WALDETE DI ALVES
PORTUGUÊS
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Quantos destinos Quantos destinos se cruzam e se transformam em vários caminhos. E vão perdendo suas sementes, pelas estradas percorridas, que vão brotando ou simplesmente sendo comidas por pássaros ou outros famintos quaisquer, que vão devorando aos poucos o que se plantou lá no começo. Os sois e as chuvas, alimentam a pouca terra, que enraízam superficialmente as sementes perdidas, dentro de um processo meio doido, demente, frutificam lares de esperança em forma de crianças, E o trator do dia a dia, do trabalho, a falta de tempo, de olhares, de beijos esquecidos dentro da boca, desejos perdidos nos banhos, no relógio que impõe o amanhã e de repente o vazio. A vida descoloriu e os pares pararam, não sabem em que parte do destino perdeu seus caminhos e as malas cheias de amor. Saem da estrada, desgovernados, cheios de sonhos submergidos. Todos os caminhos que se abriram lá no começo ficaram tão distantes, com tantos finais sem saída, tantas portas abertas, desertas, tantas janelas de cara para o poente, quantos caminhos se abrirão novamente? Quantas sementes poderão ser colhidas nos desertos que sobram. Waldete Di Alves Tempo das floradas e das borboletas. Esse tempo todo que ganhei quando nasci Leva-me para algum canto da vida Mas,não revela o tempo que me falta, A ele falta sensibilidade, para que me mostre o tempo para o meu por do sol. Mas quando lá eu estiver Quero sentir o sabor de o meu chegar. Quero um entardecer iluminado. O céu rosado feito caldo de uvas apanhadas nas terras do meu coração. Muito zumbido de abelhas, muito mel, o canto dos cachorros e dos pássaros. Quero que meu tempo seja no tempo das floradas e das borboletas. Versos debulhados Os versos debulhados dentro da alma, perdidos entre desenhos e Oasis de uma vida projetada para a simplicidade do dia a dia. Quando os méritos foram deixados nos cabides dos armários, fechados as chaves da ignorância, onde a barriga e o bolso moravam no andar de cima e usavam as cadeiras do mais alto poder. Faltou luz, faltou conhecimento, faltou comida para encher a barriga dos sonhos, que não foram sonhados para longe, nem mais alto como se poderia. A barreira do agora foi criada a muito, como defesa e se perpetuou, marginalizando seus curumins em pífios seres. Faltaram letras e tintas para escrever e colorir um caminho com mais detalhes, voltados para sentimentos mais nobres. As nobrezas dos sentimentos passaram ao longo da fome dos abraços queridos e não plantados, longe dos olhares determinados, do vá em frente. Mas, o que estava lá dentro desses seres, ainda assim lhes servirão, nunca deixaram de cultivar suas sementes que de qualquer forma um dia florirão. Waldete Di Alves