REGINA CASTRO
PORTUGUÊS
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Incógnita 
O amor é estranho
Habita e desabita
Acalenta e desacalenta
Preenche e esvazia
Anima e desanima
Alegra e entristece
O amor é uma incógnita
Um mistério insondável
O amor nos acompanha
Durante toda a vida
Ora aberto, fluente, colorido
Ora fechado e dolorido
O amor é uma flecha irreversível
Sangrando no peito...
É tocaia ardente
O amor é bicho do mato
Que prova que estamos vivos
Não necessariamente realizados
O amor é imprescindível 


Redes brancas

Redes brancas
Da casa de minha avó
Lavadas na beira do rio
Com direito ao quaradouro
Cheiro inconfundível e bom
Redes brancas do sertão Jaguaruana
Tecidas a muitas mãos
Com o vigor da coletividade
Redes brancas
Velas brancas
Das jangadas do meu Ceará
Quantas histórias pescadas
Nas noites de lua
Em alto mar
Lua cheia
Lua nova
Redinha branca
Estendida no infinito
Redes brancas que me pertencem
No aconchego de criança
Nas descobertas de menina moça
E na força de sertaneja
Onde embalei meus filhos
E fiz promessas de amor...
Redes brancas
Velas brancas
Do mar onde encontro
A paz da maturidade
Redes brancas
Redes de luz! 


Calçadas
Na fresca da tarde
As mulheres nordestinas tecem fios
Constroem teias
Dando luminosidade às calçadas

Eu teço
Os fios da vida
E construo teias
Me reconstruo
Permeando o antes, o agora e o depois

E me reinvento
Entre encantos e desencantos
Recomeçar sempre
É a fórmula mágica