VERA MARGUTTI
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
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Sou verde mata brasileira, sim, Senhor! Aqui nesta terra verde, de cheiros, de sol e cores, Sou fauna, sou flora, sou a diversidade na unidade. Sou madeira, fibra e celulose, sou o óleo essencial! Perfumo e embelezo, dou o toque, dou o norte e o sabor. Entrego-me, esparramo e derreto-me de amor. Sou a doçura do fruto silvestre e o aroma da amburana Do capim-limão, canela-silvestre e do babaçu, Sou a suavidade perfumada do pau-rosa e caju. Como as matas um dia fui virgem, inexplorada e nua. Hoje sou loba selvagem, senhora de mim, cheia de lua. Sou uma tigresa sedenta de carinho e afeto De reconhecimento, respeito, preservação e atenção. Na exuberância das cores e verdes, desbravo teu corpo. Sou teu alimento e remédio, teu encanto e teu adorno. Sou fera que domina e que te surpreende na rotina. Sou a riqueza e a beleza exótica que te excita Sou o encontro das águas que não se misturam Sou “amassunu” que sussurra aos seus ouvidos e declama Poemas doces, de carícias, gemidos e delícias. Sou selvagem e dócil, cheia de amor e frescor. Sou mulher da floresta e escritora da REBRA Sou verde mata brasileira, sim, senhor!