CHRISTINA BAUMGARTEN
PORTUGUÊS
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M I L L I E
Fazenda Mount Vernon - Estado da Virgínia (Estados Unidos) - 1765 
Millie acordou com um sobressalto e, olhando pela janela que filtrava a tênue claridade da manhã que se iniciava, pulou da enxerga em que dormia. Seus pés, em contato com o chão duro e gelado, retesaram-se num movimento de frio e cansaço, mas ela ignorou esta manifestação involuntária do corpo e, com uma rapidez desenvolvida pelos anos de trabalho e submissão, enfiou sobre a camisola de flanela puída e rota as suas vestes de trabalho. A saia, de sarja azul escura já muito remendada escondia as formas redondas da escrava e a blusa de uma lã que há muito perdera a cor completava o trabalho de ocultar a beleza que tanto a atormentava. A lembrança do chicote de Dona Marta estava ainda bem clara em seu lombo castigado, bem como as palavras amargas de desprezo que ela pronunciara, culpando a pobre Millie por chamar tanto a atenção do amo. Aos cabelos, cujas inúmeras tranças formavam um emaranhado confuso em torno da cabeça, Millie não deu nenhuma atenção e, chegando perto da bacia que havia sobre a pobre mesa que servia ao cômodo, molhou o rosto com a água enregelante. Lançou uma olhada aos irmãos menores, que ainda dormiam sobre as outras enxergas e, sem mais hesitação, saiu para o frio da madrugada.
Ai dela se fosse pega dormindo depois que os primeiros raios de sol despontavam, dourando a plácida superfície do Rio Potomac. Seu amo e senhor, o nobre George Washington, não admitia duas coisas. A primeira era permanecer na cama depois do nascer do sol e a segunda era que algum escravo permanecesse em repouso depois que ele já estava de pé. Sua mãe há muito já tinha levantado, pois trabalhava na cozinha e a esta hora já devia estar assando pães e broas de maçã para o café da família e seus muitos convidados. O pai de Millie, por sua vez, já devia estar no campo, arando a terra e preparando-a para o cultivo do milho, que logo seria semeado.
Millie passou pelo jardim e observou que a aridez do inverno começava a ceder, e alguns pequenos e tímidos brotos começavam a mostrar a cara na superfície ainda gelada dos canteiros que, dali a algumas semanas, estariam reverberando com a beleza e colorido das flores e plantas que seus amos tanto gostavam. Também ela amava flores e teria preferido ser designada para o trabalho no jardim, mas Dona Martha fora inflexível, colocando-a no serviço da lavagem de roupa, um dos mais pesados da casa.
Caminhando pelos gramados de Mount Vernon, admirou mais uma vez a beleza do lugar onde vivia. A superfície espelhada e brilhante do Rio Potomac imperava, já naquela hora matinal, sobre a paisagem majestosa da fazenda. Para Millie, aquele era seu verdadeiro lar. Apesar da dor e sofrimento constante, e da angústia que muitas vezes via refletida fugazmente nos olhos de seus pais, era nas conversas ao pé da fogueira, durante os raros momentos de folga, que Millie descobria que a realidade, em outras fazendas da região e daquele imenso país podia seu muito diferente, e muito mais dura para os negros, expatriados da sua terra para construir a grandiosidade daquela nação em formação. Os mais velhos, que já haviam pertencido a outras famílias, comentavam em voz sussurrante os maus tratos e torturas que já haviam sofrido, e todos sentiam-se gratificados por terem sido comprados por George Washington, um grande homem e figura das mais importantes na sociedade americana. Para Millie não tinha havido escolha, era apenas uma meninazinha magrela e calada quando seus pais haviam sido comprados, mas crescera forte e rápido sob o sol e a fartura de Mount Vernon. Esta é que havia sido a sua desgraça. Tornara-se uma garota exuberante, cujo corpo deslizava em meneios sensuais pelas terras da fazenda, embora nada fizesse para ostentar esta aparência.
Passou rapidamente pela varanda da casa grande, pisando furtivamente na grama gelada para não fazer barulho. Ela sabia que, a esta hora, Dona Martha já estava de pé, com seu eterno chicotinho nas mãos, observando o trabalho da criadagem da casa, e supervisionando a montagem da grande mesa do café. Qualquer descuido seu e ela viria para a varanda, e não custava nada para disparar algumas chicotadas em seu lombo já judiado pelas muitas pancadas. Somente uma vez observara seu amo por perto e vira quando ele, silencioso porém firme, segurara as mãos de Dona Martha impedindo-lhe o gesto. Mas esta ousadia custara-lhe muito mais caro. Nos dias seguintes tivera pilhas muito maiores e mais sujas de roupa para lavar e ficara até altas horas no escuro e fétido quartinho onde se fazia este serviço, com os braços moídos de tanto revirar, com um grosso pau de carvalho, os caldeirões onde a roupa fervia para recuperar a sua brancura original. Mesmo voltando tardiamente para a senzala, com os braços amortalhados e caídos ao lado do corpo cansado, Dona Martha esperara pela passagem dela e, com um ar de desprezo, pespegara-lhe algumas chicotadas como quem faz um favor. Na sua velha blusa ainda restavam diminutas manchas do sangue que a chibata fizera aflorar na carne.
Millie recolheu furtivamente nos dedos as lágrimas que esta lembrança despertara e correu para o lado norte da propriedade, onde ficavam as construções de serviço. A sala da intendência fervilhava de agitação, e escravos passavam apressados vindo da enorme despensa, carregados com as iguarias que lá estavam estocadas. Em Mount Vernon havia fatura, e muita. Para além da importância do senhor George Washington, que era um dos cabeças da grande nação americana, havia a operosidade e grande fertilidade das terras, que eram cultivadas com esmero e zelo impares pelo batalhão de escravos, sob a supervisão rigorosa e engenhosa do próprio Washington.
Abandonando seus devaneios, Millie correu para a sala da lavagem. Um vapor abafado pairava no ambiente, fruto da fervura de muitos caldeirões onde a roupa branca e imaculada das senhorinhas era devolvida ao seu estado original, depois de exigir muito suor e esforço das escravas envolvidas neste serviço. Grace, Calpúrnia e Celeste já estavam lá, e Millie mais uma vez estremeceu, ao perceber o quanto se atrasara, correndo um enorme risco.
- Ocê tá atrasada di novo, Millie! Que qui tá acontecendo cocê? Nun era de perdê a hora nunca e, de uns tempo prá cá, perde quasi todo dia..... - Grace advertia a menina com um ar quase maternal. Enquanto falava, parou por alguns momentos de agitar algumas camisolas de cambraia de um enorme tacho de cobre, enxugando com a manga da blusa o suor que aflorava em sua testa, apesar do frio. - Num sei proquê minha mãe num me chamoou.....Ela saiu do quarto e eu nem vi! - Sua mãe me disse qui ti chamou e sacuudiu até, mas ocê nem se mexeu.....ocê tá doente ou prenhe, menina!
Estas palavras caíram como uma bomba sobre Millie. Com um meneio de ombros, aparentando não dar importância ao que dissera Grace, voltou-se para uma grande pilha de roupas escuras, grossas e que ficariam imensamente pesadas ao serem molhadas. Atacou o serviço quase com fúria, para surpresa das outras escravas. Mas sua mente viajava em alta velocidade, relembrando acontecimentos que trazia guardados no fundo da alma, procurando esquecer algo que a marcaria para sempre. Enquanto relembrava, seus olhos ficaram vidrados e ela caiu num aparente mutismo, fazendo com que a esquecessem no seu canto. Enquanto o corpo executava maquinalmente as tarefas que já conhecia de cor, Millie relembrava a noite enluarada, há quase dois meses atrás, em que saíra da senzala, já noite alta, a fim de caminhar um pouco. Embora estivesse acostumada aos sons que seus pais faziam todas as noites, antes de dormir, a cada dia que passava isto a perturbava mais. Fazia muita força para adormecer antes que eles começassem com aqueles movimentos rítmicos que acompanhavam com gemidos guturais, mas ao mesmo tempo esperava com ansiedade crescente e um inexplicável ardor entre as pernas e na barriga o momento em que iniciassem. Por outro lado sentia-se ilícita, quase ladra por assistir e roubar deles esta intimidade, compartilhando, de forma secreta, um pouco daquela emoção intensa.
Naquela noite saíra a caminhar, envolta em um cobertor velho e mal cheiroso, a fim de acalmar o coração que batia-lhe no peito como o cavalgar de um cavalo. Ouviu sons de conversa, risadas cristalinas e retinir de copos e louças na grande sala da mansão, mas não se atreveu a olhar para dentro. Se alguém a visse espiando, estaria danada! Estacou ao ver a lua refletida no grande espelho das águas do Potomac, formando uma esteira de luz onde estavam salpicadas estrelas diminutas e seu coração de encheu da mesma luz e beleza. Seus pensamentos voaram e imaginou o conforto, o calor e o deleite do sabor das iguarias que as pessoas, lá dentro da mansão, estariam usufruindo. Sua mãe comentara, ainda hoje, toda a trabalheira e correria na cozinha para preparar o banquete daquela noite: assado de porco com molho de laranja e purê de maçãs, cabrito cozido em molho de ervas, presuntos guarnecidos com melado e cerejas, tortas de carne e de frutas, batatas assadas fumegantes e cobertas com a rica manteiga produzida em Mount Vernon, pudins e frutas em calda e massas branquinhas que estalavam na língua. Sua boca se encheu de água enquanto o estômago se contraía de fome. Seu jantar fora, como para todos escravos, um mingau de farinha de milho adoçado com um pouquinho de melado grosso e escuro, e o corpo pedia desesperadamente por algo mais.
Não chegou a ouvir os passos atrás dela, e sem que percebesse, o grande senhor estava parado ao seu lado, admirando também a esteira prateada da lua nas águas do rio. Estremeceu ao sentir sua presença ao lado, e percebeu-se presa de grande excitação. O amo, tão importante, deixara seus convidados e postara-se ao seu lado, naquela noite enluarada?!?
Ele olhou-a com um ar no qual havia carinho, desejo e dúvida. Súbito, demonstrando ter cedido a um impulso, tomou sua mão e arrastou-a, numa carreira desabalada, até a cabana de pedras que havia às margens do rio, na qual ficavam guardados os apetrechos de pesca. O peixe era uma das grandes fontes alimentares da propriedade e havia inúmeros escravos dedicados exclusivamente ao trabalho diário da pesca. As brasas fumegantes de um fogo que havia sido feito para a lida da pesca ainda lançavam uma calidez ao ambiente e, com apenas alguns pedaços de turfa seca foi possível reavivar as chamas que subiram graciosas e alegres pelas paredes da lareira. Millie sentiu suas roupas serem afastadas com um pouco de brutalidade e mãos sôfregas acariciaram seus seios jovens e empinados.
Encostando-a contra a parede fria e dura, o grande George Washington desvirginou-a com movimentos rápidos e assustadiços, enquanto Millie sentia os corações deles batendo avassaladoramente, em uníssono. Suas pernas fraquejaram e deixou-se escorregar pela parede, jazendo sentada com as pernas desmesuradamente abertas e o corpo abandonado, submisso e entregue a forte emoção do momento. O amo saiu da cabana furtivamente, sem dizer uma única palavra e ela deixou-se ficar, devaneando e revivendo aqueles momentos infinitamente, enquanto as mesmas e fortes emoções se sucediam infindáveis. Somente quando o frio da madrugada veio morder sua pele nua despertou daquele devaneio e, ajeitando como pode suas vestes, correu para a senzala, esgueirando-se para a sua enxerga de palha sem ser vista. Adormeceu quando o dia começava, e aquele foi o primeiro dia no qual perdeu a hora do trabalho. E foi justamente naquela manhã que o amo impediu, com um gesto firme e mudo, a chicotada que já partia para o seu lombo encolhido e marcado. Embora ele se virasse e fosse embora sem uma palavra, Millie jamais esqueceria o olhar gelado e condenador com que Dona Marta a olhara, como se adivinhasse a culpa que se avolumava em sua consciência.
Naquele e em outros dias executara suas tarefas de maneira automática, enquanto a mente viajava e, revivendo aquela lembrança oculta, revisitava as emoções que o corpo sentira, e estremeções incontidos a sacudiam. Aos poucos a lembrança foi amainando, tornando-se um cálido refúgio para a mente torturada pela saudade e pela dúvida. Em vão procurara os olhos do grande senhor, nas raras oportunidade em que o encontrava sem a onipresente Martha por perto, mas ele em nenhum momento dera a menor demonstração de cumplicidade com ela. Nenhum olhar, nenhum sorriso, nem mesmo um ar de carinho perpassara suas feições naqueles fugazes momentos. Ela chegara a duvidar de si mesma, achando que tudo poderia não passar de um sonho de noite enluarada.
E agora Grace vinha com esta suspeita, que lhe fizera sacudir as fímbrias mais íntimas da alma? Já percebera algumas sutis modificações no corpo, e seu sangue não descia já há algum tempo, seriam dois meses? Millie se criara na senzala, em meio as mulheres mais velhas, e conhecia muito bem os fatos da vida. Como filha mais velha, crescera observando que, aos embates amorosos dos seus pais durante as noites insones, sucediam-se as barrigas da mãe e o nascimento dos irmãos. Cansara de assistir aos encontros sexuais de muitos casais, na promiscuidade forçada do ambiente da senzala. Não quisera admitir, o que sua mente já sabia: ela estava de barriga, e seu filho seria do grande homem que era uma das mais importantes figuras do país.
Que fazer, como agir?
Embora apertasse as roupas e disfarçasse os sintomas, não demorou para que sua mãe percebesse que Millie estava embarrigada. Passou a olhá-la com olhos perscrutadores e curiosos, e assim que surgiu a oportunidade, interpelou-a sem delongas:
- Millie, tu tá di barriga, eu já noteii. Quem foi qui ti pegô, é gente boa? Si fô trabalhadô, é bem capais do sinhô deixá tu casá. Vô vê si falo hoje com a Sinhá Martha e....
- Num faiz isso, mãe! Deixa que eu resoorvo meus problema! Millie cortou a mãe com raiva e medo, adiando mais uma vez o confronto inevitável.
Os dias foram se sucedendo, a primavera coloriu os jardins da propriedade e colocou vida nos campos, que se foram dourando e tornando férteis. Assim como a terra, Millie sentia-se frutificar. A criança crescia na sua barriga dia após dia, forte e cheia de vontade de viver. Um róseo rubor coloriu suas faces e os olhos pareciam azeitonas tiradas da barrica de óleo, demonstrando a vivacidade que lhe ia na alma. Embora fosse louca, uma felicidade sem conta avassalou totalmente seu coração naqueles dias.
Com o verão, chegaram as evidências irrefutáveis. A barriga estufara demais, os braços estavam grossos e as faces redondas, e Millie já não podia mais esconder seu estado. Caminhava de forma um pouco bamboleante pelo jardim, olhando com prazer as dedaleiras e peônias, que se debruçavam, coloridas e vivazes, para ela, quando sentiu um olhar gelado sobre si. Dona Martha estava sentada à sombra de um carvalho, usufruindo o clima ameno daquela estação, e colocara os olhos sobre Millie com espanto e raiva. Durante algum tempo ela tinha sido beneficiada com algumas viagens da grande senhora, e muito ardilosa para evitá-la quando estava em casa. Mas agora ela olhava e acintosamente percebia o que o corpo da negrinha sinalizava de forma gritante. De onde Martha tirava a sua arguta percepção, Millie não podia entender. Mas percebeu que ela, de imediato, adivinhou tudo. A raiva transpareceu em seus olhos azuis que desfecharam dardos raivosos sobre Millie, sem que fosse necessária uma palavra. Millie virou-se e, o mais rápido que seu corpo volumoso permitiu, tratou de sumir das vistas da patroa. Um desassossego tomou conta de seu coração, uma intuição ruim que não lhe permitia dormir ou sossegar. Era como se um grande animal selvagem estivesse a espreita o tempo todo, prestes a agarrá-la e acabar com ela.
Naquela noite não suportou a opressão do ambiente da senzala: os cantos e batuques, o calor do fogo e o cheiro do mingau de milho misturado a fumaça dos cachimbos sufocou-a, e buscou as margens do majestoso Potomac. Quantas vezes já contemplara aquele rio, na busca incessante de reviver aqueles loucos e parcos momentos? Quantas vezes sonhara em repetir a loucura, em sentir novamente a presença do senhor junto dela, em silêncio e ímpeto? Não pedia nada, olhares, palavras, nada. Só que ele viesse novamente até ela, e usufruísse do seu corpo, com o mesmo silêncio e ânsia originais. Mas nada acontecera e, com as pernas dormentes e doloridas, voltara noite após noite para a sua enxerga de palha na úmida e fria senzala.
Naquela noite foi diferente. Ficou em silêncio e solidão durante largos momentos, admirando o rio, tão plácido e majestoso sob a luz fria da lua e já se preparava para voltar quando ouviu um som abafado e, voltando-se com alguma dificuldade, deu com os olhos lúcidos e agigantados do seu grande senhor. O coração de Millie deu um salto dentro do peito, suas pernas amoleceram e a respiração tornou-se entrecortada e arfante. Ele, sempre em silêncio, fez-lhe um gesto algo contido e foi caminhando para a cabana de pesca. O coração de Millie recusava-se a calar, e cantava hinos de louvor, iguais aqueles que ela ouvira durante anos a fio na igreja dos brancos. Obrigava-se a guardar bem no fundo do coração as cantilenas em ialorubá que faziam parte de sua própria tradição. Não sentia-se no direito de cultivar tradições tão estranhas ao seu senhor, pai do seu filho.
Neste ínterim, ele chegara a cabana alguns segundos antes dela e estacara na porta, fazendo um gesto mudo para que ela entrasse. No entanto, ao passar por ele sentiu que seu braço era segurado com uma força descomunal, desnecessária. Olhou-o bem nos olhos e no fundo deles leu desespero, medo e raiva. Ele comprimia os lábios até que as comissuras se tornassem brancas e, depois de alguns momentos, disse-lhe com voz estrangulada:
- Perdoe-me!
Empurrou-a então para dentro da cabana e ela só pode ouvir a porta bater atrás de si. Lá dentro, três homens a esperavam armados de cordas e o mais mal encarado deles portava uma enorme faca cuja lâmina brilhou à luz da lua que se coava pelas janelas mal urdidas. Millie virou-se para o olhar o senhor, e ver qual seria sua reação, mas deu de cara com a porta fria e branca, fechada atrás de si. Então compreendeu o real significado da palavra que ele pronunciara alguns segundos antes, e que ela reputara em outra conta. Virou-se de frente para aqueles malfeitores e, de repente, não tinha mais medo de nada!