IRENE KEMP
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
TEXTO

Eu sempre escrevi, desde muito nova relatava minhas experiências como se fosse um diário. Naquela época acredito que a doença já estava presente, mas ainda não manifesta, e quando eu não estava bem sempre escrevia e isso me ajudava. Depois do diagnóstico passei a buscar livros que abordassem a bipolaridade, com o intuito de me conhecer melhor, mas encontrei apenas um que me marcou, de uma psicóloga norte americana.

Percebi que tinha uma história semelhante e um material extenso já escrito, assim decidi montar meu primeiro livro para que as pessoas pudessem acompanhar os altos e baixos da vida de uma pessoa com Transtorno Bipolar. A repercussão da obra foi ótima e me incentivou a continuar escrevendo. Em 2019, 14 anos depois do primeiro livro, estou lançando a coletânea “Bipolaridade? Obras Reunidas”, que reúne meus três livros já publicados para que os leitores possam acompanhar a vida de um bipolar através de um material farto.

Obras Reunidas acontece pela compreensão da importância que o leitor terá conhecendo tão profunda história de alguém que recebe um diagnóstico e, junto, uma sentença de inabilidade para funções que requerem o uso da mente. A falta de conhecimento leva a sociedade a cercear os passos através do afastamento em algumas profissões. A convivência familiar na maioria dos casos leva ao caos. Entretanto, o leitor conhecerá uma vida em que o limite nem sempre é acatado e a transgressão é uma constante.

No estado de euforia vivenciei experiências maravilhosas, edificantes, repletas de muita sensibilidade, profundamente carregadas de uma fé inquebrantável no ser humano e num dia que está chegando repleto de paz e amor. Cada obra foi pensada em circunstâncias diferentes, e também escrita de formas diferentes.

“Estranha Vida”: Neste primeiro livro, narrei minha história na primeira pessoa e anexei cartas e textos escritos antes do ano de dois mil e dois.

“Nos Braços da Loucura”: Continuo a saga da minha história praticamente narrando meus altos e baixos, sempre escrevendo como forma de extravasar dores ou alegrias. Neste período escrevi muito, sempre colocando a data enquanto vivenciava os fatos.

“Bugigangas e Magia”: Pensando em mudar a forma de apresentar esta obra, escrevi-o em forma de um romance narrado na terceira pessoa. Entretanto busquei um recurso, uma brecha ainda anexando textos escritos.

Escrever pra mim é uma necessidade, é muito importante colocar pra fora aquilo que está dentro de você. Algumas pessoas fazem isso escrevendo, outras cantando, mas de alguma maneira é importante extravasar. Com meus livros tenho a intenção de ajudar não só as pessoas que estão passando por isso, para que elas possam se reconhecer, mas também amigos e familiares, para que saibam como ajudar, e a sociedade como um todo, que precisa quebrar muitos preconceitos e estigmas atribuídos aos bipolares.