JAMILE DO CARMO
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
TEXTO

                                         A Sacerdotisa dos Montes Galpos
...e quando lhe perguntaram de que pão se alimentavam as feras, ela lhes respondeu mostrando sua adaga ainda suja de sangue, símbolo da bestialidade e crueldade humanas. Atirou-a em seguida ao fogo, numa demonstração de desprezo, enquanto os olhos de seus algozes contemplavam irados aquele gesto insubordinado.
Ordenaram, então, que as bestas a atacassem, mas a mulher não se deixou intimidar pelas feras. Lá continuou em pé, imóvel e, inesperadamente, abriu seus braços como que oferecendo sua carne a ser cravejada por aqueles dentes atrozes. Voltou seus olhos, em seguida, diretamente aos olhos das bestas, sem que em nenhum momento pudesse se dizer ter transparecido medo. Assim que que a primeira a atacou provando de seu sangue, caiu por terra contraindo-se de dor, para espanto geral. Diante desta cena, as outras recuaram e sob esguichos e pragas debandaram-se com o resto da legião. Não haveria de ser daquele pão que se alimentariam.
Ainda ferida, ela se levantou dirigindo-se até a fera caída e a tomou nos braços. Não passava de um pobre cão sarnento que, assustado, precipitou-se bosque adentro tentando achar o seu caminho...

                                                                                                          Jamile do Carmo