MARIA DO CARMO FERREIRA
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
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ÀS MARGENS PLÁCIDAS


O mar desborda em minhas costas
e eu sentada.
O sol saltando das órbitas
e eu de costas.
Condomínios desagregam-se
e eu secreta.
Mulheres desovam povos
e eu apátrida.
Lá longe a lua acabala
mel & merda.
Serão na Casa da Moeda
e eu lunática.
A enchente maior do século
e eu sem pressa
telefono impulsos-extra
& ordinários.
O país em chaga aberta
e eu coberta.
Mais perto ratos por labs
deca/p/tados.
Ao som & imagem de guerras
sob controle
remotamente tremores
terr...e...motos.
Trilhões de dívidas-déficit
e eu sonego
gastrites porque hoje é sábado
entre sábanas.
Metalúrgicos meninos
desemperram
parafusos de uso infusos
honorários.
Violência gera violência:
o orbe em greve.
A urbe em promiscuidade:
a par th aids.
Livre îvre o livro-árbitro
escorrega
do colo ao chão por sinais
testamentários.
O despertador dispara
e eu desperto.
A televisão matraca
e eu desligada.
Na cozinha a iogurteira
de olho aceso
apita que o leite fresco
agora é coalho.
Do banheiro peças mudas
pregam à cesta
que roupa suja se lava
na automática.