RAQUEL BRAGA
PORTUGUÊS
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NOTURNO

Com as janelas da alma
Fito a janela do quarto
A noite ficou tão quieta
Que até o vento trancou-se.

Na palidez desse instante
Vislumbro teu vulto calmo
Um andar descompassado
Na direção dos meus olhos.

Teus olhos – faróis da noite
Desnudam-me insinuantes
E a roupa clara de lua
Flutua leve de sonho.

De fato, tudo é um sonho
Pura ilusão de saudade!
Febre que há tempo invade
Meu peito de falsas horas.

Lá fora, só o relento
E poucos faróis de carros...