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FLAVIA CRISTINA SIMONELLI |
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PORTUGUÊS |
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TEXTOS
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TEXTO
A mulher e a força do feminino A mulher sempre quis ser admirada. Houve um tempo em que queria ser a musa dos poetas, ter seu nome nas canções, suas palavras acolhidas e respeitadas, uma beleza que vinha da alma. Não havia uma exigência externa de como seu corpo deveria ser. A mulher simplesmente era. Hoje a mulher segue outras referências. Referências muito diferentes das musas renascentistas cuja forma arredondada inspirava tantos artistas! A modernidade mudou o conceito do belo, pois tudo caminha, tudo se transforma no tempo. As passarelas da moda e as capas das revistas são a referência, o padrão a ser seguido, como uma ditadura a embotar a individualidade. E, na maturidade, quando o corpo começa uma queda mais acentuada, a mulher se vê sufocada pelo medo e não encontra as forças para seu despertar. Todas nós, um dia, passamos por isso. Tentamos nos prender ao passado, queremos ter a mesma frescura, vitalidade, revoltamo-nos contra as rugas e as gorduras indesejadas. Buscamos maneiras de não decair, não enrugar, não engordar. Queremos seguir o padrão. Assim seremos amadas. Mas o tempo passa e a luta se mostra em vão. A perda da vitalidade física gera um grande vazio. Esse momento começa por volta dos quarenta e dois anos, e quando a identificação com a forma física não encontra um questionamento, uma libertação, a mulher se prende mais fortemente ao seu corpo. Mas o corpo decai, isso é certo, o que fazer para a alma não decair? Então, chega à menopausa. O que será de mim? E mais uma vez recursos externos dão a ilusão de superar o tempo. Até esse momento, o útero havia gerado forças para a procriação, ligando-se às forças telúricas que possibilitam a formação de um novo ser. Na menopausa, essas forças criativas se liberam de sua tarefa terrena e abrem espaço para uma nova capacidade de criar. É nessa fase da vida que a força do feminino pode renascer em sua plenitude para encontrar a sua beleza própria e viver uma liberdade jamais experimentada antes. Abre-se para a mulher a capacidade de enxergar o ser humano, compreender suas dúvidas, inseguranças, objetivar a realidade e poder aconselhar e orientar em termos de valores e ideais. Um mundo sem a força genuína do feminino torna-se decadente em seus excessos de competitividade e lutas externas. Mas, liberta dos padrões de beleza e de comportamento, liberta de tudo o que lhe é imposto por fora, a mulher renasce com suas forças internas. Torna-se bela em sua autenticidade. Torna-se essencial para o futuro da humanidade. Então, a mulher que sempre quis ser admirada, é de fato admirada, porque se admira a si mesma. A mulher que sempre quis ser amada, é de fato amada, porque se ama a si mesma. Ama suas qualidades, sua essência, sua verdade. |
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