ARA MITTA
PORTUGUÊS
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     Aziza passou a noite em claro. Traçou,enfim, um plano de fuga. Ela estava surpresa consigo mesma pela calma que sentia. Repassou minuciosamente na memória tudo o que sabia daquele mundo, sobretudo os detalhes importantes da sua geografia. Sabia que chegara àquele lugar descendo por um riacho que corria por dentro da cordilheira. Estaria a nascente do outro lado? Sim, provavelmente. Mas não tinha certeza, pois só deram com a via aquática, depois de estarem há mais de três dias a caminho. Todavia, seguir aquele riacho em sentido contrário parecia a maneira mais viável de encontrar o caminho de volta. Se não fosse assim, por que havia sempre uma embarcação disponível toda vez que era preciso baldear? Sim, aquele era certamente o caminho mais fácil e mais curto de se atravessar a cordilheira. Mas o grande problema continuava sendo reencontrar aquela via, no meio daquele mundo de águas. E como iria vencer a escuridão daquele túnel? Os serenos tinham os seus aposentos iluminados por uma dúbia, porém agradável meia-luz, mas, por mais que procurasse e analisasse, não descobriu de onde provinha a claridade e não encontrou nenhuma explicação plausível para a presença dela. E, em lugar algum, ela encontrou uma lanterna, lampião ou candeeiro. Não tinha nenhuma fonte de luz que pudesse levar consigo. Ela já não sabia mais quantas vezes acreditou ter encontrado a via aquática que percorrera e admirara ao chegar naquele mundo fantástico, mas todas se pareciam por demais e ela não conseguia ter certeza. De qualquer forma, estava decidida a se safar dali!
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