INEZ FIGUEIREDO
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
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SOPRO E PELE 

Este corpo meu,nuelo,ao sol,
sob a saliva verde a banhar-se,
a reconhecer-se entre algas
com os dentes,com a linfa,com as unhas.
Este corpo meu a postar-se,
a deitar-se onde velo
mais aquém, mais além,
neste chão de demora
a remembrar em si
o abraço entre o Grão e a Estrela.
E no trajeto que faz
quando refaz-se o hífen
entre o sopro e a pele
clama à imprescindível Palavra
que permanece intátil.
Assim estás,Meu Amor,
no traço de giz que a Nüit circunda,
no ton sur ton das pálpebras azuis,
a desenhar-se sobre todas as coisas
como as coisas desenham-se a si
na marca d'água
do ser vivente.