VANIA DE CASTRO MOREIRA
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MANIFESTO TRÍVIOLETRA Forma poética desenvolvida por Vania de Castro - São Paulo e Marco Bastos - Bahia O QUE É E COMO FAZER ESTÁ AQUI ABAIXO. NO MAIS É PRATICAR! T R Í V I O LETRA mini(ani)mal // AQUI O TEMA // Acróstico e Poema. Marco Bastos (TI) V iro o solo, frio floreio // cravo a planta // vesgo rasgo o veio (6) I nquietas quietas cordas // sol e chuva // bordam borboletas (7) O boé viola // violeta // cravo e trompa, prata preta (4) L eio, escrevo // o trevo trino atrevo // voo e avio (2) E ntre tantos entremeios // nasce a flor // sem rodeio (5) T oco as letras // teço formas // crio de fio a pavio (3) A ro a terra // nasce trevo trívio_letra // ardente sol (1) Vania de Castro (TC) 1, 3, 5, 7 Marco Bastos 2, 4, 6,7 E stação, subúrbio // mala sem centavo // sonho sem o cem S om de sino, silo e senha // sibila // surdo silêncio T roco trave travo letra // trívioletra // trova e trovoada I sso soa suave // vento que sussurra // brisa que assovia L ouco trilho // grito como grilo // brilho bravo como vem O trivial no som // sibilo e trino // serpente vai o trem. Marco Bastos (TI) Nesse Trívioletra destacamos o posicionamento dos motes e, também, utilizamos recursos da fonética: aliterações, sequências de sons sibilantes e trinados. Os poemas são curtos e, além do impacto das palavras como veículo das ideias, devemos/podemos aprimorar a sonoridade por meio de rimas internas ou finais (não obrigatórias), do ritmo, e da própria sonoridade das palavras - poesia e música andam sempre muito próximas. E EIS AQUI ESSE SAMBINHA. rs ESCREVENDO TRÍVIOLETRAS (Por Vania de Castro e Marco Bastos) Poeta, nunca te esquece - poesia é pensamento, é sentimento, e prece. (MB) Trívioletra é uma nova forma de poema minimalista que procura expressar conteúdos poéticos criativos. O nome Trívioletra foi criado por Marco Bastos em janeiro de 2013. Trívioletra é a união de dois termos: trívio e letra. Segundo o dicionário http://www.priberam.pt/: trívio: s. m. 1. Ponto onde se encontram três caminhos ou três ruas. 2. Na Idade Média, parte do ensino que compreendia as três primeiras artes liberais (a gramática, a retórica e a dialéctica. dialética. dialética). adj. 3. Que se divide em três caminhos. letra: |ê| s. f. 1. Carácter. Caráter. Caráter escrito, impresso ou gravado do alfabeto. 2. Forma que se dá à letra escrita. 3. Som representativo de uma letra. 4. O que está escrito; texto; sentido. 5. Tipo (de imprensa). 6. Poesia que acompanha música. 7. Parte literária de uma ópera. 8. Emblema, divisa, mote. 9. Letreiro, inscrição. Trívio e letra tornam-se Trívioletra, um trabalho experimental, direcionado à quebra da linearidade da linguagem e ao compartilhamento da escrita, na presunção de que o poema se construa a partir de uma sequência de insights, que se completam na cabeça dos leitores e dos poetas, que não sabem de antemão a que imprevistos a poesia os levará. A essência da criação poética do Trívioletra é a Gestalt. Entende-se por Gestalt o todo, a totalidade indissociável, o conjunto imbricado conteúdo/forma/configuração. Não há uma tradução exata do termo alemão para a língua portuguesa, porém as palavras citadas aproximam-se do real significado. Para a criação do Trívioletra usamos cada elemento unitário, isto é, cada palavra que comporá um verso e intensificamos o uso das figuras de linguagem: figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras, incluindo neologismos, regionalismos, e estrangeirismos, se for o caso, em prol do estético e do poético. Valem as onomatopeias e as aliterações. Os temas são amplos, livres e triviais, não se limitam aos fenômenos da natureza. Trívioletra fundamenta-se na percepção, na sensação, na memória, no conhecimento, na criatividade do poeta. Assim, num processo harmônico unimos conhecimento, técnica, e, sobretudo, a sensibilidade para criar possibilidades lúdicas, rítmicas, sonoras e musicais entre os signos linguísticos (significantes e significados) e símbolos. Portanto, a máxima da Gestalt “o todo é maior que a soma das partes” evidencia o desdobramento que ocorrerá a partir do título e do segundo verso do primeiro trívioletra. O conteúdo deve encerrar algum estranhamento, ser rico, elegante, impactante, ousado, simples, inovador e ao mesmo tempo minimalista. O poema não deve ser uma reunião de obviedades, e, no entanto, não pode ser um conjunto de coisas desconexas. Trívioletra é composto por um título (uma palavra) escrito verticalmente e, uma estrofe horizontal com três versos, cada verso separado por barras duplas (//). O título na vertical tem no máximo sete letras e os três versos totalizam até dezessete sílabas poéticas. Conta-se até a última sílaba tônica de cada verso. Um exemplo: T R Í V I O LETRA mini(ani)mal // AQUI O TEMA // Acróstico e Poema. Marco Bastos (TI) O título tem a mesma função que o segundo verso, portanto o título e o segundo verso são dois temas centrais que funcionam como mote para o desenvolvimento do Trívioletra. Assim, dois assuntos entrelaçados formarão o Trívioletra. Denominamos Trívioletra, com T maiúsculo o poema como um todo e trívioletra com t minúsculo, cada terceto, nas estrofes componentes. Para criar um Trívioletra passamos por três etapas, e cada etapa completa poderá se constituir num completo trívioletra: 1. Trívioletra Individual (TI), exemplificado acima. Conforme a própria denominação é escrito por apenas um poeta. Assim, o poema terá uma única estrofe. Após registrar a autoria, ele determina que o poema tenha um único autor colocando à frente do seu nome TI entre parênteses. 2. Trívioletra Compartilhado (TC) é escrito por no mínimo dois autores e no máximo sete autores seguindo as letras que compõem o título (uma palavra). Portanto (TC) é necessariamente um poema em acróstico. Veja o exemplo: B olas-de-sabão // versos leves // passa uma brisa. - se vão. (1) R ede na varanda // descanso – um sonho só // flocos azuis (6) E m revoada // versos nas_sendas // estrelas_algodão (2) V i a paina em flocos // faina nos blocos // e a nuvem só (5) E screve, dança // corpo e contrabaixo // brisa passa (4) S onho - um sonho só // ela abriu a janela // - ai que dó!... (3) Marco Bastos (TC) 1, 3, 5 Vania de Castro 2, 4, 6 A criação de cada poema segue a inspiração de cada autor e obedece ao entrelaçamento dos temas definidos no título e no segundo verso do primeiro trívioletra. 3. Trívioletra Expandido (TE) é uma releitura, uma revisão ou um olhar avaliativo do Trívioletra Compartilhado (TC). Veja o exemplo: B olas-de-sabão // versos leves // passa uma brisa. - se vão. (1) R ede na varanda // descanso – um sonho só // flocos azuis (6) E m revoada // versos nas_sendas // estrelas_algodão (2) V i a paina em flocos // faina nos blocos // e a nuvem só (5) E screve, dança // corpo e contrabaixo // brisa passa (4) S onho - um sonho só // ela abriu a janela // - ai que dó!... (3) S onho é mel // à luz de vela // - luz; é quando se abre a janela. (7) V ersos na manhã // soltos no anil // - mil voos - gaivotas no céu!... (8) Marco Bastos (TE) 1, 3, 5, 7 Vania de Castro 2, 4, 6, 8 O (TE) é um novo poema criado com a função de provocar em cada autor a oportunidade de expressar a sua compreensão a respeito do (TC) do qual participou e não conhecia ao escrever. Sendo assim, cada autor escreverá um trívioletra interpretativo-explicativo, como um meio de sintetizar a sua leitura do Trívioletra como um todo. Ele terá dois versos se for escrito por dois autores, três versos se for escrito por três autores e, assim, sucessivamente, com no máximo sete autores que é o número limite do título. O tipo de Trívioletra que se deseja escrever, Trívioletra Individual (TI), Trívioletra Compartilhado (TC) ou Trívioletra Expandido (TE) é definido pelo autor do primeiro trívioletra e, assim deverá ser respeitado. O (TC) deve ser finalizado pelos autores. O (TE) é opcional, porém se foi iniciado todos os autores terão obrigatoriamente que concluí-lo. Na construção poética dos Trívioletras recomenda-se: 1. Evitar orações coordenadas/ subordinadas, e ligações por conjunções, preposições, complementos circunstanciais, adjuntos adverbiais, adnominais, e adjetivos. 2. Usar substantivos "adjetivando" outro substantivo pode dar boas composições. Nas orações coordenadas, dar preferência às formas assindécticas (sem a conjunção coordenativa). 3. Escrever nas entrelinhas. Na linguagem minimalista as elipses, zeugmas, anacolutos, e apostos, metáforas e metonímias, além de contribuírem para compactar os poemas, abrem espaço para que o leitor interaja e participe como agente de criação da poesia que se induz em sua mente. As palavras polissêmicas conduzem a diferentes discursos bem como a associações de ideias. Diferentemente da prosa, o poema não precisa deduzir ou explicar. 4. Não se preocupar com a lógica do poema. Cada poeta é um nefelibata e a poesia se esparrama pelas nuvens, pra depois se fechar na sua Gestalt. A catálise na produção compartilhada é um processo de alta sinergia - os versos vêm praticamente prontos. O ato de criação é alegre e espontâneo. 5. O novo trava, ainda mais quando é desestruturante, desestabilizador. Voltar a ser criança não é fácil. Mas o impulso de brincar com as palavras é importante para escrever trívioletras. É contramão, pois o processo de educação que tivemos prima por sistematizar, racionalizar, matando a criatividade e a ludicidade no viver. HISTÓRICO, REFERENCIAIS E REFERÊNCIAS O TRÍVIOLETRA como poema compartilhado inspira-se no TANKA e no RENGA, ancestrais formas poéticas japonesas. Do Tanka diferencia-se por não ter a métrica e a forma fixa de 5/7/5 - 7/7 sílabas, nos 5 versos de duas estrofes. Do Renga, poemas “ligados”, também se diferencia, por ter forma, além de variável, limitada no tamanho da sequência. Os temas dessas poesias orientais são sempre ligados à Natureza e essa limitação não existe para os Trívioletras, cujos temas ficam a critério do(s) autor (es). O tamanho de um TRÍVIOLETRA é variável, a depender da quantidade de letras no título e do número de autores que estão a interagir; essas quantidades definem a extensão do poema e o tamanho do título define a quantidade máxima de poetas para uma mesma composição. Os Trívioletras também são diferentes dos letrix – que têm outras formas de compartilhamento, e não têm a forma expandida. O Trívioletra trabalha entrelaçada e obrigatoriamente dois conceitos simultâneos. Isso não acontece nos letrix. Ítalo Calvino é referencial para a leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência da linguagem. Iniciado no processo de aprofundamento e de aprimoramento do Letrix (forma sistematizada em 2006 por Marco Bastos - proposta apresentada e não aceita como modalidade de Poetrix), o TRÍVIOLETRA ganhou autonomia, e foi desenvolvido em parceria, a partir dos esforços criativos e de organização de Vania de Castro e de Marco Bastos, em janeiro e fevereiro de 2013. TRÍVIOLETRA não é Tanka, não é Renga, não é Haicai, não é Poetrix. Trívioletra é Trívioletra. **** ESCREVENDO TRÍVIOLETRAS Aqui serão postados os TRÍVIOLETRAS assim que forem concluídos por vários autores. 1. T R Í V I O LETRA mini(ani)mal // AQUI O TEMA // Acróstico e Poema. Marco Bastos (TI) 2. V iro o solo, frio floreio // cravo a planta // vesgo rasgo o veio (6) I nquietas quietas cordas // sol e chuva // bordam borboletas (7) O boé viola // violeta // cravo e trompa, prata preta (4) L eio, escrevo // o trevo trino atrevo // voo e avio (2) E ntre tantos entremeios // nasce a flor // sem rodeio (5) T oco as letras // teço formas // crio de fio a pavio (3) A ro a terra // nasce trevo trívio_letra // ardente sol. (1) Vania de Castro (TC) 1, 3, 5, 7 Marco Bastos 2, 4, 6, 7 3. E stação, subúrbio // mala sem centavo // sonho sem o cem S om de sino, silo e senha // sibila // surdo silêncio T roco trave travo letra // trívioletra // trova e trovoada I sso soa suave // vento que sussurra // brisa que assovia L ouco trilho // grito como grilo // brilho bravo como vem O trivial no som // sibilo e trino // serpente vai o trem. Marco Bastos (TI) 4. B olas-de-sabão // versos leves // passa uma brisa. - se vão. (1) R ede na varanda // descanso – um sonho só // flocos azuis (6) E m revoada // versos nas_sendas // estrelas_algodão (2) V i a paina em flocos // faina nos blocos // e a nuvem só (5) E screve, dança // corpo e contrabaixo // brisa passa (4) S onho - um sonho só // ela abriu a janela // - ai que dó!... (3) S onho é mel // à luz de vela // - luz; é quando se abre a janela. (7) V ersos na manhã // soltos no anil // - mil voos - gaivotas no céu!... (8) Marco Bastos (TE) 1, 3, 5, 7 Vania de Castro 2, 4, 6, 8 5. N o eclipse lunar // mergulho: lua cheia // terra e mar (4) A lua o peixe-lua // voa o gato // peixe no Ar_poador (5) L eve voo de garça // sussurra secreta // na maré fria (2) U m pássaro_peixe passa // sal(ta) verde-prata // peixe, voa! (3) Á guas claras // peixe_voador // segredos salgados no mar (1) L ua nova, lua cheia // peixe voa // segredos na areia (6) M aré (em)bala_cheia // peixe_luz cendrado // no papel esvoaça (7) O utro peixe-gato // no canto de sereia // marisca lua cheia. (8) Vania de Castro (TE) 1, 4, 6 Chantal Fournet 2, 3, 7 Marco Bastos 5, 8 6. B eleléu peixe de briga // céu de barriga, // santo pescador (4) E o peixe voador // voou como quem voa // ar pô!... a dor (2) T empo e silêncio // água de chuva // aquário vazio (5) T ão pequenino // quieto menino // pousou noutro lugar (3) A marelo alaranjado // morte no aquário // Juaquim-solitário (1) E m silêncio: passagem // morte pesca_dor // grita liberdade! (6) O corpo flutua // lua sem norte // ômega, é a morte. (7) Vania de Castro (TE) 1, 3, 5, 6 Marco Bastos 2, 4, 7 7. D os tar qui sonha // di sonho nas nuvis // - xiii_chovi na fronha ...(1) R egá fronha di noiti // ara sô! // nasci frô preguiçolenta (2) O s qui pranta girassó // tonto // qué jerimum ô giramundo.(3) M ió qui songamonga // nus nimbus // é drumi com ara_ponga (5) E jerimum é coisa boa // sonho // giramundo é bem mió (4) Marco Bastos (TC) 1, 3, 5 Vania de Castro 2, 4 8. C ambacicas nos galhos // balanço na rede // livros, mar, amor (4) A sas_movimento // bebedouro amarelo // beija-flor (3) S alada na mesa // vinho branco_cereja // bolinhas de sabão (2) A brigo de vidro // pare_de algodão // nuvem no chão (1) Vania de Castro (TI) 1, 2, 3, 4 9. E ntre vaidade // tudo é vaidade // entre_laço - tomo espaço! (2) M undo mundo velho mundo // in spe verita // a paz ou o fundo (7) B ranca fumaça // sala das lágrimas // habemus papam: novo sumo! (6) R umos na história // tantos bispos // sumos pomos poucos tomos (3) E scuros muros pontífices // casto credo cru // somos todos puros (4) V erdade idade vem // papa vai // pedra com pedra, pedro foi (5) E m brio, letras // com_clave, mitras // cardeais espantos (1) F oi-se o tempo // já vai longe // que o hábito fez o monge (8) É! ... faces fragmentadas // farda pesada // farta fé entre os homens (9) Marco Bastos (TE) 1, 3, 5, 7, 8 Vania de Castro 2, 4, 6, 9 10. P ro gostinho da aurora // pimenta de cheiro // cobertura de amora (2) A romas rescendem // anjos_cristal tin_tin_indo // chamas aquecem (4) L elé do melelê // trova de inverno // inferno - só em quimbundo (5) A h! o samba doido ... // gosto com o nariz // - petisco pra petiz (3) D elícias à mesa // em taças: vinho tinto // lareira acesa (7) A telier de nostalgia // branca folia // comida fria (6) R egras requintadas // noite de inverno // toalha branca bordada (1) P ratos brancos // taças de cristal-talheres de prata // amor em cena(8) D oce-canto (c)anela // acendem-se amores // invernoso fervor (9) F aca e garfo, sem espeto // arroz, feijão // calor e caviar (10) Vania de Castro (TE) 1, 6, 7, 8 Marco Bastos 2, 3, 5, 10 Chantal Fournet 4, 9