MIRIAM DE SALES OLIVEIRA
PORTUGUÊS
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SÃO JOÃO DO CARNEIRINHO Ai,São João,São João do carneirinho Diga lá prá S.José Que é prá ele me ajudar Prá meu milho dar 20 espiga em cada pé. Tão antiga a festa de S.João! Remonta á cultura céltica,coincidindo com o solstício do verão para os povos do hemisfério norte.Era o tempo das colheitas.Por isso,acende-se fogueiras,dança-se em volta do fogo,salta-se as chamas. Todos sabemos a importância do fogo,para os antigos;qualquer celebração era á sua volta,pois a fogueira representa a força do sol,um espantalho contra as forças maléficas e um amuleto contra calamidades. Já para nós,a fogueira,segundo a lenda,veio de uma combinação entre as duas primas,Maria e Isabel,ambas grávidas,uma esperando Jesus,a outra,João;quem tivesse o filho primeiro,avisaria á outra,acendendo uma fogueira,naquele tempo sem celulares nem telégrafo.João chegou primeiro e Isabel acendeu a fogueira no alto do monte,para avisar a outra. Quem trouxe a tradição de S. João para o Nordeste foram os padres jesuítas;os índios logo aprovaram a idéia da festa já que adoravam danças e festejos ao pé do fogo. Por um motivo que não me recordo,proibiu-se as fogueiras em 1855.Logo depois,uma terrível epidemia da cólera assolou a cidade e o povo entendeu aquilo como um castigo divino;não se brinca,impunemente com S. João! As brasas da fogueira são consideradas bentas;assim que se apagam devem ser guardadas;elas garantem uma vida longa e saudável. No interior existe o costume de se colocar uma árvore no centro da fogueira para tentar a sorte.Mas,se a árvore tombar na direção da casa---Misericórdia!—é sinal de morte certa para o dono.Agora,se a árvore for consumida pelo fogo,sem cair,é fortuna e prosperidade,na certa.Esse costume não é nosso.Na França,queimavam a árvore de S. João,em Nôtre Dame;também lá,o povo disputava o carvão,que guardava como amuleto.Satisfeita,eu vejo que nossas tradições resistem ao progresso;porque as pessoas são sempre as mesmas,nossos medos ancestrais continuam latentes,nossas crenças nos talismãs de bom augúrio,também,por isso,as garotas ainda enchem a boca d’ água e se postam atrás das portas,esperando que alguém grite o nome de um homem,que será o futuro pretendente;outras enterram uma faca virgem na bananeira,pois a inicial que se formar é a do futuro noivo;algumas lutam com agulhas dentro d’ água ou papelinhos enrolados com nomes masculinos;o que abrir,será o do prometido.Assim,S. João vai impondo seu papel;sai vencedor do tempo.Pena que nunca acorde pare ver o quanto é esperado e festejado;ignora as adivinhações que se fazem em seu nome e as cantilenas que se repetem,ano após ano: Em louvor de S.João Sim ou não....