DYANDREIA PORTUGAL
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Cheguei aos 40... E estou feliz por isso!

Fiz quarenta anos, olhei para traz e gostei do que vi. Hoje, olho para frente muito mais animada que aos vinte. Já sei o que quero! Conquistei várias coisas que não imaginava e agora vou conquistar as coisas que imagino. Tenho certeza de que vou conseguir. Quando temos vinte anos não sabemos na verdade por aonde ir, como será, e o como conquistar. Mas aos quarenta, sabemos exatamente o que desejamos, sem dúvidas ou angústias.
Quando eu era criança, achava que ter sessenta anos era estar no final da vida, portanto aos quarenta era estar se encaminhando para esse final. Mas, surpresa! A expectativa de vida aumentou e eu já fui a dois aniversários de cem anos. Chegar aos oitenta, hoje é comum. Viramos o país da melhor idade. Não sei bem se no final da vida temos a melhor idade, mas com certeza aos quarenta somos felizes.
Aos quarenta as mulheres sabem se vestir sem pensar em agradar ao outro, mas a si mesma. Ela se arruma tendo certeza de sua capacidade. Usa a maquiagem, bijuterias e perfume na quantidade certa. Sinto-me muito mais interessante aos quarenta. Perdi a timidez natural e irresistível dos vinte, mas minha segurança me deixa muito mais atraente e sedutora. Hoje observo que minha pele não tem a firmeza dos vinte anos e que minhas espinhas foram substituídas por pintas, mas e daí? Gosto de cada uma delas, sinto-me mais feminina. Estou acima do peso ideal e detesto ginástica, mas me amo muito mais do que quando eu vivia para agradar ao outro e não a mim. Tenho consciência do que em mim é bonito e no que não é, e me acho linda! Altovalorização? Superego? Confiança demais? Sei lá, mas me sinto muito melhor agora do que antes, quando eu me achava totalmente fora dos padrões. Por mais que eu fizesse aos vinte, nunca era suficiente. Mas hoje tenho o meu próprio padrão. Tenho alta estima elevada e prefiro essa opção. É muito mais confortável.
Aos quarenta não queremos brigar com o mundo, apenas aproveitar o que de melhor ele nos tem a dar. Buscamos o prazer nas pequenas coisas e fazemos dos grandes acontecimentos, mais uma etapa conquistada e não o motivo de nossas vidas.
A mulher aos quarenta ama o seu homem sem medo de ser amada, pois sabe que se ele se for, apenas terá que troca-lo e sua vida não acabará por isso.
Ela conquistou seu espaço, já disse ao mundo seu ideal e que veio para ter sucesso em tudo que realiza, pois é segura de si e não tem dúvidas sobre onde quer chegar. As dúvidas comuns do seu dia a dia não passam de escolhas, que com a experiência que já conquistou até ali, saberá resolver.
Hoje percebo que não adianta discutir... É perda de tempo! Mostrar meu ponto vista nem sempre é necessário. Ele é meu e eu o tenho. Eu vivo com ele, muitas vezes sem querer que os outros o aceitem. Cada um tem o seu momento de perceber o que é certo para si mesmo. Apenas exijo respeito. Aos quarenta você pode exigir isso. Você é coerente... Uau!
Nesta idade a mulher mostra sua força de modo sutil, fazendo tudo virar ao seu favor. Ela é poderosa. Aos vinte ela é escolhida, aos quarenta ela é quem escolhe. Ela determina. Sabe exatamente o que quer e como conseguir. A mulher aos quarenta consome mais, pois ganha mais. Consegue adquirir coisas e ir a lugares que aos vinte apenas sonhava. Agora ela sabe usar o dinheiro.
Dizem que quarenta é a idade da loba. Hoje sei exatamente o que isso significa, pois me sinto uma fera mesmo. Não sei como será daqui para frente, mas isso não é uma preocupação como era aos vinte. O que vier, da forma que vier, saberei tirar proveito. Afinal sou mulher, e tenho quarenta!

Dyandreia Portugal 

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Crônica de uma Gorda Feliz
Fui a uma peça de teatro que mexeu muito comigo e me fez pensar em algumas questões antes nunca pensadas. Sou gorda. Sim gorda! Uns me chamam de gordinha, outros de fofinha. Uns falam que eu tenho o corpinho avantajado e outros, mais otimistas e carinhosos, falam que eu apenas tenho excesso de gostosura. Tudo bobagem, eu sou é gorda! Porque será que essa palavra é tão incomoda para algumas pessoas. Dizer feia, baixa, burra etc. E bem mais fácil que dizer gorda. Por que será? Uns até chegam a dizer que chamar alguém de gorda não é de bom tom ou até deselegante. Por que ser gorda incomoda tanto? Por que estar fora dos padrões é algo tão abominável? Sinto que, para a maioria das pessoas, lidar com uma pessoa gorda é mas difícil que ser a própria gorda.
Voltando a peça de teatro. O nome da peça era simplesmente “GORDA” e Release do folheto dizia o seguinte: “Apresentada nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. Escrita pelo americano Neil Labute e dirigida pelo argentino Daniel Veronese, estréia no Teatro Procópio Ferreira, após sucesso de público e crítica no Rio de Janeiro, onde mais de 25 mil pessoas conferiram a história de um executivo bem-sucedido que tem que lidar com o preconceito dos colegas de trabalho, por ter se apaixonado perdidamente por uma mulher inteligente, sensual, divertida, mas com 30 quilos acima do peso.”
Bem apesar de ser carioca, não tive a oportunidade de ver a peça em minha cidade. Mas como além de gorda eu sou muito sortuda, eu tive a oportunidade de assistir essa peça em São Paulo e juro para vocês que ela foi uma marco na minha vida. Repensei várias questões e vi de perto um preconceito, que confesso antes nunca ter percebido.
Eu sou uma gorda assumida e feliz. Verdade! Feliz! Eu sempre fui gorda. Não tanto como sou hoje, mas nunca fui magra. Aprendi a lidar com isso desde pequena e tenho uma auto-estima muito bem trabalhada. Não me lembro de ter passado humilhações e nem muito menos ter passado por privações na infância ou na juventude por causa do meu peso. Muito pelo contrário, eu sempre fui o centro das atenções dos grupos dos quais eu fazia parte. Sempre tive um temperamento forte, comunicativo e alegre. Possuía uma liderança natural e minha inteligência e bom papo fazia com que eu conseguisse namorar qualquer rapaz que eu escolhesse. Talvez isso tenha sido motivo suficiente para minha auto-estima se desenvolver e não permitir que nada nem ninguém dissesse o contrário para mim. Mas confesso saber que não é sempre assim que funciona. E isso desmotiva qualquer um que acredita em igualdade, liberdade e democracia.
Durante a encenação da peça, pude perceber a quantidade de pessoas concentradas e até vidradas no diálogo. Pude perceber os fungados discretos e alguns choros não contidos. Mas também percebi o deboche dos menos esclarecidos, vamos dizer assim. O diálogo estava colocando, como costumamos dizer, o dedo na ferida. A peça era inteligente e divertida, mas não deixava de abordar com nitidez tal questão. Posso defini-la como uma comédia dramática. Se é que isso existe.

Na verdade eu assistia a duas realidades bem próximas. Uma estava se desenrolando no palco: Cenas com sensibilidade e elegância de uma gordinha que lutava por um amor de uma forma repleta de auto-estima, carisma e sensualidade que facilmente emocionava, mas que tinha que suportar um grupo de pessoas preconceituosas que ditavam o padrão de beleza, dizendo que as mulheres precisam ser magérrimas para serem normais. A outra se desenrolava na platéia: Gordos tendo que lidar com desafio de suportar as piadas hostis inclusive vencendo seus próprios preconceitos e magros lidando com suas próprias mediocridades.
Beleza de fato é uma coisa muito relativa, e portanto, não merece julgamento, mas acho importante a discussão sobre o assunto. Bem como, desmistificar algumas questões como o fato de que todo o negro é pobre ou que todo gordo além de feio é menos capaz. Essas pessoas precisam deixar de ser protagonistas de situações preconceituosas. Temos que parar e analisar a dimensão da dor humana do discriminado. A discriminação é um ato desprezível.
Eu levei meu afilhado negro de sete anos a um aniversário infantil e grupo de crianças brancas o estavam discriminando desenvolvendo o bulling. Minha nossa, são crianças e nem tiveram tempo de conhecê-lo para julgá-lo... Prestemos atenção como estamos criando os nossos filhos. O futuro de nosso país. Como podemos exigir uma sociedade justa quando se quer semeamos justiça e igualdade dentro de nossos próprios lares?
A humanidade é racista. Mesmo os povos mais avançados, possuem pensamentos racistas não revelados. Tudo acontece de forma intrínseca. Temos que nos despir dos preconceitos que nos assolam, que insistem em nos rondar. Se condenarmos alguém por ser diferente, ou por não ser como a sociedade espera que sejam, podemos então imaginar que a ignorância esta vencendo a razão e isso condena qualquer sociedade.
Os padrões de beleza e estética, inteligência e até de riqueza, são bastante relativos. Entretanto, a sociedade é forte o suficiente para impor seus desejos, mas algumas pessoas conseguem driblar essas regras e viver com o corpo pelo qual elas optaram.
Nem sempre um gordo é preguiço com sua imagem, relaxado ou guloso. E mesmo que fosse, ele tem que ter o direito de escolher a forma como vai viver sua vida sem ser cobrado por isso. Afinal essa não é a tal liberdade que todos dizem que temos? A democracia?
Não é o gordo que precisa mudar e sim o olhar de quem o vê é que precisa aprender a enxergar a beleza humana que cada um possui. Os valores de cada um é que precisam estar sistematicamente em questão. O caráter e a dignidade é que precisam ser questionados, sempre!
Os gordos, os negros e as pessoas de um modo geral precisam definitivamente abrir mão das opiniões alheias para serem felizes. Quando elas conseguirem ultrapassar esta etapa, perceberão que o resto será muito fácil.

Dyandreia Portugal

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Não quero ser mãe, não é incrível?
Antes de me casar com meu primeiro marido, sentia uma pressão grande dos parentes e amigos para que eu casasse logo. Eu já namorava há dois anos e fui noiva por mais dois, em uma época em que isso era normal. Queríamos fazer as coisas com calma, mas com a pressão, resolvemos antecipar a grande data. As pessoas ficavam perguntando quando iria sair o casamento, se eu não tinha vontade de casar logo, se meu namorado estava me enrolando, essas coisas. Casamos! E Pensávamos que estaríamos livres das pressões. Engano! A sociedade não cansa. Logo veio a pressão para ter filhos.

Nós casamos sem casa própria e queríamos, antes de aumentarmos a família, construir nosso patrimônio, viajar muito, conquistar as coisas. Por isso, decidimos esperar uns cinco anos antes de dar esse passo. Mas parece que as pessoas não entendiam isso. No decorrer desses cinco anos, meu casamento acabou. Não demos certo e eu tive a sorte de me separar sem filhos. Como seria difícil uma mulher com trinta anos, no começo da vida, com um filho pequeno para criar. Agradeço a Deus por isso, mas fico pensando que se tivesse cedido aos apelos dos parentes e amigos, minha vida teria sido muito diferente.

Aos trinta anos recomecei minha vida em todos os sentidos. Mudei não só de casa, mas de cidade, de profissão e, mais tarde, também de marido. Ao me casar pela segunda vez, me sentia muito mais segura e determinada. Mas a pressão para que eu tivesse filhos também veio de forma muito mais incisiva. Afinal, eu já era uma balzaquiana, estava no meu segundo casamento, já tinha casa própria e uma condição de vida bastante favorável. Eu, entretanto, queria mais que ser apenas mãe, eu queria uma carreira bem sucedida. Os novos tempos estavam ao meu favor. Estávamos agora em uma época em que a mulher casava mais tarde, priorizava a carreira e tudo mais.

Ao longo do tempo, experimentei uma carreira diferente e fui bem sucedida nela, tanto que minha disponibilidade ficou toda voltada para essa nova construção. Atualmente, eu e meu marido estamos totalmente envolvidos em nossas profissões. Estamos felizes e adaptados a uma vida. Conquistamos grandes coisas juntos. Vibramos com crescimento individual que cada um tem com sua carreira. Temos interesses em comum e amamos nossa independência, nossa forma de viver e de interagir com o mundo que nos cerca. Viajamos muito, fazemos programas noturnos e mudamos de planos com muita facilidade. Não temos vontade que nossas vidas mudem no momento. Parecemo-nos bastar. Gostamos de como vivemos e o que fazemos. Mesmo após oito anos de casamento, vivemos um grande romance.

Essa forma de viver, essa realidade que o acaso nos impôs é simplesmente muito agradável e conveniente. Por isso, o fato de termos um filho foi colocado totalmente, não em segundo plano, mas em último. Por que isso incomoda tanto as pessoas? Para que sejamos totalmente felizes precisamos de um filho? Será que é isso o que elas pensam? Por que será que nós como mulheres temos que ter a obrigação moral, o dever de sermos mães? Onde está escrito isso? Os cristãos podem defender a orientação bíblica “Frutificai e multiplicai-vos”, mas Gênesis era só o começo. Eu prefiro a definição Kardecista “Nascer, morrer, renascer, ainda e progredir sempre...”.

Muitas vezes me questionam se eu não tenho o tal instinto maternal. Tenho nove afilhados de batismo e quatro sobrinhos. Confesso que antes gostava muito mais de interagir com cada um deles. Era muito dedicada. Mas os anos foram passando e minha paciência também. Apesar de me dar bem com cada um deles, de me achar uma pessoa carinhosa, não penso nem de longe querer algum deles para mim. Nunca sonhei verdadeiramente como seria quando chegasse à hora de ser mãe, de montar um enxoval para o bebê, essas coisas que as mulheres sonham. Teve uma época em que cheguei a pensar nessa possibilidade, mas isso nem chegou a se tornar um desejo.

Durante algum tempo, cheguei a questionar se seria ou não mãe. Minha vida corria e as pessoas me perguntavam o tempo todo sobre isso. Sentia-me uma pessoa diferente. Elas chegaram quase a me convencer que eu tinha algum problema. A sensação que eu tinha era que estava deixando passar a grande oportunidade. Mas, no fundo, essa oportunidade nunca veio, porque eu nunca quis verdadeiramente que ela viesse. Tenho ovários poli cistos, mas quem tem sabe que isso não é um problema para engravidar, quando controlado. Sempre usei métodos anticonceptivos e tinha pavor de falhar, chegando até a usar mais de um método ao mesmo tempo. Nunca sequer tive a oportunidade de saber se sou fértil ou não, pois nunca falhei em meus cuidados. Achava incrível quando alguém me dizia que engravidou sem querer. “Sem querer? Mas como isso pode ser possível?” Como as pessoas podem ser tão descuidadas assim? Isso beira a irresponsabilidade. Não quero ser puritana e nem julgar ninguém. Mas estamos falando de vidas. Não apenas a de um novo ser, mas de toda uma família!

A única coisa que realmente me incomoda não é não ser mãe, pois isso é uma opção. Mas sim ter que dar satisfação às pessoas todas as vezes que elas questionam a mim e ao meu marido. Isso tudo já esta virando um grande drama de novela mexicana. Primeiro elas perguntam há quantos anos estamos casados. Depois elas perguntam quantos anos nós temos. Ai elas se entre olham e depois – Pasmem! – Elas perguntam se eu tenho algum problema para engravidar. Não ele ou nós, mas “eu”. Quando explicamos que não é nossa prioridade e que estamos felizes mesmo sem filhos, que é uma simples opção, as pessoas continuam como se não tivessem entendido... “Ah, mas hoje em dia tem muitos métodos para ajudar casal nas idades de vocês. Por que não fazem uma inseminação?” Nossa! Mas como é difícil lidar com isso. Por que as pessoas acham que precisamos ser pais? Que eu quero ser mãe? Ou melhor, por que eu tenho que ser mãe? Por que eu simplesmente não posso abrir mão disso sem que as pessoas achem que eu tenho algum problema? Isso tudo é muito desgastante.

No fundo, as pessoas que têm filhos deveriam ser questionadas da mesma maneira que as que não têm. Por que querem ter filhos? Estão preparadas para serem pais? Sabem o que fazer com seus filhos? Estão dispostas a sacrificar tudo por eles? Estão dispostas e investirem em sua educação e em seu emocional?

Sei que posso mudar de opinião quando não tiver mais tempo para isso. Mas é um risco que eu quero correr. Se hoje eu tivesse um filho, correria o mesmo risco, só que de me arrepender. A vida é feita de riscos e vivenciamos isso o tempo todo.

Minha irmã tem gêmeos e um terceiro, mais velho, com diferença em torno de um ano e meio para os demais. Quando eles vêm me visitar fico encantada nos dois primeiros dias. Nos seguintes me sinto incomodada, nos últimos estou rezando para eles irem embora. Amo todos eles, são meus sobrinhos, meu sangue, mas quebram a minha rotina. Suas necessidades são logicamente uma prioridade, mas não são nem de longe as minhas. Eles são a vida de minha irmã. Ela vive e pensa para eles 24 horas do dia. Acho isso lindo, mas não me imagino nessa situação. Penso de forma egoísta, o que certa forma é curioso, pois há uns 10 anos, quando minha irmã me via rodeadas de afilhados, ela é que sentia uma certa repulsa. As pessoas mudam. E eu mudei! Que bom que somos transformados o tempo todo. Isso é fácil, o que é difícil é convencer as pessoas disso.

Algumas pessoas mais cruéis questionam se eu não vou me arrepender, ou sugerem que com o passar dos anos ficarei amarga, que não levarei adiante o nome de minha família e que na velhice não terei quem cuide de mim. Mas quem garante que seu eu tiver um filho, essas coisas não acontecerão? Quem?

Eu poderia listar aqui mil motivos para ser mãe e me encantar com a maternidade. Afinal a casa fica mais cheia de vida, tudo é tão intenso e emocionante. Basta que um filho sorria ou conquiste uma fase em seu crescimento para que o mundo dos pais se ilumine. Vejo a satisfação de alguns pais amigos meus. É realmente maravilhoso. É o milagre da vida. Eu sou grata aos meus pais por terem me concebido. Mas será que esse dom é tão intrínseco assim? Todos possuem dom, habilidade, paciência e energia? Eu também poderia fazer uma lista de motivos para não se ter filhos. Será que todos estão preparados para abandonar suas aspirações, suas carreiras, seus hobbies, em prol da alegria da maternidade? A perda da liberdade, o custo financeiro que muitas vezes acaba com um casamento, as opiniões diferentes na hora de educar e a culpa e frustração que muitas vezes recai sobre a criança de forma injusta, são muito significativos. Tantos são os contratempos e as indisponibilidades.

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.” Fernando Pessoa tinha razão. Mas a minha alma não é pequena, ela só tem outras aspirações.

Tudo muda em um segundo, mas hoje vivo o meu momento. Um momento só para mim. Um momento egoísta confesso, mas egoístas também não são determinados pais que possuem filhos para amarem? Em alguns casos é pura vaidade. Mesmo assim eu respeito a decisão de cada um. Mas no meu caso, com esta minha decisão, eu faço o que quero, quando quero e aonde eu quero, sem me preocupar com ninguém e sem ninguém dependendo de mim para nada. Acho lindo uma família grande e não sei se me bastarei à vida toda, mas preciso defender o que eu penso hoje e assumir as responsabilidade e consequências desta minha escolha. Ser consciente é muito importante nesse momento.

Minha única preocupação, nos últimos anos, era saber se meu marido tinha essa prioridade, pois caso ele tivesse teria que rever os meus conceitos. Discutir, ponderar, analisar. Afinal, a decisão de ter um filho, assim como não tê-los, não é uma decisão unilateral. Mas hoje eu estou aqui. Cheguei aos 40 e nem ele, nem eu temos essa vontade por enquanto. Mas tudo seria muito perfeito e muito mais fácil se nós não tivéssemos que justificar o tempo todo, para a família, para os amigos e até para estranhos a nossa escolha.
"C'est la vie". 

Dyandreia Portugal
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Harmonia da Transparência

Ultrapassar o invisivel
Sentir, tocar sua energia
Visualizar o impossível
Transparência, Sintonia

Enxergando o colorido
Observando o inatingível
Alcançando os sentidos
Sentindo o indescritível

Ultrapassar sua alma
Sentir o teu coração
Numa sinfonia calma
Percorrer sua emoção

Navegar entre seus sonhos
Viver uma nova experiência
E nesses olhos tristonhos
Sentir sua transparência

Dyandreia Portugal

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Há, o amor...
Amor, paixão
Sentimento turbilhão
Que faz morada no coração

Amor que nos tira o ar
Que arde sem queimar
Que nos traz vida a cantar

Amor certeiro
Às vezes traiçoeiro
Às vezes companheiro

Amor Arrebatador
Amador, Temporal
Carnal, especial

Amor sem fim
Maternal, incondicional
Duradouro, visceral 

Dyandreia Portugal