ODYLA PAIVA
PORTUGUÊS
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Desespero d’alma 

É sentir dor onde não dói.
É chorar sem lágrimas.
É cegar pelo sofrer.
É sorrir com lástima.

É pensar que nada vive.
É ter certeza da dor.
É esquecer de respirar.
É perder o amor.

É penar sem saber
onde está o coração,
posto que o perdeste
na tortura da solidão.

Do livro " Dores & Delírios "  -  2010



Confesso


É no mínimo assustador o que vai se desenrolando.
Parece que tudo corre a favor, e fica certo espanto de surpresa, porque nada disso era pensado e torna-se cada vez mais uma realidade palpável.
Claramente tem-se a ideia de que vai tudo continuar muito bem, mas penso que não será possível tirar tanta matéria-prima de um lugar que certamente tem seus limites.
Fico assistindo como se estivesse fora da roda mas isso não é verdadeiro.
Estou bem no centro e acho difícil permanecer nesse local.
Basicamente tudo depende do que faço ou deixo de fazer, e isso traz certa preocupação porque não tenho noção do quanto posso dar, sem restrições.
Ainda tenho muitas histórias para contar e gosto muito do que sai em forma de poesia.
Ocorre apenas que o controle sobre isso é precário...
Desde que tudo começou me sinto participante e ao mesmo tempo uma observadora de cada momento.
O espanto é sentido como se fosse algo concreto e vem abrindo caminho com uma força avassaladora.
Cada conquista, e estão começando a acontecer com certa frequência, tem sempre o sabor da primeira vez.
A emoção vem igual e a alegria pega de jeito e faz o riso correr solto como se fosse libertado de uma prisão sem paredes.
Existe uma regressão a infância, quando dá vontade de sair pulando, porque algo de muito gostoso está acontecendo.
Os frutos que começam a chegar trazem um prazer diferenciado e inédito, talvez porque nunca tenham sido experimentados antes, mas noto também que quantas vezes possam se repetir não têm o mesmo gosto.
Estranho.
Fica como se fosse a primeira vez.
Sempre! 

Do livro " Crônicas 1 "  - 2011