DJANIRA PIO
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
TEXTO

"Ecrire"

No final do ano letivo, a professora perguntou se poderia levar meu caderno de linguagem para mostrar ao seu superior. Depois, em data marcada, ela enviaria o caderno, através da jardineira. Permiti.

No dia marcado fui esperar a jardineira, que passou e não parou. No dia seguinte fui novamente e ela não parou. Fui novamente e nada.

Eu deveria ter dado sinal e perguntado, mas não o fiz. Adeus caderninho!

Tchau! Até nunca mais.

Hoje penso no caderno pisoteado pelo motorista, nos pedais da jardineira.



Finados

- Veja! Olha aquela lá! - diz a mulher interrompendo a reza pela metade - É a Irene Gorda, lembra dela? Vem rezar pelo defunto e traz o novo marido, o defunto ainda nem bem esfriou...

- Nossa! - responde a outra.

Passando por elas, Irene pára.

- Como vai Vânia? Morando por aqui?

- Sim, e você está bem?

- Você sabe, fiquei viúva, muito triste. Mas tive sorte. Deus enviou-me uma pessoa digna e estou novamente desposada. Feliz. Um novo amor renova nossas vidas. Casei-me com o veterinário do Haras.

Caminhou alguns passos e virou-se:

- Você não tem notícias da Mariana?

- Não, nunca mais soube dela.

- Bem, então adeusinho...

As mulheres se entreolharam:

- Diziam que ela não se importava...

Nunca ignorou o caso com Mariana que durou até a morte dele. Fez muito bem em casar-se novamente. Só de olhar dá para perceber que esse é mais decente.