GRAÇA RORIZ FONTELES
PORTUGUÊS
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Poema da Despedida

Varo as varandas da velha casa
Os ramos balançam ao sopro da brisa...
indecisa...
despeço-me das lembranças
das flores... buganvílias...
jasmins...bogaris...
dos beija-flores...sanhaçus...
rolinhas e bem-te-vis...
das borboletas...
que todas as manhãs visitam o jardim
Cerro os olhos
Abraço todos os cantos
Onde vivi meus sonhos pueris
Caminho rumo leste 
De onde a brisa procede
Entregue ao vento norte
Nas lâminas dos cata-ventos
Que reciclam os pensamentos
E me fazem adormecer...




Esboço

linhas pontilhadas circundam teu ser...
ilhas
oásis
neles me achava
busca de branco paz

Idade adulta
madura
frutose da natureza
tímidas cãs
pálidas suaves
adorno do sorriso franco




 Liberdade


Pensou o poeta em ser livre
sentiu-se acorrentado pelas emoções

prosseguiu no sonho de liberdade
e foi aprisionado pelas paixões

De várias formas e maneiras
e até mesmo de textura variável

Paixão pelas letras e literatura
sentiu-se o poeta vulnerável




Teclas de minha vida

Nas teclas de minha vida
dedilho as sete notas do tempo
Com o pulsar de meu coração
descompassado

Esforço-me para que as notas
 saiam suaves e harmoniosas
Tantas notas dissonantes ainda
persistem em mim!

Recuso-me a tocá-las
 meu coração teima em repeti-las...
E assim termino mais um dia
com o peito cansado desta luta!


Avesso do meu Eu


Sinto desejos de escrever
de expressar meus pensamentos
com clareza e dulçor 
sem nenhum receio

De exalar esse cheiro de agreste 
que brota de contínuo
nos fundamentos do meu coração

De me revelar a mim mesma
de me transparecer
conhecendo em detalhes 
o avesso do meu eu


Confissão
Perdão Senhor pela minha limitação de amar
Perdão pelos talentos enterrados 
E o temer colocar a mão no arado

Perdão por conter a tristeza quando a alegria 
em volta canta
Perdão por relutar no coração em ser criança

Perdão pelas frações do precioso tempo
desperdiçadas
 Perdão por dizer não ao invés de dizer sim
 

Partitura
No positivo do negativo a renúncia de si mesmo
Tua ajuda providencial
nas minhas mais terríveis fraquezas

Um crescendo não escrito em partitura
mas na alma
com notas fortes
na pujança do amor que nos embala


Remanso
Azul turquesa degradê
horizonte refletido
do amor embevecido
parceria amanhecer

Embarcação embalada 
sussurrando doce hino
vento solto madrugada
remanso de peregrino


Alforria
Maturidade alforriada
canto lírico de liberdade
onde o sacro ocupa o centro do altar da vida
e os sons emitidos são gorgeios
e o século já partido ao meio 
desfruta a liberdade alcançada


Mixagem

Na superposição das imagens
a mixagem do eu
e a complexidade do ser
e do existir
onde o meu universo 
sobre o teu universo
resultou em versos
originando anexos
frutos do nosso sentir






Rosa                                                                                            

De minha janela eu via
a rosa a balançar
vento forte lá do norte
já começava a soprar

De repente a chuva caiu
caiu forte tanto assim
meus olhos verteram lágrimas
e choveu dentro de mim...
 


Meus momentos
Momentos a sós, doces momentos
Meus pensamentos nas asas do vento
Atingiram grandes distâncias 
Impossível contê-los!

Momentos a sós, doces momentos
Lutas dentro de mim mesma
Poucas batalhas perdidas 
No fim - guerra vencida.

Momentos a sós, doces momentos
Pensamentos passados contidos
 Só os bons são permitidos
Momentos a sós, doces momentos.