal "quebranto" ou "mal olhado", inclusive ela curava com suas “mágicas” e potentes ervas "furúnculos", "berebas" e outras pragas. Também atendia jovens, adultos e velhos em várias de suas sintomatologias e feridas de corpo e alma.  E, especialmente, as tais feridas de amor. 

Na chácara havia um verdadeiro arsenal de plantas onde vários chás eram elaborados e, graciosamente, oferecidos aos que lá procuravam ajuda para os seus males. Eu adorava ir à casa da "Vó Sara" pois sentia uma certa atração por tudo o que lá existia.

Os tais "passes" que ela ministrava e, que, para mim, eram pura energia, transmitiam a sensação do bem. A decoração estranha e intrigante e tinha um ar de mistério.

Ela, contudo, inspirava bondade e, nunca explorou esse poder que tinha, nunca cobrou nada de ninguém, mas, as pessoas, agradecidas pela ajuda, davam presentes a ela, tais como: frangos, perus, cabritos, galinhas, patos, ovos, frutas etc.

Vó Sara e o marido desfrutavam de uma vida farta, graças aos seus dotes de cura que atraia muita gente, de todos os bairros daquela Campinas ainda pequena, mas promissora. Aliás, a minha bisavó também tinha esses dons sobrenaturais e era pessoa bastante conhecida e respeitada em sua época.

As crenças populares sempre estiveram presentes na vida das famílias, minha mãe e minha irmã, sempre respeitaram isso. Toda essa simplicidade no trato e respeito para com as pessoas, influenciava positivamente, meu filho mais velho, que viveu parte dessa história, desenvolveu essa capacidade e, com muito estudo e dedicação, se aprimorou nessa empreitada e, hoje, a utiliza na sua profissão de Fisioterapeuta, uma nobre atividade de medicina complementar que tem contribuído e muito para atenuar e curar, nas pessoas, os males provocados pelo nosso cotidiano, males estes tão acentuados nesses tempos.  

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O SABIÁ E CIA

Uma ave do canto muito apreciado e imortalizado em várias canções. O canto se assemelha ao som de uma flauta. Canta ao alvorecer e à tarde. Muitas músicas eternizaram a ave, tais como: Saudade de minha terra; Majestade o sabiá; Recortado Paulista; Tristeza do Jeca e outras.

Ave brasileira, que existe em todo o país. Quando eu morava numa fazenda na periferia de Campinas, convivi com muitas aves, entre elas os sabiás, tenho saudades de acordar com as sinfonias que estas aves nos proporcionavam.

Em Campos de Jordão, nos anos 70 e 80, eu e os jovens estudantes de música, (na época) Roberto Tibiriçá, Fabio Mechetti, Flávio Florence entre outros, nos organizávamos em caminhadas pela mata, armados com gravadores portáteis e, assim que percebíamos a presença de aves, ficávamos em silencio e ligávamos os gravadores. Tivemos a oportunidade de gravar verdadeiras preciosidades, shows particulares de diferentes espécies canoras, inclusive alguns sabiás. Os nomes que citei, hoje, são consagrados Maestros.

Mais tarde, no estúdio, misturávamos esses cantos com diversas músicas clássicas, escolhidas de acordo com o efeito sonoro que estávamos procurando. Infelizmente não guardei nada, mas garanto que fizemos muita coisa boa.

A música suave para a alma e a vida como o canto dos pássaros é muito utilizada na Musicoterapia, um som que relaxa e acalma o sistema nervoso. As músicas: Pássaro Ferido - Roberto Carlos; Almir Satter – Cabocla Tereza; João de Barro – Sérgio Reis e outras são bons exemplos do uso da música, como um instrumento reconfortante que faz muito bem para a alma.

Nestes momentos terríveis que estamos vivenciando tenho aproveitado momentos relaxantes ouvindo a boa música e lendo muito. É a arte em suas inúmeras manifestações:

Música, Pintura, Escultura, Literatura, Cinema, Arquitetura, Teatro, História em quadrinhos, fotografia Dança e Arte Digital, são 11 manifestações.

Para mim, a mais nobre das artes é a Música e, atualmente, a Literatura. Tenho amigos artistas de todas essas modalidades e todos falam do alívio que as mesmas proporcionam durante essa “maledetta” Pandemia.

 

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ACONTECEU EM FLORIPA

Eu participava de um congresso do SKAL, hospedada em um Hotel na Praia de Canasvieiras, na época muito frequentada, principalmente pelos hermanos argentinos. Lugar lindo e muito aprazível, como, aliás, todo o litoral Catarinense.

Estávamos em aproximadamente, 40 pessoas, de todo o Brasil. Após o jantar, alguns participantes resolveram sair para uma casa de shows, outros skalegas resolveram ficar, eu, hospedada sozinha, sem o Milton resolvi subir ao apartamento para descansar, afinal, a noite já se fazia próxima ao dia seguinte e o cansaço batia forte.

No apartamento, o barulho do ar condicionado incomodava, desliguei-o e me acomodei para o sono reparador. Creio que a janela estava aberta, dado ao intenso calor.

Não sei precisar em que momento o fato ocorreu. Em determinada hora da madrugada, acordei com um leve barulho, dentro do meu quarto. Ao abrir os olhos, deparei-me com um homem, aos pés da cama.

Pulei da cama tão rápida quanto uma gata assustada, abri a porta da suíte, que coincidentemente não estava trancada e sai pelos corredores gritando em “Dó sustenido maior”.

O grito ecoou por todo o andar do hotel, mas, mesmo assim ninguém abria porta dos apartamentos. Ao chegar ao final do andar, dei meia volta e continuei correndo e gritando cada vez mais.

Todo esse “escândalo lírico” acabou por atrair os seguranças e a portaria do hotel, quatro andares abaixo, que ao chegarem ao meu andar, me acalmaram para ouvir o que eu tinha a dizer...

Na presença da Presidente do SKAL, que tinha acordado com os gritos, mais o gerente e funcionários, contei sobre a invasão da minha suíte. Atônita, ouvi deles justificativas quanto ao meu destempero: “Você está sozinha, é saudades do Milton”, “você teve um pesadelo” ... e outras afirmações ridículas.

Indignada chamei todos à razão, e, pausadamente, refutei as inverdades proferidas, chamei a atenção do segurança, pois além de nervosa, naquele momento estava com raiva. Neste momento chegou um casal skalega de Poços de Caldas, hospedados duas ou três suítes próxima a minha, dizendo que também tinham sido assaltados.

O Gerente, a Presidente do SKAL e todos os demais, após silencio constrangedor, pediram desculpas e fizeram o que tinha que ser feito neste caso.

No dia seguinte, após o ressarcimento dos prejuízos por parte da gerência, no café da manhã, todos nós congressistas entre um comentário e outro acabamos por encerrar o assunto com muitas risadas.

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A BELEZA DE UMA AVE

No século passado, lá pelos anos 90, quando eu era Diretora de Cultura do Estado, trabalhei no casarão histórico do Lago do Café, local onde havia muitas espécies de aves, algumas bastante raras, inclusive o belo tucano com seu peculiar bico.

Numa das salas do casarão havia um piano onde eram realizados vários Concertos com artistas da cidade e da região. Num final de uma certa manhã, enquanto eu estava ensaiando para um concerto, um tucano pousou na janela, como um observador atento ao som daquele ensaio. Ficamos eu, e o pianista, encantados com aquele elegante observador...

O Casarão, era um local muito agradável para se estar. Organizei e participei de diversos concertos com a ABAL Campinas, com corais e pequenas orquestras. Sinto saudades dessa época de cultura fervilhante e intensa que a administração municipal promovia, em sintonia, com a Secretaria de Estado da Cultura.

Embora, hoje, algumas pessoas, tendem a associar o belo exemplar, com uma determinada sigla partidária, prefiro dissociar a simpática ave, dessa nossa tão polêmica política tupiniquim.

O “Tucano” é, sem dúvida alguma, uma das aves mais belas da nossa vasta fauna. Certa ocasião, com minhas netinhas lá no Condomínio em Valinhos onde elas moram e, onde existem, em razão da mata que circunda o condomínio, muitas aves e outros animais, pude constatar à admiração que a ave exerce sobre todos nós, especialmente as crianças.

Quando chequei para o almoço, percebi certo alvoroço na rua e soube que era devido à presença de um Tucano que estava com a asa quebrada e que as crianças do condomínio tinham capturado.

O fato tinha provocado uma pequena multidão de pais, mães, avôs e avós em torno da bela ave. Uma veterinária foi, imediatamente, chamada e, com seus apetrechos de trabalho, passou a cuidar da asa do tucano e, o fez, com competência.

A galera, atenta, a todos os detalhes do atendimento, ficou preocupada, quando ela achou melhor levar o bichinho para a clínica, para que ele ficasse em observação e, só depois, pudesse ser devolvido ao vôo.

E assim foi feito, quando ela saiu com o tucano no colo, em direção a clinica, uma multidão a aguardava e, uma grande salva de palmas ecoou por todo o condomínio, principalmente, por parte das crianças, que sempre costumam acompanhar todos os lances, e, percebem quando as ações seguem em defesa da vida. Pelo que se sabe, o Tucano recebeu alta da clínica e retornou aos seus afazeres na mata

E a vida continua, para todos nós. Os tucanos, continuam a colorir, tanto o Casarão do Lago do Café, como também, a alegrar o condomínio em que minhas netas moram.

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GOSTO NÃO SE DISCUTE

Acho que nunca tomaria um vinho, qualquer que fosse a sua marca, desde a mais sofisticada a mais simples, num copo de plástico. Acho que não combina e concordo com os enólogos amigos, especialistas nesse assunto, que nesse caso, a embalagem vale quase tanto quanto o conteúdo.

A minha geração era do wisky com guaraná, qualquer wisky, lembro que um tio, enólogo experimentado, dizia do absurdo de se colocar o guaraná e o alto teor de açucar no wisky, sendo que lá na Escócia, os escoceses tinham feito um enorme esforço para, simplesmente, tirar todo o açúcar do mesmo.

De todas as bebidas existentes, prefiro o salutar vinho tinto seco, a bebida dos deuses, sem dúvida alguma. Gosto dos chilenos, dos italianos, dos franceses, dos argentinos, dos espanhóis, dos portugueses, e os do sul brasileiro, etc.

No passado, eu apreciava ganhar roupas, tecidos finos, jóias, viagens, perfumes, cosméticos e produtos de beleza, hoje, substituo tudo por uma bela garrafa de vinho, para saborea-lo com queijos finos e pães crocantes. Divina Gula!

Tenho o habito de servir dois copos pela metade, faço isso desde que meu marido era vivo e, costumava beber comigo, ouvindo a boa, melancólica e buliçosa música, desde que tenha melodia, harmonia e ritmo.

Falando em música, minha preferência é pela música erudita, gosto muito das óperas de Mozart, que ele compôs durante a sua pequena jornada de vida, pois morreu aos 36 anos. De suas operas ouço muito a ópera “O Rapto do Serralho”, escrita em alemão.

Quando iniciei minha vida artística, cantei essa ópera em SP num pequeno teatro e fiz o papel de Constance, nome da amada de Mozart, que felizmente herdou todo o acervo do celebrado compositor, que estava sendo roubado por pessoas próximas.

Cantei, em versão resumida, ou seja, em forma de concerto, os principais trechos do “O Rapto do Serralho” ou “Die Entführung aus dem Serrail”,  eu era bem jovem e, até conseguia decorar as árias em alemão, ainda não sei como conseguia.

Esta ópera não foi a mais famosa de Mozart, as óperas que mais aprecio, e que são as mais escolhidas pelo grande público são: “Le Nozze di Fígaro”, “Dom Giovanni” e a “Flauta Mágica”.

Mas, cada um tem lá as suas preferências e, como dizia a minha avó mineira e sábia: “Gosto não se discute”.

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LEMBRANÇAS DA FAZENDA

Quando eu tinha uns 8 anos, costumava passar minhas férias, numa fazenda aqui em Campinas, perto do atual Hospital da PUCC e do shopping das Bandeiras. Eu me lembro que a fazenda, que se chamava Castelo, era muito bem cuidada e, dispunha de toda a chamada modernidade da época.

A fartura de alimentos, a quantidade de animais e a amplidão dos espaços e, o mais importante aquele pequeno, mas belo morro, frondosamente arborizado que fazia a divisa da fazenda com uma outra que tinha o curioso nome de “Cuscuzeiro”.

A vida era pacata, mas sempre existia um certo perigo, aliás, o perigo sempre anda por perto desde quando o mundo é mundo, uma das marcas da humanidade. Naquela época, a fazenda, produzia quase tudo para o sustento das inúmeras famílias que lá moravam, até o arroz, por incrível que possa parecer, era plantado na região mais úmida do solo aos pés do citado morro.

Vários animais ali viviam e eram abatidos para o sustento de todos. O café que era plantado, colhido e que secava na tuia, depois era torrado e moído, que delícia, até hoje, recordo do cheiro dele.

Na tuia, um lugar estranho e onde algumas histórias de assombração sempre eram contadas pelos que lá viviam.

Na Fazenda Castelo, praticamente, tinha de tudo, só levávamos para os meses que lá ficávamos, nossas roupas, sapatos, roupas de cama, de copa, nossos discos, os enormes bolações, que ouvíamos quase que em tempo integral, numa daquelas vitrolas antigas, o resto a Fazenda produzia em abundância, para a paz e o bem de todos – empregados e donos.

É claro que tínhamos animais de todo tipo, os chamados “domésticos”: Coelhos, tartarugas, peixes, cavalos, éguas, burros, jumentos, vacas em grande quantidade, bois, porcos, galinhas, galos, patos, avestruz, pôneis, galinha d’angola, ovelhas, cabritos, perus e, até os tais veados.

Naquela época, veado era somente o animal, não existia a interpretação atual. No lago que existia na fazenda, havia cisnes e vários exemplares de anfíbios, como eu era muito pequena, gostava de ver o tal veadinho com seus chifres enrolados e, definitivamente, não entendia o porquê daquilo tudo.

Quando mudamos para a enorme casa no Botafogo, fiz de tudo para levar da fazenda, alguns desses animais e consegui. Durou pouco, porque eles fizeram tanta bagunça no casarão que acabaram por serem devolvidos aos seus lugares de origem.

O veadinho se deu bem, na mata da fazenda o aguardava, ansiosamente, uma formosa fêmea da espécie.

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A CHUVA

Sempre gostei de chuvas, tanto as mais leves e finas, como as mais intensas e sem violência, e percebo que o corpo da gente sente uma grande atração pela água das chuvas, aquela sensação de limpeza que ela provoca no ar.

Sou de um signo do elemento água, acredito que as pessoas de peixes, câncer e escorpião, como eu, também tenham a mesma atração. Sou ligada aos horóscopos da vida e até estudei um pouco de toda a simbologia que ele carrega.

Não existe nada mais deslumbrante do que um mar enfurecido, recebendo água em grande quantidade, lançada por uma violenta tempestade. Passado esse furor, que sempre provoca medo, vale a pena uma caminhada pela praia para conferir o que o mar trouxe depois da fúria.

Nessas ocasiões encontro conchas e outras bugigangas perdidas nas areias. Ultimamente, não temos as tão sonhadas e esperadas chuvas e o ar parece carregado, o que torna o cenário mais inóspito e pouco convidativo para caminhadas.

Ainda bem que em Campinas, a terra do vento, não temos ciclones e nem tempestades muito violentas, embora aconteçam de vez em quando.

No horóscopo os signos se distribuem durante os 12 meses do ano e são agrupados em quatro elementos: Água, Terra, Fogo e Ar.

Meu filho é o típico Pisciano, minha mãe era de câncer e ambos amavam a água, todas as águas, de paixão. Minha mãe, inclusive, passava longas temporadas lá no condomínio da praia em Peruíbe, e sempre dizia que o ar de lá era milagroso, morreu aos 90 anos e esteve na praia até poucos dias antes de morrer.

Na praia de Cibratel, temos o ar muito puro e uma praia limpa e hospitaleira, graças ao cuidado com a instalação do Condomínio, a ausência de indústrias e outras sujeiras que emporcalham nossas praias.

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PIANISTAS x TENORES

Campinas teve, ao longo de sua história, inúmeros e excelentes pianistas, representantes de todos os gêneros. Conheci também, muitos tenores, alguns extremamente temperamentais e com vaidade comparável a de uma “prima-dona”, nome que costuma ser dado às mulheres que interpretam grandes heroínas das operas.

Dizem alguns especialistas que a explicação para toda essa arrogância dos tenores se deve aos constantes desafios destes, em emitir notas agudas, cada vez mais perfeitas e de sustentá-las, em momentos cruciais da interpretação operística, diante de um público, quase sempre, muito exigente.

Essas acrobacias vocais acabam por forçar as cordas vocais e qualquer deslize pode significar até o fim da carreira, até o famoso Pavarotti, em sua vida de glórias, sofreu com essa experiência frustrante.

Musicista convicta da influência da música, na vida das pessoas, também sou psicóloga e sempre recomendo a boa música como terapia freqüente. Pretendo conhecer a Polônia, pois tenho um especial carinho pela obra de Chopin, o “Monarca do piano”, que alias é um dos meus favoritos em meus programas de Rádio e TV.

Noturno 8 em Ré Bemol Maior, Opus 27 do compositor é uma belíssima obra, embora a minha preferência seja a obra Fantaisie-Impromptu. Recomendo.

Dentre os pianistas que conheci, posso citar: Nelson Freire. Jacques Klein, Magda Tagliaferro, Guiomar Novaes, Arthur Moreira Lima, Arnaldo Cohen, Miguel Proença, Cristina Ortiz, João Carlos Martins, Roberto Szidon que conheci em Campos do Jordão nos Festivais que tenho participado desde 1977, Almeida Prado, Villa-Lobos, Sonia Rubinsky, entre outros.

Os Conservatórios de Campinas formavam excelentes pianistas, hoje, tudo está mais complicado. O ensino da arte já não faz parte do orçamento de muitas famílias, mesmo porque um simples piano tipo armário custa pelos menos 20.000 reais. Obviamente estamos falando de instrumentos populares. As grandes marcas, como um Bosendorfer custa em média mais de R$ 400.000 e, não são os mais caros. A simples afinação do instrumento, que deve ser realizada periodicamente já está fora do alcance financeiro da maioria.

Por essas razões é cada vez mais raro encontrar um lar brasileiro com este magnífico instrumento acústico. A arte é bem cara, infelizmente!

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FONTAINEBLEAU

Hotel Fontainebleau em Miami, onde passei minha lua de mel em outubro de 1984, um hotel tão magnífico quanto a sua deslumbrante história.

Hotel de luxo com instalações icônicas dos anos 1950 com restaurantes de luxo e casas noturnas, além de bares badalados e um SPA. O hotel fica a beira do mar do caribe e possui um campo de golfe exclusivo.

Inaugurado no ano de 1954 esse mega hotel com 1.504 quartos, hospedou astros como Frank Sinatra, Bob Hope e tantos outros artistas consagrados. Serviu como cenário de clássicos do cinema como Scarface em 1983, O Guarda-Costas em 1992 e 007 contra Goldfinger em 1964. O Hotel tem a tradição de sediar grandes shows.

Cantei no Hotel, graças aos amigos do Milton, fiz um inesquecível show de músicas brasileiras e latino-americanas, acompanhada por um pianista cubano, apaixonado pela música brasileira. O cubano me acompanhou num belíssimo e imenso piano de cauda, da cor preta.

Ainda guardo as fotos dessa aventura por terras de Tio Sam, onde Miami e toda a Flórida sempre nos recebem com braços abertos, locais em que os latinos têm o seu porto seguro.

O período em que passamos nossa lua de mel, neste maravilhoso hotel, tivemos a oportunidade de encontrar diversas celebridades, entre elas o inesquecível comediante Jerry Lewis, que na época estava com menos de 60 anos e no auge de sua brilhante carreira. Milton, que era muito comunicativo, o abordou para um amigável e tranqüilo bate-papo, eu, fiquei muito impressionada com a desenvoltura do meu marido, e gostei muito da simpatia do comediante, que sempre tinha um largo sorriso no rosto, característica marcante dele.

Jerry Lewis morreu com mais de 90 anos, assim como, meu saudoso Milton que também faleceu após completar 94 anos. Posso dizer que ambos tinham uma similaridade, tanto Milton como Jerry, sorriam o tempo todo, levavam a vida numa boa.

Concluo que o sorriso é um dos segredos da longevidade.

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MINHA JANELA, MINHAS LEMBRANÇAS

Fui casada com um Publicitário, criativo e muito premiado, com ele aprendi a analisar propagandas tanto pelo rádio, como pela TV e também jornais, revistas, cartazes, out-doors. Assim, modéstia às favas, sei avaliar, se determinada peça publicitária irá ter sucesso ou não.

Hoje, tudo se transformou, novas mídias e comportamentos surgiram, ampliando e muito as alternativas dos clientes que procuram um Publicitário. Mas vamos às propagandas do século passado, mencionadas em sua crônica: “Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. E, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rum Creosotado.”

Essa era sempre lembrada pelo Milton, quando ele, ainda jovem, circulava de bonde pelos bairros de SP. Outra famosa propaganda que dizia: “Phimatozan, quando você tossir, Phimatosan, se a tosse persistir, ajuda toda a família, e a tosse alivia. Phimatosan é força e bem, é o alívio que lhe convém”, lembro-me que a garrafa do produto, tinha o nome gravado em relevo no vidro.

“Emulsão de Scott” trazia no rotulo a foto de um homem carregando às costas um enorme peixe, as propagandas antigas tinham belas e criativas ilustrações, muitas delas, verdadeiras obras de arte.

A importância de uma janela aberta para reviver inesquecíveis cenários do passado e, também (por que não) a projeção de magníficas “lembranças”, fazendo sua janela assemelhar-se a uma tela de TV, projetando-as para um futuro, que embora incerto, com certeza, um dia, acontecerá.

As janelas abertas nos permitem a façanha de viajar, sem sair do lugar, em total segurança, vales belíssimos, inesquecíveis paisagens e, claro, muitos rios e mar. A paixão pela água é própria dos signos que tem nesse elemento o seu porto seguro, a sua matriz.

Como sou de Escorpião, mares, rios, chuvas, cachoeiras e neve sempre me atraíram, especialmente, o mar. Quando tenho a oportunidade de passar alguns dias em Itanhaém não penso duas vezes, arrumo as malas e literalmente mergulho na aventura de curtir o visual marítimo, o clima que gosto muito. Alias muitas de minhas crônicas foram pensadas durante as longas caminhadas pelas areias da praia, em completa sintonia com a paisagem maravilhosa.

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MADRUGADAS D’OUTONO

Onde moro, na divisa de Sousas o belo e acolhedor distrito de Campinas, percebo, nos meses de outono e inverno, a diferença de temperatura com o centro da cidade, cerca de 2 a 3 graus em média a menos e, podendo a chegar a 4 ou 5 graus. 

Como gosto do frio, das lareiras, do vinho, do queijo, dos diferentes e saborosos pães que ficam ainda mais apetitosos quando chega o frio, acabo comemorando as estações de outono e inverno.

Fiquei preocupada com um amigo, que gosta de caminhar pelo bairro em que mora, a Chácara da Barra, em plena madrugada. Conheço o caminho percorrido por ele, e me pareceu, de madrugada,  perigoso demais, ainda mais nos tempos atuais onde, infelizmente, destaca-se a crueldade humana.

No passado, nos meus 20 anos, eu também circulava pelas ruas de Campinas, às vezes, tarde da noite, sem medo algum, como na belíssima música francesa cantada por Charles Aznavour - “Hier Encore” (Ainda ontem eu tinha vinte anos..) mas, hoje não mais.

A preocupação com o amigo e as lembranças de Aznavour me deram animo e, saí a caminhar neste último final de semana, pelas ruas seguras do condomínio onde moro, quando o relógio marcou exatamente meia-noite. Sempre gostei de mistérios e, especialmente, de aventuras que escolhem esse fantasmagórico horário.

Fazia muito frio, vestida a caráter, caminhava já há meia hora pelas ruas desertas, sem viva alma no pedaço, quando vislumbrei a moto do segurança subindo a ladeira ao longe. O meu primeiro desejo foi o de me esconder na mata do lado, mas, desisti, pois com certeza, poderia haveria bichos, continuei andando.

O guarda deve ter ficado muito mais preocupado do que eu, fiquei até sensibilizada, com a atitude do mesmo, que parou a moto e me abordou gaguejando, perguntando se eu estava bem, se precisava de ajuda, se seria bom avisar meus parentes que moram no bairro.

Disse que ele poderia me acompanhar até a minha casa, pois tudo estava muito bem, respondi que eu estava apenas caminhando para sentir o tão agradável friozinho do outono. Mesmo aasim, ele me acompanhou até chegar em casa, ouvindo o barulho da moto, o vizinho da frente, abriu ligeiramente  a janela para ver o que estava acontecendo.

Acho que as pessoas não estão mais acostumas a ver solitários caminhantes pelas ruas, mesmo em condomínios fechados. O Mundo mudou mesmo.

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O FIM


Muita gente, adota a cremação como solução para quando a “hora” chegar.


É preciso incentivar a criação de crematórios e, o mais importante, baratear ou até mesmo oferecer, de graça, esse serviço à população.

 

A verdade é que, com mais de um ano de vírus chinês entre nós, a população tem pensado muito mais na morte, como uma realidade bem próxima de todos, do que em tempos que poderíamos rotular como normais. “Tenho recebido, assim como muitos, diversas ofertas de “Planos de auxílio Funeral”, incluindo o local no cemitério” e “Planos de Cremação”, oferecendo lindas urnas para guardar as cinzas do seu ente querido, a módicos preços, com suaves prestações.

Meu falecido marido, que foi cremado aqui em Campinas no “Crematório dos Amarais” entrou num desses planos. Aliás, ele depois que completou a marca dos 92 anos, pesquisou todas as possibilidades e selou o seu destino final.

A organização sempre foi à marca registrada do Milton e, não foi diferente nos preparativos para a morte. Eu nunca tinha assistido a uma cerimônia de Cremação e, confesso, fiquei impactada com o que presenciei: boa música, pregação religiosa de acordo com a crença da família e a imagem do falecido (a) ao longe com discreto jogo de luzes.

Bem diferente das centenas de funerais que, com certeza, acompanhei ao longo de minha vida. Aprendi, desde muito cedo, com meu país, que comparecer ao velório de uma pessoa era, sempre, um ato de solidariedade e respeito. 

Lembro-me, dos tempos em que se velavam as pessoas na sala da casa. Os serviços funerários adornavam as portas de entrada com cortinas pretas e colocavam a urna no centro da sala, com todos os paramentos (velas, flores, quadros etc.). As famílias, com as mulheres trajadas de preto, recebiam os parentes e amigos com salgadinhos e café, ao final o cortejo se formava com carros se movendo em fila, lentamente, pelas ruas da cidade em direção à morada final.

Era comum presenciar longas filas de carros, quanto mais carro mais importante era o falecido. Com o tempo as prefeituras criaram espaços apropriados para essas cerimônias, normalmente anexos aos campos santos.

Essa pandemia mudou a forma como os familiares e amigos podem se despedir de seus entes, e, acho muito cruel a forma desumana que o assunto é tratado. São três, os lugares que foram eliminados da minha agenda de compromissos: Velórios, Hospitais & Cemitérios.

Não considero a cremação como um ato perigoso, ou seja, ocorrer à possibilidade do morto ser queimado vivo isto porque, um determinado tempo depois da morte é que ela, definitivamente, ocorre, além disso, todas as providências jurídicas são tomadas.

É óbvio que a cerimônia do velório sempre é motivo de dor e, em alguns casos, chega a ser patética, porém, para mim o que me marcou, profundamente, foi o que soube, através da guia turística, lá em MUMBAI na Índia, antiga Bombaim.

A guia, na ocasião, descreveu o funeral da religião Zoroastro, praticada por uma minoria, onde a família, depois das cerimônias, colocavam os corpos em uma tumba de mármore, adequada ao tamanho do morto velando os corpos até o amanhecer, quando então deixavam o local.

Após algum tempo os urubus, se encarregavam de dar fim aos corpos desnudos, em um macabro espetáculo.  Povos antigos costumavam colocar seus mortos em pilhas de madeira seca e, ateavam fogo.

Lideres genocidas, como todos sabem, utilizaram-se de câmeras de gás, fuzilamentos coletivos e outras barbáries para eliminar desafetos e, por vezes, grandes quantidades de pessoas de determinada etinia.

Passados alguns dias, da cerimônia de cremação do Milton, as cinzas ficaram à disposição da família. Eu me reuni com meus filhos, noras e sobrinhos no Guarujá. Embarcamos em uma lancha e fomos, até um local ao lado da Ilha Porchat, no mar, após rezar, cantarmos todos juntos, Alexandre, meu filho, foi o responsável por jogar as cinzas ao mar. Foi uma cerimônia marcante e inesquecível, exatamente, como o Milton queria.

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MEU TRIBUTO AO BENITO JUAREZ

Benito faleceu no dia 03/08/2020 aos 86 anos, sua vida e obra foram marcantes.

A Orquestra Sinfônica de Campinas estreou no dia 15 de novembro de 1929 no Cineteatro São Carlos, sob a regência do maestro Salvador Bove. A Orquestra atravessou o século XX de forma amadora, mantida pelos músicos da cidade, que se reuniam apenas nos dias de Concerto.

Em 1974, sob a administração de Lauro Péricles Gonçalves, surgia a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, com a atual estrutura profissional mantida pela Prefeitura de Campinas. O primeiro regente desta nova fase foi Benito Juarez.

Na gestão Lauro Péricles Campinas viveu o apogeu da sua Cultura, o secretario da pasta, da época, foi Sérgio Castanho que juntos Prefeito e Secretário construíram o Centro de Convivência, e foram muito atuantes na Cultura em geral.

Infelizmente as administrações posteriores não seguiram a mesma linha e, como mudanças geram outras mudanças, Benito encerrou seu período na Sinfônica ao final dos anos 90.

No Brasil, diferentemente de outros países a Cultura, infelizmente, é muito influenciada pela política. Benito sofreu com isso. Conheci o Maestro logo que ele assumiu a orquestra, ele foi um Líder, muito inovador e carismático.

Participei da montagem da Ópera “A Noite do Castelo”, primeira Opera de Carlos Gomes, que o Benito, corajosamente, resolveu assumir e que foi levada à público nos anos de 1978 e 1979 no Teatro interno do Centro de Convivência em Campinas.

Eu fazia o papel da Aia Inez, dama de companhia de Leonor, interpretada pela também Campineira Niza de Castro Tank. Imagina eu, franzina e jovem, contracenando com Niza, um lendário soprano em sua época.

ABAIXO O CAST DA OPERA:

1978 Benito Juarez, Regente; Orquestra Municipal de Campinas.e Coralusp da USP São Paulo.

  • Conde Orlando: José Dainese
  • Fernando: Alcides Acosta
  • Henrique: Luis Tenaglia
  • Inez: Vera Lucia Pessagno
  • Leonor: Niza de Castro Tank
  • Pajem: Fernando J.C. Duarle
  • Raimundo: José A. Marson

Ao final da Opera encerrávamos o espetáculo com um bonito dueto.

Participei também de vários concertos e apresentações com a Sinfônica, tanto no Castro Mendes como no Teatro do Centro de Convivência. Benito excursionou com a Orquestra pelo interior de São Paulo e, eu o acompanhei. Passamos pelas cidades de São José do Rio Preto, Rio Pardo, Mogi Guaçu, Paulínia entre outras.

Em 1986, O Trio Cultura (Piano, Clarineta e Contrabaixo) do Maestro Fausto Massaini, eu, convidada como Soprano e Benito participamos de um encontro na TV Cultura, onde aproveitei para lançar um dos meus CDs de Carlos Gomes.

Em uma ocasião cantei com a OSMC uma Ária de Carlos Gomes, considerada muito difícil, no Shopping Iguatemi, sob sua regência. O público adorou a novidade e acompanhou a apresentação embevecido.

Benito deixou a Orquestra em 1999. Passaram pela OSMC diversos Maestros, cada um com seu estilo de liderança, Benito foi o que mais tempo permaneceu no cargo, ficou à frente da OSMC por 25 anos.

Amo a música, vivo por ela em meus programas de rádio e TV e tenho um ouvido apurado, sei que existem diferenças importantes nas execuções de peças regidas por um ou outro maestro. Benito tinha uma grande capacidade de interação com o público, sua origem simples e seu aspecto frágil ajudavam-no nesta empatia com o povo.

Uma boa definição da personalidade do Benito foi dada por um amigo meu, grande companheiro e parceiro no Trio Skala, o qual ele participava em paralelo com a Orquestra.

José Andrade Neto aposentado da Orquestra e já falecido sempre comentava sua relação com Benito. Ora amistosa, ora beligerante.

O Trio Skala era formado por mim, pelo José Andrade no violino pela Joseida Frisarini, pianista, e pelo Décio Almeida, também da Sinfônica, no contrabaixo.

Benito foi um homem à frente do seu tempo, em suas audições com a Sinfônica, principalmente em Campos de Jordão, conseguia “cutucar” os maestros mais puristas ao apresentar músicas populares, utilizando arranjos sinfônicos de extremo bom gosto com a Sinfônica, um absoluto sucesso de público de uma Orquestra de cidade do interior.

Benito foi um desbravador, um dos grandes responsáveis por colocar Campinas no mapa da Cultura Nacional, foi um período inovador de muita produção cultural de relevância.

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ACONTECEU NO SALÃO DE BAILE DO CULTURA

Corria o ano de 1986, eu e Milton frequentávamos todos os clubes de Campinas e, participávamos de várias festas, das mais badaladas, aqui e em São Paulo, inclusive íamos à algumas no interior do estado.

Eu trabalhava na Secretária de Estado da Cultura e, em decorrência do cargo viajava muito e a presença em festas era uma atividade constante. Frequentávamos muito o Clube Semanal de Cultura Artística, um dos clubes mais antigos do Brasil, diziam até que Carlos Gomes e seu Irmão Santana Gomes também o frequentavam à época, pelos idos de 1860.

Estávamos em um dos muitos bailes no Cultura Artística quando adentrou ao salão, uma mulher lindíssima, trajada magnificamente com um longo preto, ricamente bordado com pedras e adereços muito brilhantes.

Eu e Milton estávamos na pista de dança, Milton sempre foi, além de excelente companhia, um exímio dançarino. Entre um rodopio e outro, admirava a beleza daquela figura feminina, uma presença marcante, que arrancava suspiros de admiração por todos os cantos do salão.

A festa-baile seguiu seu ritmo e, após o jantar, fui  ao toalete retocar minha maquiagem e, para a minha surpresa aquela linda senhora, estava na toalete e tinha acabado de trocar seu deslumbrante vestido preto por um conjunto muito sensual, estilo oncinha, com pintas coloridas de marrom, preto e branco, um luxo e tanto.

Ao retornar a mesa comentei com o Milton o exagero daquela senhora, que tinha levado a uma festa-baile dois belíssimos vestidos.

Ao final do baile, os convidados fizeram no salão, um enorme circulo para aguardar a entrada de um enorme bolo, acompanhado de muitas velinhas e champanhe. Na sequência, dois casais, muito bem trajados se aproximaram da mesa do bolo.

As mulheres eram gêmeas, uma em um vestido preto longo, ricamente bordado, e a outra em um traje de muito bom gosto, sensual em estilo oncinha e, cada qual com seus elegantes maridos.

Uma delas estava acompanhada pelo nosso querido e simpaticíssimo amigo e companheiro do café filosófico, o Maudonet.

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O SIMPATICO MAFIOSO

Parece incrível tamanha coincidência, mas, aconteceu de fato. O ano era de 1984 e ainda éramos noivos Milton e eu. Na ocasião, eu trabalhava na Secretaria de Estado da Cultura e tinha ido à SP para participar de uma estafante reunião mensal.

O Milton me acompanhou e, como era de seu estilo, trajava sempre terno e gravata, o que fazia com que sua presença fosse sempre notada. No final da reunião fomos almoçar no tradicional bairro italiano do Bexiga, numa famosa cantina.

Era uma sexta-feira e havia uma fila enorme para entrar no restaurante. Mas, na calçada, os garçons, inteligentemente, ofereciam azeitonas, queijos e outros quitutes, além de aperitivos, no intuito de não perder nenhuma pessoa.

Assim, o Milton foi logo reconhecido por um amigo de juventude que, como ele, era Publicitário e, ambos, começaram a falar de premiadas campanhas publicitárias. Percebi, que esse tipo de assunto sempre despertava curiosidade nas pessoas.

Finalmente, nos chamaram para uma mesa e, quando estávamos escolhendo as bebidas, um senhor muito bem vestido, com terno e gravata (italiana legítima) nos cumprimentou e pediu para se sentar ao nosso lado.

A mesa tinha, por coincidência, três lugares e, concordamos com o pedido. Ele se apresentou, dizendo ser italiano da cidade de Veneza, uma das mais belas do mundo, e que estava no Brasil, já há vários anos, e trabalhava no Consulado Italiano de SP.

Ele era um belo exemplar da refinada Cultura Italiana e, quando soube que eu era Cantora Lírica, falou de todos os grandes compositores de óperas e das magníficas montagens que ele assistiu no Teatro "La Fenice" de Veneza.

O cara era um poeta e dizia estar muito feliz na nossa companhia, falava das belezas da Itália, da comida saborosíssima, dos vinhos deliciosos, da música, das óperas, e da paixão dos italianos pelas mulheres. Nesse cenário, depois de beijar várias vezes a minha mão, ele nos orientou na escolha do cardápio, obviamente indicando os pratos e os vinhos mais caros da cantina.

Já estávamos na sobremesa, quando ele olhou para o relógio dourado (seria um Rolex de ouro?) e disse que já era tarde, pois ele teria que despachar, ainda, com o Consul Italiano. Confirmou, também, que acertaria a metade da conta da cantina, pois o valor tinha sido bem alto, com tanto vinho e iguarias ricas da culinária italiana.

Assim ele dividiria a conta pela metade e acertaria lá no caixa. O Milton relutou a princípio, mas aceitou a gentileza do nobre gesto, ainda estávamos encantados com tanta gentileza, saboreando o licor "Strega" meu preferido e o último café italiano, quando o garçon chegou com a conta, simplesmente astronômica, que tinha, além de tudo que havia sido consumido no almoço, mais duas garrafas do mais caro vinho italiano, e um bilhete do simpático "mafioso", que dizia:

 "AUGURI TANTI, UN BACIO ALLA SIGNORA

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O CONTRABAIXO SUSPEITO

Em 1964 eu era uma adolescente muito alienada a respeito da Vida Política Brasileira. Naquele tempo, eu vivia para estudar e, também, para cantar vários estilos musicais desde a ópera até tangos, boleros, canções, etc... 

Nos anos que se seguiram eu estava fazendo duas Faculdades: Psicologia e Direito e era comum, para mim, "furar greves" e assistir, às vezes, sozinha, as aulas das respectivas Faculdades.

Obviamente eu não era muito "querida", pelos colegas de classe.  Acreditava, inclusive que a famosa música "Apesar de você" de autoria do compositor Chico Buarque, bastante criativo naquele momento de sua carreira, contava a história de um amor desfeito entre um homem e uma mulher, não imaginava jamais, tratar-se de um recado camuflado a um General Presidente da República daquele período. 

Mas, o que marcou, verdadeiramente, a minha tomada de consciência sobre a situação que estávamos vivendo, foi um fato, ocorrido comigo, no ano de 1976. 

Eu viajava muito para cantar, e o fazia com um Trio Famoso de Músicos: “O Trio Skala", formado por Violino, Piano e Contrabaixo, todos músicos profissionais. 

Tenho excelentes lembranças e muitas histórias desses amigos e das mais de oitocentas apresentações que fizemos por esse Brasil afora.  Naquela ocasião, utilizávamos, como transporte, uma simpática DKV com um bagageiro, onde colocávamos o enorme "contrabaixo".

Já o Piano, que era do tipo elétrico, ficava no porta-malas da perua junto com nossas bagagens, e o violino viajava no colo de alguém. Assim, fazíamos nossas viagens, as vezes cansativas, com aquela charmosa DKV azul. 

Naquela noite, julho de 1976, estávamos voltando para casa, depois de uma inesquecível apresentação em Poços de Caldas, cidade do sul de Minas Gerais, também conhecida como a "Cidade das Noivas" porque era destino preferido, para a lua-de-mel dos casais do passado.

Após a apresentação. recebemos muitos presentes que lotaram a DKV e também muitas flores que, por falta de espaço, tivemos que amarrar na caixa do Contrabaixo.  Já era tarde da noite, quando pegamos a estrada para retornar à Campinas.

Fazia muito frio e estávamos cansados e com sono e, resolvemos parar num posto de gasolina na fronteira dos Estados só para beber um café. Aquele contrabaixo coberto de flores chamava a atenção de todos e para nossa surpresa, duas viaturas de Polícia, com policiais, fortemente armados, nos obrigaram a abrir a caixa onde estava o contrabaixo, exatamente, para ver se haviam armas ou mesmo um morto dentro da caixa.

É óbvio que levamos um bom tempo para explicar que éramos apenas músicos e não traficantes de armas, muito menos, terroristas ou assassinos. Para convencer os policiais tivemos que tocar e cantar algumas canções naquela madrugada fria.

Conseguimos, depois de algum tempo convencer esses policiais e, pudemos finalmente, seguir viagem, porém, sem as flores, que foram, infelizmente, para o lixo.

Mesmo assim, retornamos rindo muito do ocorrido com aquela sempre contagiante alegria que somente a música nos proporcionava e, que nem mesmo um policial enraivecido e uma época sombria tinham conseguido calar.

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A NINFETA

Corria o ano de 1988 e eu, recém-casada, resolvi passar uma semana no famoso Spa 7 voltas na vizinha Itatiba. O lugar era paradisíaco, digno de uma filmagem cinematográfica com vegetação exuberante, abrigava muitos animais para o deleite dos hospedes.

Passeios a cavalo, esportes aquáticos, muita atividade física em grupos, e uma sala com um piano de calda inteira, marca “Bechstein”, um luxo só, onde eu brincava com a minha voz.

As vezes ouvia histórias de um antigo e tórrido romance da bela proprietária com um ex-presidente, apreciador de esportes hípicos, que frequentava o antigo sítio, que mais tarde se transformaria no Spa.

A proprietária do Spa praticava um inteligente acordo com atores globais, que lhe ajudavam na divulgação do espaço, era constante a presença de cantores, atores de novela e apresentares famosos na época.

Nas caminhadas matinais, eu sempre passava por perto de um senhor, já idoso, com bastante vigor físico e uma voz forte e bem empostada, que chamava atenção pelos trajes elegantes e principalmente pela sua jovem companheira de caminhada, uma linda e cativante moça.

Muito carinhosa, estava sempre acarinhando e beijando o feliz senhor.

Como psicóloga que sou, ao analisar aquele relacionamento, imaginava coisas e ao mesmo tempo repudiava aquela relação pouco comum, afinal ele parecia ser o avô daquela jovem.

No sábado, Milton, meu marido, chegou ao Spa e como sempre, encontrava muitos conhecidos e amigos e para a minha surpresa aquele elegante cavalheiro das caminhadas matinais era um famoso publicitário paulistano, muito amigo e um dos mestres do Milton.

Encontrei-os, num descontraído bate papo numa das salas, anexa ao salão do restaurante.

Ao me ver, Milton apresentou-me com alegria o seu amigo e mestre, dizendo do orgulho deste, pela conquista da neta, que sentada em seu colo, beijava e acariciava-o.

A neta, que eu “psicóloga”, achava ser outra coisa, iria cursar Publicidade na Casper Líbero, seguindo assim os passos do querido avô.

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AS MULHERES DE CARLOS GOMES

Uma das figuras mais marcantes na vida do compositor foi, na minha opinião, sua mãe: "Fabiana Jaguari Gomes", assassinada aos 27 anos no quintal da casa, onde a família morava, aqui em Campinas na antiga Vila de São Carlos.  O Maestro tinha, na época, apenas 8 anos de idade.  Esse trágico episódio marcou, profundamente, sua vida e muito de sua produção artística.

"Ambrosina Correia do Lago" foi a jovem apaixonada da juventude do Compositor e a inspiradora da Modinha "Quem Sabe" uma das mais conhecidas e queridas das obras de Carlos Gomes.

A Imperatriz do Brasil "Teresa Cristina - esposa de Dom Pedro II que sugeriu que Carlos Gomes fosse enviado para a Itália para completar os seus estudos. Ela era italiana, napolitana e, contrariando o marido, fez de tudo para que Carlos Gomes fosse para Milão. O Imperador, a princípio, queria que o jovem fosse estudar na Alemanha.

"Adelina Péri", foi a esposa italiana com a qual ele teve 5 filhos. 

"Chiquinha Gonzaga" - a compositora brasileira, uma apaixonada admiradora do Compositor, com a qual teve um breve romance quando visitou, já consagrado, o Brasil.

"Ítala Gomes Vaz de Carvalho" - sua única filha e que escreveu a Biografia do Pai famoso.

Algumas de suas amantes:

Haryclée Darclée, Diana Raggi, Annetta e a Condessa Cavallini, algumas dessas mulheres até ajudaram, financeiramente, o compositor quando ele começou a perdeu toda a fortuna que tinha conseguido com a produção de suas Óperas, Hinos, Missas, Concertos e Canções.

Heroínas de Óperas

1) "A Noite do Castelo" - LEONOR - Jovem Trágica e Infeliz...

2) "Joana de Flandres" - JOANA - Poderosa e Louca ...

3) "O Guarany" - CECY - Jovem Inocente, alegre e sonhadora...

4) " Fosca" - FOSCA - Mulher Guerreira, Vingativa e Infeliz...

5) " Salvator Rosa" - ISABELA - Jovem apaixonada ... que vive um amor arrebatador...

6) " Maria Tudor" - MARIA TUDOR - Mulher Completamente Louca...

7) "Lo Schiavo" - ILARA - Ingênua, sonhadora e apaixonada ...

8)  "Condor" - ODALEA - Mulher Muçulmana do Uzbequistão...submissa e infeliz...

9)  "Poema Vocal Sinfônico - Colombo" - ISABEL - Rainha Católica da Espanha - Protetora e Poderosa...

Em 2019 o soprano Taís Bandeira defendeu uma tese na Faculdade de Música da Unicamp intitulada "Heroínas de Carlos Gomes" onde ela relata com detalhes, como se faz necessário numa defesa de tese, a Personalidade de todas essas mulheres, inclusive, ela abrilhantou a Defesa de sua tese, com um recital, cantando árias dessas Óperas, tendo como acompanhante o Pianista João Moreira Reis.

É importante registrar que Carlos Gomes quando chegou ao Brasil, já bastante doente, veio sozinho e, graças ao acolhimento do Governador do Pará, Lauro Sodré, e da população e amigos em geral, ele conseguiu um tratamento digno e humano nos derradeiros momentos de sua vida... 

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COMO UM PASSARO

Foi exatamente assim que me senti, ao aceitar aquele desafio da minha nora Camila em 2011, no Rio de Janeiro, na praia de São Conrado. Já tinha ouvido relatos e também imaginava a emoção avassaladora que as pessoas sentiam ao viver essa aventura.

O visual era magnífico, você parte de uma montanha em direção ao mar, apreciando o show de imagens, abaixo o maravilhoso bairro, ao seu lado nuvens e pássaros.

O salto parte da Pedra Bonita em direção a famosa praia do Pepino. Assim, tendo ido a um congresso de Turismo e tendo participado de mesas de discussão do Skal, resolvi aceitar esse desafio.

Não foi fácil tomar a decisão, estava sozinha, e naqueles tempos de muitas festas & celebrações, fiquei hospedada no belíssimo Sheraton da Barra da Tijuca, de onde a vista era, especialmente linda. Tomei coragem, no dia seguinte, cancelei alguns encontros no Congresso e telefonei ao motorista de taxi que sempre nos atendia. Fui até o local onde se comprava o famoso Kit Asa-Delta.

Tive, na ocasião, de assinar vários papéis eximindo os proprietários do local sobre quaisquer responsabilidades sobre acidentes que pudessem ocorrer, inclusive, a aeronáutica não se responsabilizava  pelas quedas que as vezes ocorriam.

Assim, subimos o morro e o instrutor foi me dizendo como era realizado o salto, confesso que pensei em abortar a aventura, mas, fui. Houve um rápido treinamento, com dicas de segurança e, quando tudo estava prestes à acontecer, resolvi ligar para Campinas e dar ao Milton o seguinte recado:

- Oi amor, estou na Pedra Bonita, pronta para saltar com Asa Delta, se eu não ligar daqui à 1 hora, pode avisar seus sobrinhos que moram aqui no Rio...

Acho que o Milton não levou a sério, pois não manifestou nenhuma reação. Finalmente, quando a Asa-Delta mergulhou no infinito do céu azul, vivenciei os 20 minutos mais sublimes e carregados de adrenalina de toda a minha vida.

Já tinha participado de experiências de Skyline (quando você, em um Para Quedas amarrado em um barco) é puxada em alta velocidade através da ondas, nas praias de Acapulco e Cancun, o que convenhamos é muito divertido e foram momentos inesquecíveis.

Assim como na música “Free as the Wind” do filme “Fuga de Alcatraz”, nada se compara a liberdade proporcionada  pelo voo de Asa-Delta, posso dizer com segurança que me senti livre tal qual um pássaro ao vento.

Ao retornar a Campinas, mostrei o vídeo à um incrédulo Milton, que, em silêncio assistiu a tudo e, ao final entusiasmado, levantou-se e me aplaudiu.

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SOBREVIVENTES

Quando toda essa Peste Chinesa acabar, poderemos, finalmente, comemorar todo esse tempo que vivemos nessa terrível e angustiante expectativa de fim de linha.

Enquanto algumas pessoas e, nesse grupo eu me incluo, lutam sem esmorecer jamais, pelo direito à vida, fazendo planos, mudando projetos, negócios e abrindo mão do supérfluo em nome do essencial, outros já penduraram as chuteiras e ficam na expectativa de que a luta já não está valendo.

Muitos estão tentando, conscientes ou inconscientemente, abreviar essa terrível jornada, ou seja, a própria vida, infelizmente. Tenho recebido informações do CFP – Conselho Federal de Psicologia, que tem revelado estatísticas aterradoras, do aumento de casos de suicídio entre a população mais jovem e também entre idosos, no mundo todo.

Por aqui ainda temos o chamado terceiro grupo, aquele tal conjunto de políticos, muitos artistas, #globolixo, aproveitadores da “Lei Rouanet”, que insistem em derrubar, usando de todo um arsenal de notícias falsas e deturpadas, apoiados por uma imprensa manipuladora e parcial, um governo legitimo, eleito pelo povo.

O satânico STF destruiu o conceito de “Federação”, ao transferir poderes conferidos pela “Constituição” ao Presidente da República, a Governadores e Prefeitos, nem sempre providos da necessária honestidade, facilitando todo tipo de “maracutaias e mal feitos” com o dinheiro enviado pela Federação aos estados e municípios.

O Ministério Público, recentemente, solicitou o envio de relatório descrevendo as ações realizadas com a verba distribuída, e, pelo que parece, os envolvidos não estão a fim de dar explicações, o que no mínimo é estranho e suspeito.

A tragédia brasileira, decididamente, é uma das mais sujas da humanidade, isso porque, o nosso país tem uma parcela da população que torce para que o Brasil vá para o esgoto. São os defensores do “Lockdown”, prática utilizada mundialmente, que não resolve o problema, agravando outras particularidades da vida humana.

Afinal, não existe somente a COVID no mundo. Você já notou que a imprensa golpista só noticia obituários?  É claro que o mundo já passou por situações similares durante sua história.

Porém, como você, procuro buscar abrigo nessas horas difíceis, caminhando pelas ruas do bairro onde moro, aproveito para apreciar a natureza, pródiga em belezas. Moro em um condomínio, o que evidentemente facilita o exercício, atualmente, tenho optado pelas caminhadas no final da tarde e, até, de madrugada onde, sinto o orvalho e um agradável friozinho já se faz sentir.

Cada um na sua realidade e possibilidades vive a vida como pode, poucos,  na verdade podem ficar em casa, como recomendado pelas nossas autoridades cegas e insensíveis, pois a grande maioria precisa ganhar durante o dia, o dinheiro necessário para o alimento a ser consumido a noite.

A Lua Cheia, dessa semana de Páscoa nos convida a refletir a vida e orar por tempos melhores!

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PRISÃO AO SOM DE MOZART

O fato aconteceu em 1980, quando eu me apresentava nas operas do Teatro Municipal de São Paulo e, durante os ensaios e apresentações me hospedava em hotéis nas proximidades do teatro.

Como psicóloga, sempre prestei atenção ao comportamento das pessoas próximas a mim e conseguia imaginar e, por muitas vezes, acertar o diagnóstico da personalidade e modo de ser dessas pessoas.

No hotel, que eu estava acostumada a pernoitar, aliás um excelente quatro estrelas, era comum tocar música clássica durante o café da manhã e as refeições.

Certa ocasião, um casal discreto e com certa diferença na idade sentou-se à mesa do café da manhã, bem na minha frente. No som ambiente do salão do café tocava, naquele momento, a belíssima Sonata nº 11 de Mozart.

Era perceptível a cumplicidade e o carinho entre os dois, logo como de costume, iniciei minha análise das possibilidades de relacionamento daquele casal.

Casados? Amantes? Era o primeiro encontro?

Estavam muito bem trajados e eu não consegui identificar o idioma, mas conclui que não eram brasileiros.

Encantada pela elegância do casal, fui surpreendida por um funcionário do hotel que já há algum tempo estava de mesa em mesa conversando discretamente com cada hospede.

Na minha vez este funcionário disse, quase sussurrando, para eu manter-me calma, pois o casal que eu até então tinha adquirido certa simpatia, estava prestes a ser preso. A polícia, a paisana, aguardava o momento de adentrar ao recinto do café e efetuar a prisão.

Meio que atônita, um tanto nervosa, segui as instruções do funcionário e observei a ação da polícia que de forma discreta abordou o casal convidando-os a se retirar do recinto.

Assim como todos os demais hospedes, assisti, ao som da Sonata nº 11 de Mozart, o casal deixando o recinto acompanhado de policiais.

Quanto a minha análise, bem, achei melhor silenciar a mente e, apenas curtir o restante da belíssima Sonata.

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O AMOR EM TEMPOS DE INTERNET

Realmente os tempos eram outros, onde o homem educado e galanteador valorizava a mulher e, esta, nos seus limites de recato colaborava com pitadas, as vezes picantes, para encorajar ainda mais o candidato ao romance.

Hoje, tudo mudou, a internet como parte do novo, revolucionou as informações, os serviços e alguns costumes. A tecnologia a cada dia acrescenta mais conforto a todos, mas, alguns costumes permanecem como sempre foram.

O sempre elegante e romântico diálogo entre um homem e uma mulher, quando estão interessados um no outro, é um desses costumes que felizmente permanecem.

Lembrei-me de um amigo, cujo nome vou manter no anonimato, que nos intervalos de um evento, contava para mim e para o Milton, em capítulos, a sua história de amor.

Dizia ele que, no início do século XXI, fatos simultâneos estavam congestionando seus pensamentos e, diante da nossa curiosidade, explicava: Naquele ano o meu segundo casamento tinha terminado, estava de mudança, o filho mais velho anunciava que a primogênita neta estava para nascer e, para agravar as preocupações, seu pai estava sendo operado do coração.

Porém, o amigo já mantinha através da internet contatos frequentes e intensos, com uma jovem de uma cidade vizinha e, tinha marcado com ela um encontro para conhecerem-se.

Tal encontro ocorreu em uma Padaria onde hoje é a Miami Store. A moça que trazia o filho de cinco anos para uma festa de aniversário, aproveitou a ocasião para o primeiro encontro.

Na época, o amigo possuía como segundo carro um Jeep branco, que por causa dos pneus, era alto e chamava atenção. Ele estacionou o veículo ao lado do carro dela, desceu garbosamente e disse a queima-roupa, olhando nos olhos da jovem:

 - Seu coração está disparado? Sem esperar resposta, completou: 

- O meu também!

Hoje, mais de 15 anos depois do fato, ele permanece casado, feliz e apaixonado por essa jovem, que definitivamente, mudou sua vida.

O pai dele sobreviveu à cirurgia, vivendo ainda por alguns anos, a neta completou 18 anos de vida e o garoto, filho dela, que ele conheceu também naquele dia está com 24 anos.

Na época do Othon Hotel, nos idos dos anos 1950 a internet não existia nem nos mais promissores sonhos. Hoje ela espelha de forma digital tanto o lado bom, como o lado ruim da vida.

Viva a internet, viva a tecnologia, viva o amor, que este, felizmente, continua o mesmo.

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DE POETA, MÉDICO E LOUCO....

Realmente, é exatamente assim que tenho percebido quão verdadeira, nesses dias de Pandemia, essa afirmação faz sentido.

Quase todos os meus diletos amigos da internet, hoje em dia, discutem Medicina com muito mais conhecimento e vocabulário do que faziam no passado. Inclusive, buscam a luz da verdade em várias Lives a respeito do assunto e, isso tem sido, na minha opinião, muito positivo.

Por outro lado, os Poetas estão, cada vez mais, inspirados, extremamente românticos e produzindo verdadeiras pérolas literárias. Um amigo meu, inclusive, está produzindo haikais e outras formas poéticas e faturando prêmios em Concursos de Poesias de todo o Brasil. Já ganhou alguns prêmios.

E, continua concorrendo e, o mais importante, feliz e realizado, porque recebe prêmios em dinheiro. Mas, a Loucura, também tem seus fiéis seguidores nessa pasmaceira em que estamos vivendo. E, os quadros estão, cada vez mais graves e melancólicos.

Tenho visto e lido de tudo e, como conheço muito bem todos os caminhos que levam à loucura e a gravidade das várias sintomatologias, fico muito preocupada com a reação desses amigos que, com certeza, sofrem e muito nesses tempos difíceis.

O contraponto à esse sofrimento, pelo menos para mim, é a música, lembrei-me da figura ímpar de Vinícius de Morais, o Diplomata e Poeta, que viveu de 1913 a 1967 e que teve uma vida repleta de sentimentos e emoções, durante toda a sua existência. Ele com certeza sabia como utilizar suas emoções, para viver melhor consigo mesmo.

De sua parceria com o também premiado Tom Jobim, sempre lembrado como o grande compositor, que projetou o nome do Brasil no exterior. Foi o criador da Bossa Nova, e, também eternizado como símbolo de um Brasil de amor e paz. O compositor Tom Jobim morreu há exatos 25 anos e, naquela época fez, de fato, o Brasil sair do Tom...

A música que me veio à mente, foi, exatamente, dessa dupla famosa, cuja letra diz: "Eu sei e você sabe já que a vida quis assim" .... belíssima e, em especial, na voz grave e profunda de Maria Betânia.

Mas, embora, Vinícius de Moraes fosse um dos poetas que mais tenha traduzido as dores e a grande solidão das rupturas amorosas, ele na verdade teve, de fato, uma vida amorosa tumultuada, mas não, necessariamente, infeliz, pois ele se casou, nove vezes.

Ele, realmente, amava as Mulheres, a Poesia e o bom Whisky. Aliás, uma de suas frases mais populares foi uma verdadeira declaração de afeto à soberana bebida escocesa:

"O Whisky sempre será o melhor amigo do homem, é o cachorro engarrafado".

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O DENTISTA DA VILA

Na Vila Industrial, próximo do "Cine Casablanca”, hoje "Teatro Castro Mendes", havia um Consultório de um Dentista famoso no bairro. Ele era bonito, charmoso e dono de uma belíssima voz de Barítono.

Todos gostavam dele e o Consultório sempre estava cheio de clientes, desde crianças até velhinhos e velhinhas. Ele era uma espécie de Patrimônio da localidade. A primeira vez que lá estive, aos seis anos de idade, fui acompanhada de minha avó e, fiquei encantada com o avental azul clarinho, de cambraia de linho, que ele usava e que ressaltava ainda mais seus profundos olhos azuis.

Naquela época, ele já estava noivo de uma moça prendadíssima e muito amiga da minha família e que estava terminando o belo enxoval do casamento. O casamento, na verdade, já estava até marcado. Meus pais seriam os padrinhos e já estavam providenciando as roupas e o presente.

Porém, o tempo foi passando e o casório não acontecia e, as fofocas começaram a circular pelas ruas, pelos salões de beleza e pelos botecos do bairro. Na verdade, nós mudamos do bairro e perdemos o contato com os noivos.

Até que um dia recebemos um convite suntuoso de casamento, todo adornado com fios dourados com uma lista de presentes caríssimos.

Coisa de casamento de celebridades, a igreja não era mais a tradicional do bairro, e sim a Catedral e a recepção no Clube mais chique da época, o Tênis Clube.

Soubemos, então, que ele já estava beirando os 40 anos e ela os 36 e, coitada, já tinha completado seu terceiro enxoval. Acontece que, cansada, ela resolveu armar uma cilada e, conseguiu pegar o noivo num flagrante.

Sentada num banco do Jardim do Coreto, ela percebeu que, além das crianças, dos jovens, senhores e senhoras, velhinhos e velhinhas, ele recebia a visita de uma jovem freira que ia ao consultório de 2 a 3 vezes por semana.

Na verdade, não era uma freira, mas uma jovem que se vestia como tal. Convencida de que o noivo a traia, ela se vestiu de freira e entrou no consultório. obviamente, ele não a reconheceu e, no calor do encontro, ele se traiu totalmente, o casamento aconteceu depois de dois meses e, com toda a "Pompa & Circunstância"

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O SANTO REMÉDIO

Lembrei do meu falecido irmão Paulo, mais conhecido por Tininho, médico formado pela Unicamp em 1975 e que era uma espécie de "médico de família". Ele cuidava de uma legião de muitos pacientes e, entre eles, uma expressiva quantidade de pacientes oriundos de acidentes, onde ele, sempre, curiosamente, estava por perto. Assim, na "Maleta de Médico" que sempre levava, além dos medicamentos básicos, havia, também, um vidrinho de cápsulas brancas que ele usava em muitos dos seus atendimentos, o famoso "Placebo"

Eu mesma fui medicada por ele, quando fui quase vítima de um assalto quase ocorrido às 23:00hs, na rua Costa Aguiar, no centro velho de Campinas, próximo da "Boca do Lixo". Você deve estar se perguntando:

- O que você, Vera, estava fazendo nesse tenebroso local?

Muito simples, ainda em estado de graça por ter assistido uma magnífica apresentação, no Teatro Castro Mendes, de uma orquestra jazz sinfônica que visitou a cidade na época, não me dei conta do caminho que tomei para retornar a minha casa.

Quando percebi, estava parada em um semáforo no local, e vi quando o meliante se aproximou e apontou a arma. Em pânico não pensei duas vezes, acelerei meu carro e entrei na contra mão da Av campos Sales, que durante o dia tem intenso trafego, para a minha sorte o adiantado da hora permitiu a minha evasiva manobra.

Cheguei em casa nervosa e tremendo, Milton muito preocupado chamou meu irmão Tininho, que quando me atendeu, tratou logo de acalmar meus ânimos, tirou de sua valise o frasco com “Capsulas Brancas”. Tomei 3 desses comprimidos dados por ele.

Interessante, a calma veio como por encanto, poucos minutos depois.

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O ENFERMEIRO DE CARLOS GOMES

Carl Gustav Jung foi um Psiquiatra e Psicoterapeuta suíço que fundou a Psicologia Analítica. Jung propôs e desenvolveu os conceitos de Personalidade: Extrovertida e Introvertida, Arquétipos e Inconsciente Coletivo.

Seu trabalho tem sido influente na Psiquiatria, Psicologia, Ciência da Religião, Literatura e áreas afins. Ele viveu de 1875 a 1961, foi discípulo de Freud e revolucionou criando a Psicologia Analítica.

Arquétipos são conjuntos de imagens primordiais originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, armazenadas no inconsciente coletivo.

O “Arquétipo do Cuidador” é uma Potencialidade muito presente na profissão de “Enfermeiro” e, com certeza, esse Arquétipo era muito forte na pessoa de Raul Franco, que cuidou de maneira carinhosa e abnegada de Carlos Gomes nos seus momentos derradeiros e dolorosos. Ele, inclusive, acompanhou o traslado do corpo desde Belém do Pará até Campinas. Isso aconteceu no final do século XIX.

Raul Franco foi agraciado em Campinas, pelos amigos e admiradores do Maestro, com um valioso relógio e uma grande soma em dinheiro, que ele, no retorno à Belém, investiu nos garimpos de diamantes no sul do Para.

Conseguiu, com isso, adquirir uma bela casa na Normandia, vivendo parte de sua vida em Paris. Sem dúvida, um belo e justo final de vida, graças à sua generosa e despretensiosa dedicação ao maestro Antônio Carlos Gomes.

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O MEU LUAR

Tive uma boa vida, não posso reclamar de nada, vivi intensamente, produzi, lutei pelos meus sonhos e criei meus filhos. Sinto-me absolutamente vencedora, cantei pelo mundo afora aproveitando o Dom que Deus me deu.

Me pego no meu refugio, notadamente nestes últimos meses, onde nossa vida transfigurou-se e fomos obrigados a repensar situações e atitudes, olhando o belo cenário proporcionado pela nossa Lua. Sim, a nossa velha e prosaica Lua, e não me canso em admirar a beleza poética que ela lança sobre nós, notadamente, quando está em fase Cheia.

Neste último luar, mais uma vez, fui tocada pelos seus brilhantes raios e me vi ocupada em produzir mais uma crônica. Alias nestes meses de pandemia produzi, imagine você caro amigo Antônio Contente, algo em torno de 100 (cem) textos, muitos deles inspirados por você e suas narrativas.

Enquanto aprendiz de escritora, só posso lhe agradecer. Pretendo, como já lhe disse, lançar um livro nos próximos meses, cujo nome achei adequado: “Crônicas na Pandemia”, mas esse nome ainda não é o definitivo, aceito sugestões.

Com certeza, esse retiro forçado nos serviu e tem nos servido para repensar valores, repaginar atitudes e programar novos sonhos de vida. Cada um, ao seu modo, tem se adaptado aos intermináveis dias/noite, enquanto a Terra, tal qual uma grande nave, simplesmente gira, indiferente ao drama de seus passageiros.

Veja você, enquanto eu aqui no meu canto, inspirada pela grandiosa Lua Cheia me ocupava em escrever, você vendo a mesma Lua a partir do seu observatório preferido, admirava a paisagem descortinada à sua frente.

Fomos espectadores do mesmo espetáculo, cada um ao seu modo.

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MINHA EXPERIÊNCIA EQUESTRE

Ao caminhar esta semana, nas pistas internas do Clube Hípica em Campinas, observei uma garotinha tendo aulas de hipismo e, não pude deixar de recordar uma passagem da minha infância, na fazenda Castelo, de propriedade da minha família. Esta propriedade, já há muito tempo, é motivo de um precatório com a prefeitura de Campinas, pois infelizmente, foi transformada em lixão da cidade.

Voltando a minha recordação, lembrei-me de um dia em que, aos oito anos de idade, entusiasmada em montar uma égua, apertei seu ventre com os pés e, o animal disparou a correr pelo campo, enquanto todos corriam em meu socorro. A égua passou sob uma arvore e, acabei me chocando violentamente com um galho mais baixo, caindo desacordada ao chão.

Um dos empregados da fazenda, que a tudo assistiu, alertou meu pai. Imaginem a correria que isso provocou, levada rapidamente à um pronto-socorro fui atendida e, apesar do susto, tudo não passou de um acidente com final feliz.

Ao final da tarde, meu pai, conversando comigo, fez as recomendações necessárias.

Mais a noite, minha mãe, já mais calma, convocou tios e tias, amigas e alguns funcionários para uma sessão de rezas. O dia terminou em paz e incontida gratidão à Deus.

Encerrei assim, prematuramente, minha promissora carreira de amazona.

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A VIÚVA ALEGRE

Já faz algum tempo, na verdade muito tempo.

No século passado, eu me vesti de vermelho e cantei, em São Paulo, a belíssima opereta "A Viúva Alegre". Na época, confesso, eu era muito mais alegre que viúva, e o espetáculo obteve muito sucesso, fui aplaudida com entusiasmo.

Parte desse espetáculo foi montado e apresentado em Campinas no ano de 1983. Nesta ocasião, um viúvo famoso e disputado na cidade foi assistir ao espetáculo, ficou, evidentemente, muito entusiasmado.

Este viúvo, passou a procurar-me de forma insistente, porém, com muita elegância. "Água mole em pedra dura tanto bate até que...", e o romance foi inevitável. Ele era por demais educado, charmoso e muito bonito.

Casamo-nos em outubro de 1984 e assim a minha vida passou a ser mais bonita, meu sorriso iluminou-se, vivi momentos inesquecíveis ao lado de uma pessoa integra, criativa, divertida e muito apaixonada.

Retornando à Opereta, é sempre muito interessante assistirmos algo que, de alguma forma fez parte de nossa história e para mim a "A viúva Alegre" trouxe à minha memória, o meu saudoso Marido.

O Espetáculo que fui assistir no teatro municipal em São Paulo recentemente, mostrou-me alguns acertos e erros. Estou, atualmente, mais crítica com relação aos espetáculos que tenho assistido.

Resumindo: Gostei do que vi e ouvi, apesar de alguns miados e gemidos de cantores e artistas mais inseguros. A Opereta apresentou um magnifico cenário e uma direção inovadora do competente Miguel Falabella, que valeu a pena, foi totalmente cantada e com falas em português.

Destaco ainda, a presença marcante do Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo, considerado pela crítica como um dos melhores do mundo.

Se há quarenta anos atrás, eu era "A Viúva Alegre", hoje, com certeza sou "Uma autêntica viúva, e continuo muito alegre".

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A AMAZONIA DE SEMPRE

Contrariando os alarmistas de plantão, a nossa querida Amazônia continua no mesmo lugar em que desde sempre esteve. O tempo passa e as criticas, artigos, falácias, comentários continuam, mudam apenas a roupagem política, falam demais e tentam explicar o que não entendem.

Como podem vociferar em defesa da “Nossa Amazônia “ se, em seus países de origem já não existem matas e grandes florestas, pois, os avôs destes mesmos “Defensores ardorosos da Natureza” já se encarregaram de destruí-las, e não contentes, aventuraram-se pelas colônias conquistadas para efetuar a pilhagem de todos os recursos naturais possíveis, assim como nossos descobridores também o fizeram?

Nossa riqueza em biodiversidade continua lá, recuperando-se a cada ano, mantendo sua grandeza sem grandes mudanças, apesar da grilagem e pilhagem por intermédio das inúmeras “ONGs” criadas através de interesses de uma parcela política que ainda vive nas sombras, torcendo contra o Brasil.

Finalmente temos uma administração que resolveu desmistificar estas informações quase sempre desencontradas e falsas. Acredito que em pouco tempo poderemos explorar, de forma responsável, a imensidão de riquezas minerais que estão no solo amazônico, a real e obvia motivação de tantos interesses internacionais.

Esses ativistas de araque não querem proteger a mata, eles querem o que está abaixo dela, o Nióbio por exemplo.

Adorei o comentário a respeito da “mocinha sueca”, figura inútil de um mundo que fala de um assunto e pensa em outro.

Acredito muito no Brasil e na determinação em colocar o Exercito Brasileiro a serviço da proteção da nossa Amazônia.

Ainda esse ano visitarei novamente a Amazônia, através da ADESG, para rever pessoalmente a magnífica dimensão desse santuário ecológico.

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A CARTA

Há muito tempo, neste mesmo reino que ainda vivo, e pretendo continuar por muitos anos ainda, eu cantava no teatro municipal de São Paulo, participava dos programas televisivos da TV Cultura, TV Record e TV Tupi.

Naquela época, as cartas eram escritas a mão ou datilografadas em vistosas maquinas Remington, era a forma habitual de comunicação entre as pessoas. Nossos pais, quando completávamos 14 anos, nos “presenteavam” com um curso de “Mecanografia”. Tenho guardado o diploma até hoje.

Alias o curso de “Mecanografia ou Datilografia” parecia mais uma sala de torturas, você era obrigado a copiar textos pendurados ao lado das antigas máquinas de escrever sem olhar para as teclas, pois as professoras colocavam um anteparo sobre a máquina.

Algumas escolas tinham o cruel requinte de pintar as teclas de preto deixando-as completamente sem identificação. Quando terminávamos a copia da folha, erguíamos a mão e a criatura nefasta vinha para corrigir o exercício. Mais de cinco erros, repetia tudo... Ufa que castigo.

Na década de 70/80 o romantismo ainda estava em uso, os homens sempre bem vestidos e galanteadores eram mais numerosos do que hoje.

Eu namorava um delegado de policia que também era cantor lírico, classificado como tenor. Cantávamos juntos nas TVs e Teatros, chegamos a encenar Operas e Operetas, a vida cultural era intensa.

Nosso círculo de amizades era extenso, ele, meu namorado, tinha uma amiga muito famosa que todos nós com certeza já ouvimos e admirávamos. Isaurinha Garcia morava ao lado da casa do José.

Certa vez ela nos convidou para uma festividade musical em sua mansão. Confesso que fiquei encantada com o que vi, eu era muito jovem e, já me deslumbrava com histórias vividas bem como com as decorações dos ambientes que eu freqüentava.

As inúmeras fotos muito bem enquadradas e distribuídas pelos ambientes davam uma pista do muito que aquela dama da musica popular já tinha vivido. A coleção de troféus, medalhas e honrarias era imensa. A mansão da Isaurinha transpirava vida e arte.

Após os comes e bebes todos os presentes se dedicaram a cantar, ora um, ora outro, lembro-me de ter cantado a música Fascinação. Eu e o José, em um dueto, interpretamos “Brindisi” da Opera La Traviata.

No encerramento da inesquecível noite, Isaurinha brindou a todos com a música “Mensagem” e sua celebre estrofe inicial “Quando o carteiro chegou, e meu nome gritou...”, foi espetacular, seu sotaque italiano valorizava muito suas apresentações.

Até então eu não tinha presenciado ninguém cantar assim, com tanta emoção, sua voz vinha da alma, foi maravilhoso ouvir essa interpretação ao vivo e tão perto, Isaurinha na época devia estar com aproximadamente 60 anos.

Em agosto de 1993, já casada com o Milton há nove anos, recebemos a noticia do falecimento da grande Isaurinha Garcia, a “Personalíssima”. Milton também gostava muito de ouvi-la, alias como todos os paulistanos e principalmente os descendentes de italiano. Como publicitário, Milton chegou a desenvolver vários trabalhos para ela.

Registro a minha admiração pela notável Isaurinha, uma das maiores personalidades da Música Popular Brasileira.

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ASSASSINATO NO VELÓRIO

Aconteceu, para variar, na saudosa Vila Industrial em Campinas, foi um caso de Polícia que teve um desfecho trágico lá pelos idos de 1920. Quem me contou foi minha vó que, adorava contar histórias.

Naquela época, a Vila Industrial era o ponto mais periférico da cidade de Campinas, mas os lendários bondes já circulavam pelos poucos bairros da Cidade, unindo-os e facilitando a comunicação entre eles.

Em 1919, portanto cerca de 100 anos atrás, aconteceu um belo e requintado casamento lá na Catedral, unindo famílias italianas tradicionais da cidade.

Os noivos eram bonitos e irradiavam felicidade por todos os cantos. Foi uma belíssima festa que durou quase uma semana, bem no estilo italiano.

O noivo trabalhava no transporte de material de construção para a empresa do pai e viajava muito. Já a noiva cuidava da casa e costurava muito bem, atendendo toda a vizinhança. Era um casal perfeito para a época, mas, depois de certo tempo, a moça percebeu que o marido, em razão das constantes viagens, ficava mais ausente do que o esperado e, para fugir da solidão, ela começou a sair também.

Começou a fazer o roteiro dos bondes, das praças e das igrejas e, numa dessas ocasiões, ela passou pelo Colégio Culto à Ciência e viu o sobrinho de seu marido que, naquela época tinha 16 anos. Era um Belo ragazzo que, com entusiasmo, apresentou a sedutora tia aos seus colegas. Daí surgiu uma atração de ambas as partes, que evoluiu rapidamente.

E assim, o rapaz e a tia começaram a viver uma perigosa historia de amor. A música, aliás que me vem à mente nessa fase da história é, exatamente, a do premiado filme "Verão 42", The Summer Knows, uma música belíssima, mas, ao mesmo tempo, melancólica e triste.

Durante algum tempo, o casal viveu uma aventura apaixonada, longe de tudo e de todos, mas, tiveram que interrompê-la com a chegada inesperada do tio. Foi, por pouco que o mesmo não pegou os dois amantes num cinematográfico flagrante.

O rapaz ficou tão assustado que até foi morar em Jundiaí com outros membros da família. Naquele mesmo dia, o tio, sem desconfiar de nada, ao procurar meias novas na gaveta do criado mudo, encontrou um belo relógio masculino, que ele ocultou de todos, inclusive da esposa. Na verdade, ele sabia, por experiência própria, que, como ele, a mulher também o havia traído, "quem usa cuida". Começou, então, a usar, ostensivamente o tal relógio em todas as ocasiões. Ficou, realmente, obcecado pela busca do dono do tal maldito relógio. Assim, depois de algum tempo, num Velório lá no Cemitério da Saudade, por ocasião da morte de importante membro da família, todos estavam presentes, uma família imensa, que chegou de várias cidades da região.

Na madrugada, enquanto tomava café, o jovem sobrinho, recém-chegado de Jundiaí, inocentemente reconhece seu relógio e pergunta ao tio em que lugar ele tinha encontrado aquele relógio tão bonito.

Nos dias seguintes e durante muito tempo, o assunto ficou em evidência todos falavam daquele homicídio horrível ocorrido durante um Velório na Saudade.

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A INVEJA MATA

Ana, minha avó materna era uma eximia contadora de “causos”. Certa ocasião, eu, sempre atenta, escutei a história de amor que ela contava para uma comadre.

Tratava-se de um casal do bairro, José e Maria, que, devido às circunstâncias de vida, moraram com o Avô e uma tia de Maria. A história que ora reproduzo aconteceu de fato, foi trágica, mas, teve um final feliz.

Maria, mulher muito bonita, terceira filha de uma família católica, casou-se com José, um modesto trabalhador de uma fabrica da cidade.

José era motorista e, no início da década de 40, trabalhava numa das grandes fabricas da região. O trabalho exigia muito e o fazia ausentar-se de casa por muito tempo. Maria ficava só, em companhia do avô e da tia.

Por vezes, uma das irmãs da tia, que morava em São Paulo, durante sua visita à casa, e, percebendo a solidão de Maria, convidava-a freqüentar as divertidas tardes do Jóquei Clube de Campinas, onde alguns primos eram Jóqueis. E assim passavam o tempo entre um chá e boas conversas.

Não sabe de onde e por quem, José ficou sabendo de modo distorcido e maldoso, desses passeios de Maria.

Em um belo final de tarde, o avô, a tia e a Maria estavam reunidos no jardim da casa, quando José chegou de repente. Enraivecido, e sem dizer uma palavra, sacou da pistola e disparou dois tiros à queima-roupa em Maria, descontrolado, apontou a arma para o avô e disparou outra vez, para a sorte do assustado idoso, o tiro falhou.

Confusão estabelecida, polícia, hospital e cadeia...

A vida seguiu seu ritual, Maria, apesar da gravidade, sobreviveu milagrosamente, o José amargou longos anos na cadeia da capital. Encerra-se assim a parte trágica da vida de ambos.

Ainda na cadeia, José recebeu a visita de Maria, que através da ajuda da irmã da tia e parentes influentes, conseguiu autorização das autoridades da época.

O reencontro, mesmo separado pelas grades e pela tragédia foi emocionante. Maria acabou por perdoar José. Neste momento a vida de ambos começou a mudar.

A tia de Maria casou-se e, foi morar em outra casa do bairro, quando soube que José tinha saído da cadeia e reatado o casamento com Maria, convidou-os, com a anuência do marido, à  morar em uma pequena casa nos fundos de sua propriedade.

A fase feliz da vida de Maria e José teve finalmente seu inicio. Com o apoio da tia e do marido, José retornou a sua profissão e, viveu muitos anos em companhia de Maria.

Não tiveram filhos, mas viveram intensamente suas vidas, ajudando sempre que possível o casal que lhes deu abrigo.

Maledicências a parte, foram na verdade vítimas da inveja de outros. O Amor consegue ser ao mesmo tempo passional impetuoso e neste caso, o amor retornou as suas origens sendo apenas amor vencendo a tragédia.

Nada melhor que o tempo para acomodar verdades e revelar mentiras. Quando se tem amor por alguém e fé em Deus tudo, mas tudo mesmo acaba sempre bem!

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A MARCA

No ano de 1972 eu fazia estágio numa concorrida e famosa Clínica Psiquiátrica de São Paulo, localizada no sofisticado Jardim América, um dos endereços mais tradicionais da cidade.

A Clínica ficava em frente do Clube Paulistano e, estrategicamente, nem precisava de qualquer tipo de propaganda para ter uma numerosa clientela. Assim, para mim, era um excelente aprendizado, participar desse estágio, nessa área bastante complexa do conhecimento humano.

O número de pacientes variava de 10 a 15 e a sessão conduzida por um Psiquiatra e, onde eu atuava como "ego auxiliar”, minha função era de dramatizar situações vividas pelos pacientes. A sala, onde as sessões ocorriam, dispunha de um palco redondo, onde as dramatizações aconteciam.

Psicodrama é uma Terapia que utiliza os recursos do Teatro, e da Música para conseguir a tão esperada "Catarse" e, consequentemente, uma mudança na vida e do sofrimento das pessoas.

É óbvio que tudo pode acontecer numa sessão psicodramática e, às vezes, infelizmente, tanto para o bem quanto para o mal. Contudo, durante os anos que me dediquei a esse trabalho, pude testemunhar que o saldo foi bastante positivo.

Assim, um dos casos mais emblemáticos que vivenciei, naquela clínica foi de uma belíssima senhora de 40 anos, que sempre vestia roupas luxuosas e, se cobria de joias valiosas. Essa senhora se apresentava e falava, como se fosse uma estátua viva, sempre apoiando todos os pacientes que subiam ao palco para as dramatizações.

Ela nunca faltava às sessões semanais e nunca perdia o controle nem da voz, nem do corpo e nem dos sentimentos. Para o Psiquiatra, que conhecia a história da tal senhora, tudo aquilo teria que ser cuidadosamente desmontado.

E, isso, realmente, aconteceu.

Numa das sessões, eu fui orientada a fazer, sozinha no palco, uma sequência dramática. Isso aconteceu depois da chamada fase do aquecimento emocional onde o Terapeuta ouve e analisa as considerações e os problemas de todos os presentes naquela sessão. 

Sem falar nada, subi ao palco e me coloquei em posição fetal durante algum tempo. Sabemos que a posição fetal, de "estátua" e, também, o "silêncio" são, às vezes, mais terapêuticos do que discursos repetitivos e enfadonhos. Nesse momento, comecei a cantarolar, em boca "chiusa" uma conhecida canção de ninar.

À medida que cantarolava, eu percebia que as pessoas começavam a chorar, finalmente, me levantei e simulei que havia sofrido um tiro acima do peito. Era a história dessa jovem, bela e rica senhora. Ela havia traído o marido e, estava no início de uma gravidez. O marido, ficou sabendo e, matou o amante e, tentou matar a esposa, mas o tiro, que quase acertou o coração dela, tinha deixado uma marca.

Ela quase morreu, mas, conseguiu sobreviver. O marido, apesar da ação dos advogados e de todas as atenuantes, não se safou da cadeia, mesmo alegando a tal "legítima defesa da honra", que era muito utilizada, em casos como esse.

Depois dessa sessão, carregada de tantas emoções, a jovem, bela e rica senhora passou a se vestir de maneira mais descontraída e com roupas decotadas, onde a marca da bala sempre era visível.

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BIENVENIDO GRANDA

Perfumes quase sempre são partes de nossa memória. É evidente o quanto determinados perfumes marcam nossas lembranças e foi para mim, mais uma vez, o catalizador de outro salto na minha memória de vida.

Lembrei-me de minha primeira viagem à Cuba nos idos de 1986, poucos anos após a morte do grande Bienvenido Granda – “O Bigode que canta”. Naquela ocasião o regime centrado na figura de Fidel Castro estava no seu auge, onde a liberdade não existia, nem mesmo para os turistas.

Nesta viagem eu integrava uma comitiva de Professores(as) e funcionários(as) da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo, a qual eu fazia parte.

A música de Bienvenido Granda era ouvida fortemente, isso mostrou-me o quanto o povo o admirava e, foi neste clima musical saudoso e intenso que participei, de um congresso sobre Educação Artística, patrocinado pelo governo de Cuba, onde tive a oportunidade de cantar música brasileira em vários momentos e solenidades do congresso.

O hotel que todos nós, congressistas, ficamos era bem simples, com evidente falta de manutenção e mobiliário decadente, porem todos nós sentíamos uma suave flagrância de Gardênia que impregnava o ambiente fazendo-o mais acolhedor.

Contudo, era doloroso para todos nós, ver e sentir a miséria nos arredores do hotel, isso me chocou profundamente.

Mas essa realidade não afetava, de modo algum, a grande quantidade de artistas revelados neste mesmo povo, faminto e sofrido. É certo que tão logo a fama atingia o artista cubano, este, imediatamente saia do país para viver sua carreira, sem, no entanto, esconder o profundo amor que sentia pelas suas origens.

“O Bigode que canta” seguiu seus pares, fez muito sucesso, falecendo na Cidade do México em 1983 aos 67 anos.

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INDIMENSIONÁVEL ROUBALHEIRA

O ano de 2003 foi um marco divisório da ladroagem no Brasil. Antes, tínhamos ladrões de galinha, e, a partir dessa data o roubo passou a ser institucional, e, na casa dos bilhões.

Como muita gente, eu atribuo ao modo de pensar e conduzir do empossado Presidente da época que soube usar o poder das urnas para implantar neste pobre país, a liberdade de ação dos corruptos e golpistas de toda espécie, que, compunham em sua maioria, seu círculo mais íntimo de amizades.

Durante muitos anos, a figura do ladrão de galinhas figurava como folclore, assimilada de forma inocente e engraçada pela população em geral. Não que não houvesse nas entranhas do então poder, constituídas ações abomináveis de desvios do dinheiro público. O que o partido e esse “Senhor” fizeram, foi atacar o pote com uma sede até então inimaginável.

Desviar o dinheiro público, favorecer os “amigos” passou a ser coisa comum. Pobre ladrão de galinhas...

Na Vila Industrial, onde tenho boas lembranças de minha infância, era muito comum as famílias manterem em seus espaços um cercadinho com galinhas e patos. Era muito bom, ovos frescos, boa carne, a vida era uma poesia. Os ladrões de galinhas, claro, se aproveitavam disso com facilidade.

Fazendo um paralelo os corruptos e aproveitadores da república se apropriaram primeiramente das técnicas do nosso folclórico ladrão de galinhas e criaram diversos procedimentos para lá de comprometedores, aperfeiçoaram a técnica e quase quebraram o nosso Brasil.

Os tempos são outros, vislumbramos um extenso túnel, caminhamos através dele, seguindo uma luz que nos dá a esperança de um Brasil mais justo, mais igualitário e pujante em suas ações internacionais.  Acima de tudo, eficiente e descomplicado, sem as ideologias de governos anteriores que atrasavam nosso desenvolvimento.

Esse pessoal do passado sombrio, apoiado por uma impressa omissa, tenta atrapalhar de toda a maneira, o nosso futuro, faz-me lembrar uma celebre frase:

Os Cães ladram, mas a caravana continua a passar! Brasil em rota para o futuro, finalmente!

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HOMEM x MULHER

Estatisticamente a mulher vive mais que o homem e, hoje em dia, é maior o número de viúvas disponíveis e, em condições, do que viúvos dispostos.

É cada vez mais frequente você ouvir:

“- É meu segundo casamento” e, quando você ouve: “- Estou no meu terceiro casamento”, como uma vez disse, entusiasmado, o meu professor de informática, você retribui com um sorriso entre os lábios e, absorve rapidamente a informação.

Afinal estas frases tornaram-se mais comuns nos dias atuais.

A idéia de “unidos para sempre” na alegria e na dor... parece ter ficado no passado, hoje em dia ninguém mais segura à onda de ninguém. As renovações entre os casais continuam, às vezes de forma mal resolvidas, mas continuam a acontecer.

Quando eu trabalhava como Psicóloga (esse ano completo 50 anos de formada), atendi inúmeros casais em crise, utilizando as técnicas do Psicodrama, e que eram muito dramáticas por sinal.

Na época as pessoas se preocupavam mais em manter seus relacionamentos, e fui responsável por proporcionar soluções satisfatórias para os casais. Consegui preservar mais relacionamentos, do que separações. Defendi Mestrado abordando este assunto em 1982.

Tenho conversado com colegas que fazem esse tipo de trabalho e todos eles concordam que, na maioria dos casos a separação ocorre, mas quando isso acontece, é de forma mais branda. Esses profissionais contabilizam esses desfechos como solução.

Violências extremadas sempre aconteceram, continuam a ocorrer, mas, a diferença é que sabemos delas com mais detalhes e rapidez, o que, a meu ver, só aumenta a chance de virar “moda”, o que repudio de forma veemente.

Ressalto a importância dos colegas da Psicologia que atuam, quando requeridos, de forma eficaz e segura, evitando danos irreversíveis, principalmente para as vítimas inocentes desses dramas: Família e filhos.

Ainda temos os casais que, por não viverem em harmonia, acabam por, mesmo de forma unilateral, optar por viverem pequenos romances.

A história, aliás, registrou vários desses exemplos em que muitas vezes, o pequeno romance tomou o lugar do principal.

De forma geral o livre arbítrio não deve ser objeto de críticas e julgamentos.

Você é responsável pelo que faz, acho que, no momento que as coisas não vão bem, o melhor é, de forma ordeira, se possível com a ajuda de profissionais, cada um seguir o seu caminho.

A crescente igualdade entre Homem x Mulher explica a diversidade atualmente em curso. Nossas avós encaravam a filha desquitada, como um problema, a sociedade em sua crescente evolução mudou esse panorama.  

O fim de um relacionamento nunca será simples e sem dor. Magoas e ressentimentos sempre farão parte da vida futura do casal, e, como aceitar e viver com isso irá depender de cada um.

Quando necessário a presença do Psicólogo contratado para ajudar o casal fará toda a diferença no desenrolar da vida de cada um.

Hoje aceitamos melhor os rumos incertos de alguns relacionamentos, os filhos já encaram isso com mais naturalidade. E são os primeiros a exigir amor e respeito.

Concluindo: Respeito é bom e é fundamental!

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GOIABEIRA E BIRIBINHAS

Passei parte de minha infância morando em uma fazenda, nas proximidades do atual shopping das Bandeiras. Na época, aquele lado da cidade de Campinas terminava na Vila Teixeira.

A Via Anhanguera fica bem próxima da vila Teixeira, aliás, Anhanguera é um termo da língua tupi-guarani que significa “Diabo Vermelho” título recebido pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, que foi o responsável pela abertura do caminho pelas matas entre São Paulo e Campinas, nos idos de 1776, o que veio a originar a nossa SP-330 atual.

Diz à lenda que a Bandeira liderada por Bartolomeu Bueno procurava ouro entre os indígenas da região, e, para convencê-los a entregar o ouro, o “Diabo Vermelho” ameaçou colocar fogo nos rios, para isso colocou cachaça em uma vasilha e ateou fogo. O truque apavorou os índios que até então negavam a entrega do ouro.

Tenho doces recordações do pomar que tínhamos na fazenda, eu adorava frequentá-lo, principalmente as inúmeras goiabeiras e seus maravilhosos e suculentos frutos, vermelhos e brancos. Morávamos na Vila Industrial e, para irmos até a fazenda, meu pai nos colocava em seu carro, um pequeno, mas charmoso Prefect.

O carrinho era muito popular no Brasil, foi fabricado no período de 1938 a 1961, representava o que hoje chamamos de carro popular, era pequeno e fazia jus ao ditado “Devagar se vai ao longe” e por ser tão popular recebeu o carinho apelido de “Biribinha”, creio eu, que devido ao peculiar barulho ao ligar o seu motor.

Nossas viagens para o litoral eram uma aventura, o carrinho sempre valente, deu conta do recado, meu pai adorava esse fordeco, tenho histórias inesquecíveis em que o carrinho foi testemunha ocular, atravessávamos pequenos riachos com o Biribinha e, às vezes precisávamos descer, para aliviar o peso e desencalhar o valente.

Certa ocasião encostamos o carro na areia da praia, meu irmão pegou na cesta de pic-nic da minha mãe alguns pedaços de pão e, com a minha ajuda picamos tudo e jogamos os pedaços em cima do carro. A cena que assistimos foi muita bonita, o Biribinha sumiu entre as famintas gaivotas que se juntaram para comer os nacos do pão.

Minha mãe que tinha ficado brava com “o roubo do pão” se divertiu com a movimentada cena. Fomos para o mar.

Passado algumas horas, em que nos entretínhamos em nossas brincadeiras, alguns pescadores correram para avisar o meu pai que a maré estava subindo e, o Biribinha poderia ser levado pelas ondas e virar abrigo para caranguejos e peixes.

Não confundir Biriba com Birita, o Biriba nos levava até a fazenda ou para a praia, lá meu pai, os tios e amigos tomavam as Biritas, e assim a vida seguia em sua simplicidade, ai que saudade desses tempos.

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A TRAGEDIA DE VIRACOPOS

Meu Amigo Antônio Contente é um dos cronistas do Jornal Correio Popular de Campinas, ao ler tempos atrás, sua crônica: “De aviões e Jornalistas” e, após breve pesquisa no google, levantei mais detalhes da tragédia de 1961 em Viracopos, 60 anos atrás.

O avião, um Comet 4, primeiro jato comercial da aviação civil, tinha entrado em serviço em 1952, e, devido a dois acidentes graves causados por falhas estruturais do projeto foi sendo, gradativamente, substituído por modelos mais adequados. Em Campinas o acidente, segundo apurado, foi por falha humana.

Identificou-se que o copiloto recebia instruções do piloto, e não conseguiu controlar o avião, que acabou caindo e matando as 58 pessoas a bordo.

Meu tio, à época, fotografo do Correio Popular, também esteve no local para fazer a sua cobertura e, contava detalhes da tragédia ao meu pai e a toda a família, eu tinha 13 anos, e lembro bem dos relatos.

Meu tio, ficou chocado com a cena que presenciou: Curiosos aproveitaram, da confusão para “coletar” pertences de valor que estavam espalhados por todo lugar. O que chamava a atenção era a grande quantidade de perucas, das mais diferentes cores rolando ao vento. Um macabro espetáculo, digno de um filme de Federico Fellini.

As perucas e as joias representavam o charme e a pujança de uma Sociedade Argentina, que, na época, gostava muito de comparar-se à Sociedade Europeia.

O acidente foi uma exceção na história de Viracopos, que é um aeroporto que dificilmente fecha por problemas climáticos e, atualmente, operado pela iniciativa privada, destaca-se no cenário nacional e internacional.

Viracopos conquista a cada ano mais recordes de público e gradualmente cresce, melhorando a cada dia o conforto oferecido aos passageiros, além de ser o principal e maior aeroporto de cargas do Brasil, é considerado o segundo maior no mundo.

É um orgulho para a cidade de Campinas, que com seus mais de 1.200.000 habitantes é maior que diversas capitais Brasileiras.

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O CARNAVAL DA VILA

A Vila Industrial (um antigo e tradicional bairro de Campinas), lá pelos idos de 1930 foi o cenário de uma das muitas histórias que minha avó, que sabia de todos os casos, costumava contar para nós, está ocorreu no desfile de Carnaval de rua daquele ano.

O sr. Giovanni Braciolla, era um italiano muito alegre, brincalhão, cantor amador de óperas nas horas vagas, e muito mulherengo.

Ele era casado com Gabriella Braciolla e, tinham 10 filhos, um por ano, uma escadinha que ele tinha que dar duro para sustentar, mas, naquela época, sem carros, sem luxos, sem TV, sem internet e sem pagar escolas, o italiano até que se saia muito bem.

No Carnaval daquele ano, o Braciolla resolveu mudar o foco, ou seja, resolveu ver o tal "Carnevalle Brasiliano", pois os amigos diziam que tinha muita mulher pelada, lança perfume, bebida, música e alegria.

Assim, ele inventou para a mulher, que tinha que trabalhar, ou seja, ir buscar mercadoria com seu caminhão e, portanto, ficaria fora por três dias, a pobre Gabriella, cheia de filhos para olhar, nem mesmo prestou atenção na cidade que o marido falou que estaria.

Na verdade, ela até ficou feliz porque poderia ver o Carnaval de Rua da Vila Industrial, o melhor daquela época, na cidade de Campinas. Aprontou os 10 filhos e lá foi juntamente com minha avó que também levou os filhos e lá ficaram encantadas, com o Carnaval e os carros alegóricos.

De repente, um dos filhos da Giovanna. que tinha 12 anos, ao olhar um carro alegórico em homenagem às belezas da Itália reconheceu, apesar da fantasia e da máscara, seu pai, o Braciolla, e saiu correndo na rua, subiu no caminhão e abraçou o pai que, emocionado, retribuiu o gesto com um beijo.

O guarda interrompeu a cena, devolvendo o garoto à mãe que o repreendeu pela atitude. e, comentou com minha avó: "Que pena o Braciolla não estar aqui".

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ROSINEIDE DAS FITAS COLORIDAS

Já há algum tempo, eu brinco de escrever. Os textos são, quase sempre, fatos que vivi na minha vida, este eu vivenciei nos idos dos anos 60 enquanto participava das atividades da Igreja Católica nas proximidades da minha casa. A Ilustração é do meu professor de informática.

 

Abro o baú das minhas lembranças e eis que vem a memória a figura da Rosineide (nome fictício). Uma jovem que frequentava, nos anos 60, a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Botafogo em Campinas.

Muito devota de Santo Antônio, ela acreditava piamente no poder casamenteiro do santo. Naquela época, ainda adolescente, eu frequentava e cantava nas missas da paróquia e a Rosineide sempre por lá estava.

Ela fazia questão de participar de todas as equipes, associações, eventos e festas patrocinadas pela Igreja. Era costume, na época, diferenciar as equipes da comunidade com fitas coloridas e a Rosineide tinha fitas de todas as cores, e, as usava como parte da indumentária nos dias em que essas associações e equipes se reuniam.

Vestia-se sempre de preto ou branco para melhor destacar as fitas coloridas: Marrom era Santo Antônio, amarelo representava São José, azul eram as filhas de Maria, a cor vermelha era reservada para o Sagrado Coração de Jesus e assim por diante.

O fato é que ninguém sabia ao certo como vivia a Rosineide, se tinha ou não namorado e pouco se sabia de sua família. Era certo que sua vida social se resumia nas atividades paroquiais.

Um dia, a paroquia, foi impactada pela “barriguinha” da Rosineide, que por ser magrinha, qualquer caroço de azeitona salientava o ventre, entre fofocas maldosas e muita curiosidade.

Passou alguns tempos e a paroquia foi surpreendida, na manhã de um dia de missa, por um pacote deixado no primeiro banco da igreja, onde podia-se perceber uma carta endereçada a toda comunidade.

A carta, muito alegre noticiava que a Rosineide estava mudando-se de Campinas para uma cidade do interior de um estado vizinho, onde, segundo a carta, a feliz gestante anunciava o casamento com um prospero e viúvo fazendeiro.

No pacote todas as fitas coloridas, que ela usava nas atividades da Igreja, com um agradecimento fervoroso ao santo casamenteiro Santo Antônio.

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RECORDAÇÕES DO LAGO DI COMO

Conheci o famoso Lago di Como, sobejamente retratado em prosa e versos como uma das atrações imperdíveis para se ver na Itália. Um lugar que precisa estar no seu roteiro de viagem, o lago é enorme, fica a 40 km de Milão, e uma das muitas cidades que ele banha é Lecco.

Carlos Gomes viveu lá grande parte de sua vida, num majestoso palácio que hoje abriga um conservatório, a cidade de  Lecco é cidade-irmã de Campinas, desde 2017.

Muitos filmes retrataram o Lago di Como, entre eles: “O amante” com Laura Linney, Liam Nelson e Antonio Banderas de 2008, uma bela trama de suspense, traição, morte e perdão, muito convincente, apesar de um tanto fantasiosa.

Mas, a vida, sempre nos reserva fantasias a todo momento, Puccini se inspirou no Lago di Como, para criar o “coro da Boca Chiusa da Opera Madame Butterfly”, uma obra de extrema sensibilidade e pureza.

Em especial “Le Lac di Como”, música em estilo “noturno” para piano, uma bela e conhecida composição assinada por uma francesa com o codinome “Mme Galos”, retrata magnificamente a placidez desse imenso paraíso.

O lago foi palco, também, de muitas tragédias, uma delas aconteceu na casa em que morava o compositor operístico Giacomo Puccini em 1908. Doria Manfredi, uma jovem criada do casal Puccini, foi acusada pela esposa Elvira de ser amante do compositor. Inconformada a jovem suicidou-se nas águas do Lago di Como, a família da jovem, realizou uma autópsia e constatou que a pobre moça morreu virgem.

Elvira, processada pela família da jovem, teve que arcar com a indenização. Com certeza o fato inspirou Puccini a compor o “coro da Boca Chiusa”.

Um dos mais famoso e belo lagos do mundo, especialmente para férias românticas e casamentos, onde os artistas, a gastronomia, a arte, a cultura e a beleza da natureza se mesclam em cenários dignos de sonhos e filmes famosos.

Conheci Milão e seus arredores e concordo com a beleza desse inspirador lago e dos muitos casos de amor que nasceram e lá morreram. Quando as pessoas viajam sozinhas tudo pode acontecer tanto no amor como no campo profissional.

Acho que já esqueci o número de vezes que viajei sozinha mundo afora e, nesses tempos de Pandemia, confesso sentir saudades dessas viagens. Conforta-me vez ou outra as lembranças que minha mente, como num passe de mágica, me revelam entre um café ou olhar perdido no horizonte do lugar em que estou.

É muito gratificante saber que nossa mente fotografou tantas aventuras e experiências de modo tão detalhado. Acabo sempre emocionada, ao planejar uma nova viagem, mais uma vez sozinha para rever Milão, Lecco e o Lago di Como e, depois partir para Veneza, que considero uma das mais belas cidades do mundo.

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TRANSLOUCADO GESTO

Suicídios sempre ocorreram, mas, parece que nessa Pandemia, os tresloucados gestos, que sempre apareceram no cenário das tragédias humanas, agora, estão ainda mais presentes, ou seja, os inúmeros casos de suicídios que ocorrem.

Existe um acordo, em que a mídia, sempre sedenta de péssimas notícias, não divulga os suicídios, e, é melhor que seja assim. Eu me lembro que, na Vila Industrial, onde morei até os 11 anos, havia um belo bosque com uma ponte sobre um riacho, e que frequentemente era cenário de crimes diversos e, também casos de suicídio.

Portanto, com tão pouca idade, convivi com essa triste realidade através das notícias que invariavelmente circulavam pelo bairro.

Provocar a própria morte de forma intencional é fruto de perturbações mentais e psicológicas, tais como: Depressão, desilusões amorosas, desastres financeiros, saúde em declínio, culpas impossíveis de serem assimiladas etc.

Quando viver torna-se um fardo pesado e insuportável, o ser humano, infelizmente, é capas de matar ou tirar a própria vida, das mais diferentes e cruéis formas. De 6,3% de suicidou em 2017 para os atuais 23,5% em 2020, organizações internacionais alertam para o problema.

No Brasil já é a 3ª maior causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos, o oitavo país com maior número de suicídios. O Japão é o primeiro, questão de honra ou de covardia? Quando um trem bala atrasa o horário em uma das inúmeras estações, o povo japonês já sabe que mais um suicídio ocorreu.

Conheci um jovem, que nos seus deslocamentos no trabalho, envolveu-se em um grave acidente, ocasionando a morte de dois adultos e uma criança, ainda no ventre da mãe. Este jovem não suportou a culpa e tirou a própria vida.

E assim, cada um de nós, conhece diferentes histórias do tipo, deve ser muito triste a família receber uma notícia dessas. Na música temos a inesquecível Opera Tosca de Puccini, onde a belíssima heroína após matar o perverso chefe da polícia local, constata que ele tinha ordenado a morte do seu amado. Inconformada atira-se no precipício.

Suicídio! Ato de covardia ou coragem extrema?

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GANHAR & NÃO LEVAR

Essa, sem dúvida alguma, é a pior praga na vida de um jogador.

Conheço várias histórias de jogadores dos mais variados estilos, dos mais comedido aos mais afoitos e, invariavelmente sempre tem aquele que, entre caprichos do destino, acabam por perder a sorte grande.

Gosto muito de jogar Tranca, Truco, Caixeta, Buraco, Poker, Xadrez e, principalmente, Bingo. Inclusive, é no Bingo onde mais me divirto e onde já ganhei Viagens aos EUA, Argentina, Chile e à Foz do Iguaçu, além de Geladeiras, Micro-Ondas, Máquina de lavar Roupas, Bonecas, Bicicletas e, até um "Fusquinha Básico".

Promovo e frequento quase todos os Bingos realizados na cidade de Campinas e adjacências e até em São Paulo já participei, inclusive de Bingos Milionários.

Mas, o que me doeu a alma foi o ocorrido, exatamente, há cerca de dez anos atrás. Estávamos eu, Milton, meu filho e minha nora em Las Vegas e, obviamente, o único jogo que eu me permitia jogar era nas máquinas, um joguinho inofensivo e baratinho.

Praticamente, sempre acabava em empate e o ambiente era agradável pelo excelente oxigênio que sempre era oferecido aos jogadores

Mas, em Las Vegas, tudo gira em torno da jogatina e, até na sala de embarque havia as tais maquininhas, sempre querendo tirar o que ainda tinha sobrado dos turistas na hora da despedida.

Assim, comecei a jogar, e depois de algum tempo, percebi que a máquina começou a apitar e o número 7 apareceu, solenemente, nas três linhas. Fiquei tão emocionada que, simplesmente, paralisei na tentativa de chamar alguém para me ajudar.

Nesse momento, minha nora Camila, me chamou para o embarque imediato.

Contudo, ao ver o desenho na tela, ao invés de chamar alguém, resolveu, ela mesma, mexer na máquina, acabando com a festa. A moça que fiscalizava a jogatina chegou a seguir e, naquele inglês americano de Las Vegas balbuciou simplesmente:

- What happened?

- I'm Sorry

- I Apologize

Enquanto eu protestava, minha nora me conduzia rumo ao embarque, confusa e decepcionada finalmente entendi o enredo da pequena tragédia:

GANHEI E NÃO LEVEI!

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MÚSICAS QUE CONSOLAM

Certo domingo após o feriado da Independência estava eu, no “doce far niente”, lendo jornais, zapeando a televisão, o cérebro praticamente em stand by, quando, as memórias mais antigas, em um movimento súbito, saltaram para os primeiros escaninhos de minha mente.

Na verdade, foram dezenas de memórias que desfilaram em um repertorio precioso de músicas que poderiam ser usadas como trilha sonora de filmes imaginários, ou simples fundos de um domingo de paz.

As músicas “O Apreço não tem preço” – Zimbo Trio, e mais dois tangos, “Hoje quem paga sou eu” – um tango na voz de Nelson Gonçalves e, claro, um tango argentino, “Esta noche me emborracho” com o incomparável Carlos Gardel.

Foram essas pérolas inesquecíveis que, muitos conhecem bem, e que poderiam servir de fundo musical para diferentes situações.

Como cantora, até entendo a dramaticidade do amor interrompido, mas como psicóloga, e vivendo no quase vigésimo ano do século XXI, não posso entender e, muito menos aceitar, a pouco criativa desculpa do “Bebo para esquecer”.

Não poderia faltar “Nervos de Aço” de Lupicínio Rodrigues, que no verso “Você sabe o que ter um amor, meu senhor..., desfila a sua dor pela mulher amada, nos braços de um outro qualquer. Também me lembrei de “Travessia” de Milton Nascimento, que para mim, como psicóloga, resume o tormento causado por um amor perdido.

Essa música conta uma dor intensa, durante a travessia, em busca de uma vida normal, de um novo amor. “Travessia” para mim é uma das mais belas criações da música popular brasileira, realmente uma obra de arte.

A música faz parte da minha e, por que não dizer, da vida de todos nós. As canções conseguem ilustrar toda as mais diferentes situações, fases e momentos que vivemos, retrata tanto a alegria quanto a dor, consegue nos acompanhar desde o útero materno até o fim.

Nossas lembranças funcionam melhor quando associadas à um sucesso musical de época. Viva a Música, companheira de todos os nossos momentos.

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OS SAPOS QUE POVOAM NOSSAS VIDAS

Quando eu morava no bairro Cambuí, na década de 80, era cliente de um dos bancos da Av. Júlio de Mesquita, onde tive a oportunidade de conhecer “o bonitão Borges”  (nome fictício), que atendia toda a clientela e era muito popular entre as clientes femininas, não só do Cambuí como de outros bairros famosos de Campinas.

Além de boa pinta, era simpático e tinha uma voz sedutora de Baixo-Barítono. O Milton, meu falecido marido, sempre me acompanhava e, observador como era, percebia todas as investidas femininas sobre o bancário galã, que era muito educado, respeitador e cavalheiro. Alguns maridos, mais ciumentos, com certeza, sentiam-se desconfortáveis, mas diante do comportamento irrepreensível do bancário, tinham que “engolir um sapo”.

Resolvi pesquisar algumas fábulas a respeito do assunto sapo. Notei que a simpática figura do anfíbio está presente em muitas delas. Achei curioso e, tenho absoluta certeza, de ser a figura do sapo a razão dessas escolhas. Assim, elenquei alguns desses títulos: "O Sapo e o Rato", "A Rosa e o Sapo", "A Onça e o Sapo", "O Sapo e a Bola", "O Sapo Bocarrão", "O Sapo e o Boi", "O Sapinho Surdo", "O Sapo e o Escorpião", e por ai vai.

Mas, não é somente de fábulas, que nosso imaginário vive, tem aquele desaforo que você as vezes recebe de graça e, ao comentar o fato com alguém, você diz: - Tive de engolir um sapo!

Tem o horrendo sapo barbudo, que é melhor deixar para lá. Quando o desaforo é muito grande você o cita, dizendo: - Engoli um sapo barbudo. Na hierarquia dos sapos, sapo barbudo é pior que sapo.

Mas nem tudo é ruim no país dos sapos, as cantigas infantis que o digam, que avô ou avó não brincou com os netos cantando:

“O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, E não lava o pé porque não quer.”

O Sapo Cururu, Cantiga do Sapo, O Sapo na Beira da lagoa e muitas outras divertidas cantigas.

Mas o Sapo, esse batráquio não uma exclusividade nacional. O bichinho é famoso no mundo inteiro, para o bem e para o mal, quem não assistiu uma vez na vida o famoso “The Muppets Show?

Até Andrea Boccelli cantou músicas de natal com toda a turma, inclusive com Caco, um falante e simpático sapo.

Quando essa pandemia terminar, quero convidas todos meus amigos do Café Filosófico e outras tribos para juntos, a beira da piscina, com uma exuberante natureza a nossa volta, degustarmos acepipes diversos, bebericarmos juntos celebrando a vida.

Estaremos com certeza, exorcizando todos os sapos que as vezes guardamos dentro de nós.

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FRATELLO SOLE, SORELLA LUNA

O Cinema produziu grandes filmes, muitos inesquecíveis, um desses filmes que me recordo, com frequência, é o filme que retrata a vida poética de São Francisco de Assis, um dos santos mais queridos da Igreja Católica.

Ele é respeitado em várias religiões, sendo um exemplo de ternura e paz.

Na minha casa, o santo ocupava lugar de destaque no altar que lá existia, sempre com velas coloridas e onde se rezava todos os dias. Minha mãe, católica praticante, sempre dizia aquela famosa Oração de São Francisco tanto nos momentos alegres como nas horas tristes de nossas vidas

"Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão......"

Em 1972, o famoso cineasta italiano Franco Zeffirelli, e que produziu esse filme retratando a vida de Francisco de Assis e a vida de Clara de Assis, e que viveram entre 1182 e 1226, ambos canonizados pela Igreja Católica, numa época marcada por guerras, doenças e sofrimentos.

Francisco de Assis, que nasceu numa família rica e teve uma juventude alegre e voltada às festas, num determinado momento, renunciou a tudo isso, e se tornou um ser totalmente desprovido de vaidades e de riquezas, apenas voltado a ajudar os pobres, os doentes, os leprosos, pregando o amor, a paz e a ternura.

Aqui onde moro e, tenho como vizinhos, amigos queridos, além de três sobrinhos, minha cunhada e netos, tenho visto paisagens inimagináveis de pôr do sol e, belíssimas luas de todos os tamanhos e, também, de todas as cores, ou seja, do branco prata ao alaranjado, especialmente, durante a madrugada.

Nessas horas, sinto a presença de Deus a me confidenciar que, apesar de tudo, ELE ainda está no Comando.

Amém!

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