NEIDE MAIA
PORTUGUÊS
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MATURIDADE


Aos quarenta
meu corpo
é a morada de mim.
Cuido dele não para aparentar vinte,
mas por vigiá-lo.
Porém, a maturidade adquirida
compensa o declínio.
Agora tenho um futuro mais curto,
mas que viverei sem os mesmos erros de outrora.
Tenho momentos de desencanto,
mas me permito apreciar arte.
Embora tenha consciência da morte de tudo,
permito-me criar.

BONS TEMPOS

Naquele povoado
havia uma noite alegre:
era a festa da padroeira.
No sábado à noite,
havia barracas, fogosas,
catolés, beijus e homens
jogando dados.

Eu ficava fascinada
com aquele movimento.
Corria de banca em banca,
dava palpite para os jogadores.
comprava catolés,
olhava os ricos sentados
em redor de uma mesa grande. Era o leilão.
Mais tarde a festa.
Moradores de classe alta
dançavam valsas, soltavam-se
e depois se reencontravam
Rodopiando no salão.
Bons tempos.

Com esta casa
Recupero um pouco
as pedras da minha infância.
Viro criança de novo,
quando pulava a janela pela manhã. 


ETERNO SILÊNCIO

O verdadeiro amor
só é possível
quando impossível
pois como a brevidade das rosas
permanece na imagem diáfana
do eterno silêncio.