MÔNICA VALÉRIA
PORTUGUÊS
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DEIXE SER TOCADO


Se São Tomás de Aquino se utilizou de Aristóteles, considerado um dos maiores pagãos de sua época, para trazer a encarnação de Deus na terra; com certeza um homem de sabedoria e de razão pode tanto tocar, como ser tocado por qualquer um. O que nos faz sentir a razão de ser e de se portar da outra pessoa, não é a essência do outro, mas a nossa. Aquilo que emana da nossa mais profunda razão de existir nos tira a possibilidade, ou nos lança em grandes possibilidades de aprender, até com os mais improváveis, a transformar todas as coisas que nos cercam, até mesmo as nossas mais profundas certezas imutáveis, em algo divino, sublime e mutável. Mas que pena é saber que todos nós; conduzidos de certa maneira, por nossas religiões malditas e benditas, por nossa educação puramente humana e falha, por nossas certezas absolutas, por nossos conceitos equivocados ou acertados; estamos perdendo na jornada a oportunidade única de aprender através do olhar do outro, e em como é belo o amor em toda a sua diversidade. Por que isso acontece? Porque bem mais fácil é se juntar aos iguais, pois, nisso não há nenhum desafio, nenhum confronto, mas, também, nenhuma magia.



ESPINHOS QUE MATAM

a uma vez um belo pássaro, que voava em busca de alimento. Cansado pousou para o descanso sobre uma imensa árvore. Lá de cima tentava alcançar com sua visão alguma flor, pois, sabia que ao redor da flor sempre era possível encontrar muitas sementes caídas pelo chão. Avistou do alto uma pequena flor. Voou até ela e bem de perto observou que seu bico não poderia alcançá-la, pois, estava rodeada por espinhos; eram grandes e pontiagudos; duros e imponentes; lustrosos e parecendo invencíveis. Notou que a flor não se desenvolveu; que ao seu redor não havia sementes. Naquele campo imenso observou a presença de algumas poucas flores, mas nenhuma semente. Notou que estavam murchas; outras secas; outras mortas. Aquele belo pássaro não tinha como se alimentar, pois, os espinhos não permitiam que ele se aproximasse. Os espinhos não permitiam que as flores gerassem mais sementes, que produzissem frutos que concedessem vida. Foi você essa flor sufocada pelos espinhos? Eles te fizeram amargurar, desistir e morrer em vida? É você essa flor murcha e sem vida por causa dos espinhos? Será você essa flor que não vai crescer por causa dos espinhos? Tem um belo pássaro que quer seu fruto; que quer suas sementes. Querendo leva-las em seu bico para outros campos. Para florescer, para multiplicar, para gerar vida.

Baseado na Parábola do Semeador.



“...não posso ficar só falando de meus companheiros. Ou das companheiras da minha cara-metade: a vida. Eu quero falar um pouco de mim e um pouco de minha Rainha, afinal, eu A sirvo. Em primeiro lugar quero dizer que não, eu não tenho foice, nem cara de caveira e muito menos fico usando preto o tempo todo. Santa falta de criatividade! Ah como eu odeio essa imagem de mim! Eu sou tão moderna, eu sou super atual; aliás, quero dizer que jamais saí da moda durante toda a minha existência. Eu não visto só preto; eu já sou magra por natureza, e o preto só piora a minha situação.Dependendo do país que vou visitar me visto com as cores da bandeira, e dependendo da crença de quem levo, ah como eu me divirto! Tem dança; comida; tem tanta coisa interessante. Me visto de todas as cores e me enfeito de todas as flores. Tem uns rituais incríveis. Amo quando as pessoas me recebem com festa. Bem, agora, Ela, a Rainha. Hum…o que eu poderia dizer a respeito de minha chefa soberana? Ah lembrei, nós duas temos uma coisa em comum. Uau, você deve estar achando que sou louca. O que a morte poderia ter em comum com a sua Rainha? Oras, é uma coisa muito simples: ambas somos ONIPRESENTES”.


A Morte.


REBRA-REDE DE ESCRITORAS BRASILEIRAS