MÁRCIA CHRISTINA LIO MAGALHÃES
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
TEXTO

FOLHA Eu sou a folha que cai Sobre a neve fria das incompreensões. O verso das canções serenas, A morte que chega aos corações... A margem, A proa, O barco Sou parte das pedras, cristais... O sangue que chora A morte... Sou avenidas, faróis Reflexos Sou o asfalto, O negro inverso! O vento, A brisa, Sou as manhãs, A música, A nota, A dor dos corações... Os olhos Os sorrisos Das crianças, as interrogações... As gotas de chuva O grito da terra seca O inverno O outono A primavera eterna! Sou areia, Deserto, Sou o livro sobre a mesa... A página ao acaso, Sou ponto, Da vírgula, tristeza... ---------------------------------------------------------- MINAS Sou das montanhas, mistérios Dos cafezais magestrais Ouro, prata, minérios Rosas, vielas, vitrais... Sou do serrado, riachos Cachoeiras, carvão, ancestrais... Terra boêmia, meu traço Sou de Minas Gerais! Ando a cavalo sem cela Corto a floresta, quintais Sento á beira de janelas Do arco de seus casarões... Ser dessa terra me encanta Mesmo distante do lar Rua das flores, lembrança Sinto, um dia hei de voltar... Teu céu me acompanha Gerais, Distância se faz solidão Meus olhos, saudades, meus ais Da infância, brincar de pião... Minas de encantos brejeiros Celeiro de fé, multidões Visto-me de noites algibeiras Para acompanhar procissões... Olho os retratos antigos Festa do Divino, dia santo! Há de morar na saudade Os versos de amores, meu pranto... ---------------------------------------------------------- A VALSA DAS MANHÃS Sonha! Os sonhos impossíveis Beije as crianças com sorrisos Poda o teu jardim Ama tua roseira Semeia em terra seca.... Busca no destino Hino de esperança Dança A valsa das manhãs... Despe-se das sombras Senta no banco da praça Faz da realidade sem graça Verdades do amanhã... Simplicidade é solidão Vão Tributo ao sol... Viver simplesmente Temente aos deuses... Espreita ao norte a vida Enxuga as feridas Deboche! Viva a tua própria sorte... Serenamente espera Pondera o esquecimento Deixe as mágoas no tempo Amanhã, há de acender o sol... Autora: Márcia Christina Lio Magalhães Todos os Direitos Reservados.