JACQUELINE AISENMAN
PORTUGUÊS
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SANTAS SERÍAMOS, SANTAS SOMOS Na verdade eu seria santa se não tivesse sido tantas antes tantas outras coisas. E também se não tivesse tantas vontades as tantas de depois de ser depois e ter depois e nem sei antes ou depois do que. Seria santa como são todas as mulheres as que nasceram antes e depois. Porque as virtudes da santidade não estão no depois de tudo, mas exatamente no antes de qualquer coisa. E se eu fosse então santa e todas as outras também seriam seríamos todas. Partilharíamos com a vida nossos martírios pessoais e mundanos e escolheríamos a cor do altar (combinando com nossos olhos ou com o salto alto). Nós, mulheres, somos as tais santas que não se venera. Usamos batom, saias que voam e baldes na cabeça. Também cuidamos para que o decote seja tão vasto quanto é nosso coração (de vez em quando nos fechamos em golas altas). As cores dos vestidos fazem coro com os sentimentos e por isto somos floridas, coloridas ou no luto nos escondemos. Não temos tempo de ser mãe de um só filho, somos mães mesmo sem filhos, nossos filhos estão pelo mundo, espalhados e não nos chamam de mãe. Devotas esposas de homens que muitas vezes nem sabem que com eles casamos. Impiedosas amantes de homens que muitas vezes nem sabem que são eles que amamos. Agarramos com as unhas o que queremos, arranhamos com as mesmas unhas o que nos violenta. Somos as santas profissionais da casa, da vida, do amor, do sexo, dos sonhos, da crueldade. Somos as santas que o povo ama e tripudia. Alcançamos a graça simplesmente por ter nascido mulher. Leia mais textos de Jacqueline no site Coracional.